
Neste mês de maio, a Igreja volta seus olhos para Aquela que, sendo a “cheia de graça” (Lc 1,2), tornou-se a primeira discípula e missionária. No contexto da evangelização das juventudes, Maria não é apenas uma figura de devoção passiva, mas um referencial teológico e antropológico fundamental. Para o jovem que busca identidade e propósito, a Virgem de Nazaré oferece o modelo perfeito de como o humano se realiza plenamente no encontro com o Divino.
A teologia mariana aplicada à juventude começa na Anunciação. Ali, o encontro entre a liberdade de Deus e a liberdade humana acontece em uma mulher jovem. Maria não recebe um destino imposto, mas um convite. Para o jovem, isso desmistifica a ideia de uma vontade divina arbitrária, apresentando a fé como um projeto de cooperação. O Fiat (Faça-se) não foi um sim dado com todas as garantias, mas uma entrega na incerteza. Isso ressoa com a realidade juvenil, marcada por grandes escolhas e pela busca de segurança em meio à liquidez da modernidade.
Já à luz do episódio da visitação, a evangelização juvenil exige o que o Papa Francisco chama de “apostolado da escuta e da proximidade”. Maria, ao partir “apressadamente” (Lc 1,39) para visitar Isabel, estabelece as bases dessa pedagogia. Maria ensina que a experiência com Deus não pode
ser autorreferencial. Ela mobiliza o jovem para o serviço, transformando a espiritualidade em ação social e caridade concreta. No Magnificat, Maria revela a face política e social do Evangelho. Ela ensina à juventude que evangelizar é também lutar pela justiça e pela dignidade dos pobres,
denunciando as estruturas de pecado.
Dentre um dos grandes desafios na evangelização das juventudes, está o fato de ter que lidar com a dor, o fracasso e o sofrimento. A presença de Maria aos pés da Cruz (Jo 19, 25) oferece uma lição teológica profunda, pois ali temos a mística da perseverança, afinal, enquanto muitos fugiram,
a Virgem permaneceu. Ela educa o jovem para uma fé que não é apenas sentimento, mas compromisso resiliente, mesmo nos momentos de silêncio de Deus.
Além disso, nessa cena, destaca-se a Maternidade Eclesial, pois ao receber João como filho, Maria torna-se mãe da Igreja. Para o jovem que muitas vezes se sente órfão de instituições, Maria oferece a Igreja como casa e família, um lugar de pertença afetiva e espiritual.
Já na visão da Mulher revestida de sol, do livro do Apocalipse (cf. Ap 12,1), no horizonte da evangelização das juventudes, relacionado ao Dogma da Assunção, Maria Assunta aos céus é o sinal da vitória final. Ela é a prova de que a história humana tem um sentido e que o corpo e a juventude não são descartáveis, mas destinados à glória.
Portanto, evangelizar a juventude com Maria significa humanizar o anúncio do Querigma. Ela impede que Jesus seja reduzido a uma ideia ou a um preceito moral, apresentando-O como uma Pessoa viva que se formou em seu ventre. Neste mês de maio, a importância de Maria no processo
de evangelização das juventudes revela-se na sua capacidade de formar o Cristo nos corações. Ela é a Estrela que não brilha por luz própria, mas reflete o Sol de Justiça, guiando os jovens pelos mares da história até o porto seguro da comunhão com a Trindade. Como Maria, a juventude é
chamada a ser o agora de Deus, transformando o mundo com a força de um ‘Sim’ renovado.
Por Pe. Demison Batista Foiquinos – Referencial para a Pastoral Juvenil (CNBB Norte II) – Assessor do Setor Juventude (Arquidiocese de Belém


