Festividade de São Benedito de Gurupá

Reconhecida como patrimônio imaterial do Pará

A rica tradição cultural e religiosa do Arquipélago do Marajó ganhou um importante reconhecimento oficial. O Projeto de Lei nº 64, de 04 de fevereiro de 2026, declara e reconhece a ‘Festividade do Glorioso São Benedito de Gurupá’ como ‘Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará’. Este título formaliza a importância de uma celebração que é, para o povo gurupaense, muito mais do que um evento religioso.

Mais do que uma celebração religiosa, essa festividade é ‘expressão viva da fé, da identidade, da tradição e da resistência cultural’ do povo gurupaense há mais de 200 anos, transmitida de geração em geração. Um reconhecimento que valoriza a memória, fortalece a cultura popular e preserva um legado que faz parte da história do Pará. A honraria assegura a proteção e o incentivo a práticas que definem a alma da comunidade local.

São Benedito: O Santo Negro e o Símbolo da Resistência

A devoção em Gurupá está ligada à figura de São Benedito, conhecido como o “Santo Negro”, nascido na Sicília em 1526, filho de pessoas escravizadas. Apesar de ser analfabeto, sua sabedoria e santidade o levaram a ingressar na Ordem Franciscana e, posteriormente, a ser eleito superior de seu convento. São Benedito tornou-se padroeiro dos cozinheiros e dos pobres, sendo um símbolo universal de humildade e intercessão.

Em Gurupá, a devoção ao santo é tecida pela história da colonização e da resistência, sendo São Benedito um pilar para as comunidades locais, inclusive as de matriz quilombola. A festividade, celebrada tradicionalmente em dezembro, é organizada pela Irmandade dos Foliões do Glorioso São Benedito, que mantém uma estrutura de honra com hierarquia quase militar, atuando como guarda do santo.

A Expressão Viva da Fé em Gurupá

A importância da Festividade do Glorioso São Benedito reside justamente em ser uma ‘expressão viva da fé’ que transcende o dogma. As celebrações anuais são marcadas por rituais únicos, como as músicas tocadas em instrumentos sacros de couro e madeira, e as visitas aos promesseiros — aqueles que tiveram pedidos atendidos pelo santo, como a graça de uma casa própria. A fé do povo de Gurupá se manifesta na devoção ininterrupta e na preservação de lendas locais, como a história do santo que retornou milagrosamente de canoa para sua igreja após ser levado a Belém para restauração.

O título de ‘Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial’ é fundamental, pois eleva a festividade do âmbito privado da fé para o reconhecimento público do Estado. Isso significa que a peculiaridade da festa — sua música, sua organização social e suas narrativas milagrosas — é reconhecida como um valor inestimável para a identidade cultural paraense, garantindo sua salvaguarda contra o esquecimento e a descaracterização.

Fonte: Regional Norte 2 / Por Vívian Marler

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