Etapas para implementar sinodalidade

Basílica de São Pedro, no Vaticano. | Shutterstock
Basílica de São Pedro, no Vaticano. | Shutterstock

A Secretaria Geral do Sínodo publicou um documento que visa orientar o “caminho de implementação do Sínodo da Sinodalidade” até a celebração da assembleia eclesial em outubro de 2028 no Vaticano, na presença do papa.

Um novo documento dá sequência à carta dirigida a todos os bispos e eparcas e aos patriarcas e arcebispos-mor das Igrejas católicas orientais, enviada pela Santa Sé em março do ano passado para definir o processo de acompanhamento na fase de implementação do sínodo, concluída em 2024 depois de três anos de trabalhos.

O texto publicado hoje (20) estabelece um processo em quatro etapas e um método comum para as Igrejas locais, conferências episcopais e organismos continentais.

O documento, intitulado Rumo às Assembleias 2027-2028: etapas, critérios e instrumentos com vistas às Assembleias de 2027-2028, fala sobre o calendário, a metodologia e os critérios para implementar as decisões do Sínodo da Sinodalidade.

O itinerário sinodal se desenvolverá em quatro momentos progressivos: Recordar, no primeiro semestre do ano que vem; Interpretar, no segundo semestre do ano que vem; Orientar, no primeiro trimestre de 2028; e Celebrar, em outubro de 2028.

Cada etapa culminará numa assembleia e na preparação de documentos que vão alimentar o discernimento eclesial até a assembleia final.

Segundo o texto, uma questão comum que deverá orientar o trabalho em todos os níveis dá unidade ao processo:

“À luz do percurso empreendido desde o encerramento do Sínodo 2021-2024, e com vista a oferecer os seus frutos como dom às outras Igrejas e ao Santo Padre: que face concreta de uma Igreja sinodal missionária e que novos caminhos de sinodalidade estão a surgir na vossa comunidade?”

O documento original em italiano com 18 páginas diz que não se trata de repetir a consulta sinodal ou de impor novos encargos às comunidades, mas sim de “aprender com a experiência vivida, reconhecer os frutos e as dificuldades, reajustar prioridades e processos à luz de uma análise cuidadosa e fortalecer a corresponsabilidade”.

A Secretaria do Sínodo diz às igrejas locais que “reativem e apoiem as equipes sinodais diocesanas, nacionais e continentais”, comunicando a composição final delas à Santa Sé.

Para a seleção dos grupos, a secretaria estabelece critérios como a inserção de homens e mulheres de diferentes gerações e a atenção à presença de “pessoas em situação de vulnerabilidade ou marginalização”.

O sínodo diz também que é importante “valorizar as vozes que não provêm diretamente das estruturas eclesiais e, quando apropriado, incluir a participação de representantes de outras Igrejas e comunidades cristãs”.

As assembleias diocesana e nacional produzirão dois textos complementares: um documento de releitura — o relato narrativo para as dioceses e eparquias, o relatório teológico-pastoral para as conferências episcopais — e uma carta às demais Igrejas locais, redigida na própria Assembleia.

As assembleias continentais vão elaborar um relatório de perspectivas que será base para o Instrumentumlaboris, o documento que servirá de guia para bispos e delegados leigos nas reuniões no Vaticano em 2028.

Todos os materiais devem ser submetidos à Secretaria Geral do Sínodo antes de 30 de junho do ano que vem para a etapa local, 31 de dezembro que vem para a etapa nacional e 30 de abril de 2028 para a etapa continental.

O secretário-geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, disse que a proposta “não é uma tarefa adicional, mas um tempo de discernimento e ação de graças compartilhados” e que as assembleias “não são uma consulta sociológica ou um processo deliberativo”, mas “uma profunda experiência eclesial e espiritual de discernimento”.

O documento fala também sobre uma composição ampla e inclusiva das assembleias, falando sobre a diversidade de vocações, gerações, culturas e situações de vida, e para a continuidade do processo para além de 2028.

O documento propõe a conversação no Espírito como uma metodologia para o discernimento comunitário que deve ser posta em prática.

Essas diretrizes fazem parte da fase de implementação do Sínodo, iniciada depois da entrega do documento final pelo papa Francisco em 2024, confirmada e promovida pelo papa Leão XIV, com o objetivo de que a sinodalidade se torne cada vez mais um estilo comum de vida eclesial a serviço da missão.

Fonte: ACI Digital

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