
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está em Roma entre os dias 20 e 29 de janeiro para a tradicional visita anual ao Papa e aos dicastérios da Santa Sé. O encontro acontece em um contexto especial, do bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, celebrado em 2026.
Essas visitas fazem parte da rotina institucional das conferências episcopais do mundo inteiro. Elas reforçam a comunhão com o Santo Padre e permitem que cada Igreja local apresente sua realidade, desafios e projetos diretamente aos organismos centrais do Vaticano.
O que são as visitas das presidências ao Papa?
A visita da presidência de uma conferência episcopal ao Papa é um momento de escuta mútua. Os Bispos apresentam um relatório sobre a caminhada pastoral do último ano e partilham as principais preocupações da Igreja no país.
Quem representa a CNBB em Roma?
A Presidência da CNBB é formada por:
- Cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente;
- Dom João Justino, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente;
- Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente;
- Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral.
O que são os dicastérios da Santa Sé?
Os dicastérios funcionam como os “ministérios” do Vaticano. Eles auxiliam o Papa no governo da Igreja universal e tratam de áreas específicas, como doutrina, clero, evangelização, família, juventude e desenvolvimento humano integral.
Durante a semana, a Presidência da CNBB participa de reuniões em diferentes dicastérios, com agendas focadas na realidade brasileira e latino-americana.
Doutrina da Fé e o legado do Concílio Vaticano II
No Dicastério para a Doutrina da Fé, os Bispos apresentaram o trabalho da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB. Um dos destaques foi o Congresso Internacional sobre o Concílio Vaticano II, promovido pela PUC-Goiás em parceria com a CNBB.
O evento foi reconhecido pela sua relevância teológica e pastoral, especialmente no contexto dos 60 anos do Concílio. Na ocasião, também foram entregues o Relatório da Presidência da CNBB – Ano 2025 e o Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2026, que traz o tema “Fraternidade e Moradia”.
O diálogo com o Dicastério para o Clero
A visita ao Dicastério para o Clero concentrou-se na vida e na missão dos presbíteros. Os bispos apresentaram desafios pastorais enfrentados no Brasil e partilharam processos em andamento.
Entre os temas tratados estiveram a atualização da RatioInstitutionis, o Texto-Base do Encontro Nacional de Presbíteros e a revisão do Documento 110, que orienta a formação sacerdotal no país. O objetivo é alinhar formação, espiritualidade e missão às necessidades atuais da Igreja brasileira.
América Latina, sinodalidade e desafios sociais
Na Pontifícia Comissão para a América Latina, a partilha teve foco na vivência da sinodalidade e nos caminhos da evangelização. Também foi destacado o papel do CELAM na promoção de encontros sinodais no continente.
Questões como migração, narcocultura, crises políticas e conflitos regionais foram abordadas, sempre com atenção aos impactos no Brasil. As redes eclesiais, como REPAM, Cáritas, CEAMA e Rede Clamor, apareceram como sinais de esperança e ação evangelizadora.
Encontro com o Colégio Pio Brasileiro
Durante a permanência em Roma, a Presidência da CNBB reuniu-se com a comunidade do Pontifício Colégio Pio Brasileiro. O Cardeal Jaime Spengler destacou o valor da formação dos padres ao afirmar que “estudar também é um trabalho árduo em favor da Igreja do Brasil”.
Dom Ricardo Hoepers apresentou dados sobre o Fundo Nacional de Solidariedade, que destinou mais de R$ 25 milhões, nos últimos quatro anos, a cerca de 900 projetos sociais. Já Dom Paulo Jackson falou sobre o projeto “Comunhão e Partilha”, que apoia a formação de seminaristas e padres de dioceses mais carentes.
Causas de santos no Brasil são reconhecidos como frutos da ação pastoral
Entre os compromissos, a presidência da CNBB visitou o Dicastério para as Causas dos Santos, onde o grupo foi recebido pelo prefeito do organismo, Cardeal Marcello Semeraro.
Durante o encontro, os bispos brasileiros apresentaram o panorama atual das causas de canonização no país. Hoje, o Brasil soma 139 causas em andamento, entre elas 13 referentes a beatos. O Dicastério entregou à CNBB uma síntese detalhada da situação de cada processo e ressaltou que essas causas são frutos concretos da ação pastoral da Igreja no Brasil.
A presidência da CNBB também expressou gratidão pela participação do Cônego Antônio Saldanha no primeiro Encontro de Postuladores das Causas dos Santos, realizado em Brasília, em julho de 2025. A presença foi avaliada como um gesto de proximidade e incentivo ao trabalho desenvolvido no país.
Outro ponto relevante da reunião foi a apresentação de uma proposta formativa que será desenvolvida pela CNBB em parceria com a PUC-Rio. A iniciativa busca qualificar agentes eclesiais brasileiros para atuar nos processos de canonização e, ao mesmo tempo, aprofundar a valorização do testemunho de santidade vivido nas comunidades.
CNBB debate tutela de menores no Vaticano
Os bispos marcaram presença, também, na Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores. O encontro ocorreu com Dom ThibaultVerny, nomeado presidente da Comissão pelo Papa Leão XIV em julho de 2025.
A conversa aprofundou o conceito de vulnerabilidade a partir da realidade brasileira. Foram discutidos critérios objetivos que ajudem a fortalecer políticas eficazes de prevenção, cuidado das vítimas e responsabilização, levando em conta os desafios sociais e culturais do país.
Durante a visita, os representantes da Pontifícia Comissão confirmaram presença na 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, prevista para abril. A participação terá como foco contribuir diretamente para a formação dos bispos no tema da tutela de menores.
Fonte: Portal A12 / Por Beatriz Nery / Com CNBB




