A primeira encíclica do pontificado do Papa Leão XIV já tem data para chegar ao público. Intitulada Magnifica Humanitas, a carta será publicada em 25 de maio e tratará da dignidade humana diante da inteligência artificial.

Especialistas ligados ao Vaticano destacam que o foco da encíclica não será apenas a tecnologia, e que o centro da reflexão será a pessoa humana.

A expressão escolhida pelo Vaticano chama atenção: “salvaguarda da pessoa humana”. Isso indica que o documento pretende discutir impactos sociais, culturais, econômicos e espirituais da IA.

A proposta segue uma linha já apresentada pelo Papa em discursos recentes. Em várias ocasiões, Leão XIV afirmou que o progresso tecnológico precisa respeitar a dignidade da vida humana.

O que diz a Bíblia sobre a dignidade humana?

A Bíblia também oferece fundamentos para essa reflexão. No livro do Gênesis, a criação do ser humano aparece ligada diretamente à imagem de Deus: “Deus criou o ser humano à sua imagem.”(Gn 1,27)

Outro trecho importante aparece na Carta aos Coríntios: “Vocês são templo do Espírito Santo.”(1Cor 6,19)

Já no Evangelho de João, Jesus recorda a ação do Espírito Santo na condução da humanidade: “O Espírito da verdade vos conduzirá à plena verdade.” (Jo 16,13)

Dentro da fé cristã, esses textos reforçam que a pessoa humana possui valor único e inegociável. Por isso, nenhuma tecnologia pode substituir a consciência, a liberdade e a dimensão do que é ser humano.

O que esperar da encíclica Magnifica Humanitas?

A expectativa é que Magnifica Humanitasapresente orientações amplas sobre o uso ético da inteligência artificial.

O documento deve abordar temas como:

  • proteção da dignidade humana;
  • impactos no trabalho;
  • riscos da automação excessiva;
  • uso ético de algoritmos;
  • responsabilidade das empresas de tecnologia;
  • educação digital;
  • proteção de crianças e adolescentes;
  • defesa da verdade e das relações humanas.

O Papa também deve reforçar que a inteligência artificial precisa servir ao bem comum.

Nos últimos meses, Leão XIV alertou que “a vida humana vale mais do que um algoritmo” e afirmou que a IA não pode substituir o discernimento moral nem os vínculos humanos autênticos.

O que é uma encíclica?

Uma encíclica é uma carta pastoral escrita pelo Papa. Tradicionalmente, ela é dirigida aos bispos da Igreja Católica, mas também alcança os fiéis e todas as pessoas de boa vontade.

Esses documentos fazem parte do chamado magistério ordinário do Papa. Eles apresentam ensinamentos importantes sobre fé, moral e temas sociais.

As encíclicas ganharam força especialmente a partir da RerumNovarum, publicada em 1891 por Leão XIII. Desde então, os papas passaram a tratar de assuntos ligados ao trabalho, economia, dignidade humana, família, paz e cuidado com a criação.

Entre as encíclicas mais conhecidas das últimas décadas estão: Humanae Vitae, escrita por Paulo VI e Laudato Si’ e Fratelli Tutti do Papa Francisco.

O que a Igreja Católica já disse sobre inteligência artificial?

Nos últimos anos, a Igreja ampliou sua reflexão sobre IA. Um dos marcos aconteceu em 2020, com o lançamento do “Apelo de Roma para a Ética da IA”, promovido pela Pontifícia Academia para a Vida.

O documento defendeu princípios como:

  • transparência;
  • responsabilidade;
  • inclusão;
  • segurança;
  • privacidade;
  • combate à discriminação.

Em janeiro de 2025, o Vaticano publicou Antiqua et Nova, um texto que aprofundou a discussão ética sobre inteligência artificial. O documento alertou que a IA não possui consciência moral, criatividade espiritual nem capacidade de discernimento humano.

Já durante o pontificado de Leão XIV, o tema ganhou ainda mais destaque. O Papa afirmou diversas vezes que o desenvolvimento tecnológico precisa caminhar junto da justiça social, da proteção do trabalho humano e da defesa da dignidade das pessoas mais vulneráveis.

Em mensagens recentes, o Pontífice também demonstrou preocupação com:

  • manipulação de crianças por algoritmos;
  • impactos da IA na comunicação;
  • perda das relações humanas;
  • uso irresponsável das redes sociais;
  • dependência tecnológica entre os jovens.

Fonte: Portal A12 /PorBeatriz Nery/ Com EWTN News/Instituto Humanitas

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