O Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) da Arquidiocese de Santarém realizou, de 3 a 5 de maio de 2026, o Curso de Aplicação do Método de Contagem de Pirarucu (Arapaima gigas), na comunidade Piapó, região do Lago Grande, no município de Monte Alegre.
A formação reuniu lideranças das comunidades Piapó (Monte Alegre) e Lago Branco (Almeirim), e contou com a assessoria do Instituto Mamirauá e a parceria da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), fortalecendo iniciativas voltadas ao manejo sustentável do pirarucu e à proteção dos territórios amazônicos.
Ao longo dos três dias, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre o método de contagem da espécie, além de aspectos sociais, econômicos e ambientais relacionados à pesca na região. A atividade também buscou fortalecer as experiências de gestão coletiva dos recursos pesqueiros, especialmente por meio dos acordos de pesca e da formação de novos multiplicadores nas comunidades.
Segundo a coordenadora do CPP, Valdeci (Valda) Oliveira, possibilitar esse processo formativo sobre o manejo do pirarucu foi fundamental para a Pastoral dos Pescadores da Arquidiocese de Santarém, por se tratar de uma experiência exitosa que alia teoria e prática exercidas pelos manejadores e manejadoras. “É importante dizer que os acordos de pesca comunitários surgem da necessidade e demanda das comunidades, muitas das vezes devido à pressão dos estoques pesqueiros e, principalmente, pela ausência ou diminuição do pescado”, destacou.
Ainda de acordo com Valdeci (Valda), o CPP é convidado a colaborar com os debates sobre legislação, reflexões sobre educação ambiental e sobre as regras dos acordos de pesca comunitários: “Certamente, um dos resultados é a motivação dos comunitários acerca do manejo pesqueiro, em especial o manejo do pirarucu. Outro resultado é quanto à prática do zoneamento dos ambientes, trabalhados pelos manejadores e manejadoras”.
Método de Contagem
As orientações repassadas sobre o método de contagem do pirarucu foram feitas pelo tecnólogo em produção pesqueira e analista de manejo de desenvolvimento no Instituto Mamirauá, Jovane Cavalcante Marinho. Ele esclareceu sobre a abordagem deste método apresentado às lideranças comunitárias.
“O método de contagem de pirarucu é uma habilidade que os pescadores experientes executam na prática de contabilizar os pirarucus adultos e os juvenis em determinado ambiente. Começou há muito tempo na Reserva Mamirauá, na década de 90, e, desde então, ele vem sendo utilizado para a gente fazer o levantamento do estoque da população de pirarucus nessas duas classes, entre juvenis e adultos”, explicou.
É uma técnica com o objetivo de monitorar o estoque da população de pirarucus, ver como está o andamento da pesca e o estado saudável destes peixes, mesmo ocorrendo a pesca do pirarucu. O instituto já aplica capacitações do método de contagem no estado do Amazonas desde os anos 2000.
Necessidade do manejo pesqueiro
A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) contribuiu na formação das lideranças para a implementação do método de contagem do pirarucu. Pela instituição, esteve presente o professor Enéias Guedes, do curso de Geografia.
Segundo o professor, fazer um ordenamento pesqueiro, na proposta do manejo, é fundamental, não só para garantir renda, mas também para o enfrentamento de situações que possam causar situações extremas. Em tempos de mudanças climáticas, é necessário saber como agir diante disso, como a seca, por exemplo.
“É uma atividade que entendemos como muito importante para as pessoas das comunidades. Elas reconhecem que isso tem relação direta com a própria sobrevivência, já que o peixe faz parte da alimentação das famílias”, explicou.
Ele enfatizou que a região de várzea possui um grande potencial no desenvolvimento dessas atividades de manejo pesqueiro, e que a iniciativa pode ser estendida além dessas comunidades.
Participantes destacam a importância de formação sobre o manejo
Ivanilda Moreira, da comunidade Lago Branco, município de Almeirim, esteve na formação com a finalidade de aprender e levar conhecimentos para a sua localidade.
“O que me motivou a estar aqui foi a falta, a escassez, digamos assim, do nosso peixe chamado pirarucu. Então, na nossa região, já está sendo bastante escassa essa espécie, e a gente está querendo aprender como trabalhar para poder ter o nosso peixe de volta”, ressaltou ao externar também a possibilidade de uma geração de renda por meio desta espécie de peixe.
Da comunidade que sediou o encontro, esteve presente Marcione Pisa, ao assegurar a necessidade de adquirir mais conhecimento sobre o manejo do pirarucu: “O que me motivou a estar juntamente nesse projeto, com essa equipe, foram as experiências, os desafios também voltados para o projeto do manejo, no qual a gente busca conquistar mais grupos para estar juntamente conosco.”
Próximos passos
Após esta formação, os próximos passos do CPP são acompanhar a prática da contagem nos ambientes destinados à procriação do pirarucu, auxiliar na elaboração do plano comunitário e contribuir para a construção do regimento de manejo das duas comunidades: Piapó e Lago Branco.
Fonte: Arquidiocese de Santarém / Por Aritana Aguiar e Diana Maria







