Pastoral Familiar do RN2

alerta contra vício e a ‘vida dupla digital’

Em um evento formativo crucial para as famílias do Pará e Amapá, a Pastoral Familiar do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil trouxe à luz um alerta severo sobre a invasão do mundo virtual na vida doméstica. A coordenadora regional, Luciana Limão, apresentou um panorama detalhado dos perigos inerentes às plataformas digitais, classificando-as não apenas como ferramentas de conexão, mas também como vetores de vício, engano e erosão dos laços reais. O encontro teve como temática ‘Família e Midias Sociais’, e aconteceu nos dias 30 e 31 passados, na paroquia São Braz, pertencente a Diocese de Xingu Altamira (PA).

O foco da apresentação foi desmistificar a aparente inofensividade de muitas plataformas, expondo as categorias de risco que vão desde redes sociais de namoro e traição (como Ashley Madison e AdultFriendFinder) até a classificação do WhatsApp como um comunicador instantâneo que facilita a “vida dupla”.

A Depressão do Ideal Inatingível

Um dos pontos mais impactantes da análise de Luciana Limão foi a discussão sobre a Monofobia, ou o vício em redes. A coordenadora explicou que a constante exposição a um ideal de vida perfeito e a sensação de onipresença gerada pelas mídias podem induzir a sentimentos de depressão em quem se sente incapaz de atingir essa utopia digital.

Os sintomas do vício são claros checagem obsessiva de mensagens, incapacidade de se desconectar em momentos inadequados (como em restaurantes ou até mesmo na igreja) e a supervalorização de relacionamentos superficiais online em detrimento dos laços presenciais.

A Causa Raiz: A Falha no “Ser”

Segundo a análise, a vulnerabilidade ao vício é agravada pela falta de estrutura familiar e pela dificuldade individual de autoconhecimento. Muitos jovens buscam no virtual um empoderamento que não conseguem construir no mundo real, fugindo da responsabilidade de “ser” quem Deus deseja que sejam.

O Antídoto: Ética Única e Valores Imutáveis

A resposta proposta pela Pastoral Familiar não é banir a tecnologia, mas sim estabelecer uma barreira de proteção baseada em valores inegociáveis. Luciana Limão defende a criação de uma “Ética Única” que se aplique tanto ao convívio real quanto ao virtual.

As famílias são convocadas a estabelecer Regras Claras – definir limites de horário e uso para as mídias, válidos para todos os membros. Priorizar o Real, dedicar atenção precoce e consistente aos filhos, fortalecendo o relacionamento interpessoal. Reforçar Valores – focar na transmissão de pilares imutáveis como Caridade, Justiça, Honestidade, Respeito e Verdade.

A mensagem final de Luciana é um chamado à responsabilidade parental “o melhor antídoto contra os perigos digitais é o Bom Exemplo oferecido dentro de casa, garantindo que os laços de sangue e fé sejam mais consistentes do que os laços de wi-fi”, finalizou a coordenadora da Pastoral Familiar do Regional Norte 2.

Fonte: Regional Norte 2 / PorVívian Marler

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