
O secretário-geral do Sínodo anunciou a convocação dos presidentes dos organismos episcopais dos vários continentes para uma reunião em junho, no Vaticano, visando a avaliação das reformas sinodais em todas as dioceses.
“Vamos reunir-nos para encontrar, ou melhor, para procurar os caminhos, os meios para que os frutos do Sínodo possam ser implementados no terreno, ou seja, na Igreja particular, na diocese”, disse o cardeal Mario Grech, numa entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e à Rede Sinodal em Portugal.
O encontro, que antecede o segundo consistório do pontificado, agendado para os dias 26 e 27 de junho, reunirá os responsáveis da África e Madagáscar (SECAM), América Latina e Caraíbas (CELAM), América do Norte (EUA/Canadá), Ásia (FABC), Europa (CCEE), Médio Oriente (com a contribuição das Igrejas Católicas orientais) e Oceânia (FCBCO).
O responsável admitiu que as soluções “concretas” para cada território podem variar, mas deixou um alerta: “Não queremos que a diversidade comprometa a unidade, é uma preocupação que faz parte da vida da Igreja”.
“Todos, todos podem contribuir para uma melhor compreensão do significado da sinodalidade sem transgredir a doutrina da Igreja”, acrescentou.
Questionado sobre o percurso realizado desde a aprovação do documento final da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2024, o cardeal Grech falou num caminho “muito positivo”.
“Há um movimento na Igreja em toda a parte, não igualmente em todas as partes, mas agradecemos ao Senhor o grande interesse. E estou a falar de participação geral, isto é, de todos na Igreja, isto é, de todo o povo de Deus”, precisou.
O colaborador do Papa assinalou a necessidade de adaptação às transformações sociais contemporâneas, seguindo a linha de pensamento do atual pontífice.
“Hoje temos necessidade de encontrar novos modos, linguagem nova, de conhecer as novas realidades para anunciar Jesus ao mundo de hoje. E esta é uma necessidade não apenas para vós, mas para todos, como sublinha também o Papa Leão XIV”, indicou.
O balanço da fase atual do Sínodo revela uma adesão transversal dos batizados, que o responsável maltês classifica como uma mudança na consciência sobre a responsabilidade comunitária.
“Os batizados, uma vez que entenderam, ou entendem, o que significa a sinodalidade, apresentam-se e querem participar na missão da Igreja”, assinalou.
O cardeal Mario Grech destacou as dinâmicas de base e as redes sinodais como contributos para a vitalidade da “Igreja universal”, instando à continuidade do trabalho nas comunidades católicas.
O secretário-geral do Sínodo exortou os fiéis a manterem uma postura de abertura às mudanças estruturais necessárias, independentemente das dificuldades de implementação.
“Abri o vosso coração, a vossa mente ao Espírito Santo, que sabe também fazer surpresas”, apelou.
A fase de aplicação das indicações do Sínodo sobre a sinodalidade (2021-2024) decorre em várias fases, que culminam na realização de uma inédita Assembleia Eclesial, marcada para 2028.
Até dezembro de 2026, estão previstos percursos de implementação nas Igrejas locais e nos seus agrupamentos; no primeiro semestre de 2027 devem acontecer assembleias de avaliação nas dioceses, a que se seguem, no segundo semestre, assembleias de avaliação nas Conferências Episcopais nacionais e internacionais.
Para o primeiro quadrimestre de 2028 vão ser marcadas assembleias continentais de avaliação.
“Esperamos que estas assembleias ajudem toda a Igreja a compreender as diversas situações concretas e a aprender uns com os outros”, desejou o secretário-geral do Sínodo.
A entrevista com o cardeal Grech é colaboração especial da Agência ECCLESIA com o podcast “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal – parceria com Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, Folha de Domingo, Rede Mundial de Oração do Papa e 7Margens.
Fonte: Agência Ecclesia

