A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lança nesta quinta-feira, 7 de maio, de 8h às 17h, na sede do Regional Norte 2 da CNBB, um dos documentos mais aguardados pela sociedade civil e órgãos de direitos humanos, a ’40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025′. O relatório revela um cenário alarmante, embora o número total de conflitos tenha caído 28%, a letalidade contra trabalhadores rurais, indígenas e comunidades tradicionais atingiu níveis críticos, com um aumento de 100% no número de assassinatos em comparação ao ano anterior.
A Região Norte segue como a área mais perigosa para quem defende a terra e a floresta. Segundo os dados apurados pela CPT, a região concentrou 61% das mortes registradas no país. Rondônia e Pará lideram o ranking nacional de letalidade, com sete assassinatos cada. Além disso, o relatório documenta dois massacres ocorridos em 2025, ambos localizados nesses estados, evidenciando a atuação de forças públicas e privadas na repressão violenta.
O documento aponta que fazendeiros foram os principais agentes causadores da violência, envolvidos em 20 dos 26 assassinatos do ano. No entanto, o que mais chamou a atenção dos documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc/CPT) foi o salto em formas específicas de repressão:•Humilhação: saltou de 5 para 142 casos. Cárcere Privado: subiu de 1 para 105 registros. Prisões: cresceram de 71 para 111.
Esses números estão fortemente atrelados a ações policiais, como a operação “Godos” em Rondônia, onde famílias sem-terra e servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário foram alvo de truculência.
A 40ª edição do relatório também destaca o aumento de 5% nos casos de trabalho escravo rural, com 1.991 trabalhadores resgatados em 159 casos. Já os conflitos pela água, embora tenham registrado o menor número da década (148 ocorrências), continuam atingindo severamente territórios quilombolas e ribeirinhos, com o Pará figurando entre os estados com mais registros.
40 Anos de Memória e Denúncia
Desde 1985, a CPT sistematiza esses dados que servem como instrumento de denúncia internacional e base para políticas públicas. “Ao completar 40 edições, a publicação reafirma seu papel como instrumento de memória e monitoramento das violências que atingem os povos do campo, das águas e das florestas”, afirma a entidade.
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler




