
Presente em momentos de adoração e bênção do Santíssimo Sacramento, o ostensório é um dos objetos litúrgicos mais conhecidos da Igreja Católica. Utilizado para expor a Eucaristia aos fiéis, carrega um significado profundamente ligado à fé na presença real de Jesus Cristo neste Sacramento.
A palavra ostensório vem do latim ostendere, que significa ‘expor’, ‘mostrar’, ‘apresentar’.” Tradicionalmente confeccionado em metal e frequentemente banhado a ouro ou prata, possui uma estrutura que destaca a hóstia consagrada em seu centro, protegida por um vidro transparente. Ao redor, os adornos costumam lembrar raios solares, que representa a luz de Cristo.
Pe. Pablo Moreira, C.Ss.R., relaciona esse simbolismo demonstrado nos ostensórios à espiritualidade mariana cultivada desde os primeiros séculos do cristianismo.
“Cristo é o sol da nossa vida, e Maria, desde os primeiros séculos, já era venerada como ‘estrela da manhã’.”
O que representa o ostensório?
Na tradição católica, o ostensório está diretamente ligado à adoração eucarística. É nele que a hóstia consagrada é exposta para oração dos fiéis.
O Catecismo da Igreja Católica ensina, no parágrafo 1374, que Cristo está presente na Eucaristia de maneira “verdadeira, real e substancial”.
Já a instrução RedemptionisSacramentum afirma que a exposição do Santíssimo conduz os fiéis à contemplação de Jesus presente no Sacramento do altar.
Essa compreensão também aparece nas Escrituras. No Evangelho de João, Jesus declara: “Eu sou o pão vivo descido do céu”(Jo 6,51).
Durante a Última Ceia, Cristo ainda afirma: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós” (Lc 22,19).
Para o missionário redentorista, o ostensório recorda justamente essa centralidade da Eucaristia na vida da Igreja. “Nada existe de mais valioso no mundo do que a Eucaristia.”
E reforça que, para os católicos, “na hóstia consagrada, colocada no ostensório, está Jesus: seu corpo, sangue, alma e divindade.”
Tocar no ostensório é necessário?
Em muitas celebrações, fiéis procuram tocar no ostensório como gesto de devoção. A Igreja, porém, destaca que a experiência da fé não depende desse contato físico.
“Por mais que seja costume em muitos lugares, tocar no ostensório não é uma necessidade“, explica o Pe. Pablo.
Para explicar essa dimensão da fé, o sacerdote recorda a passagem da mulher que sofria de hemorragia, narrada no Evangelho de São Lucas.
Após ser curada, ela ouviu de Jesus: “Filha, tua fé te salvou; vai em paz”(Lc 8,48).
A passagem evidencia que a confiança em Cristo foi o elemento central da cura. “Não é preciso tocar para receber a bênção de Jesus.”
Objeto litúrgico exige cuidado e reverência
Além de seu valor simbólico, o ostensório também recebe atenção especial da Igreja por estar diretamente ligado à exposição da Eucaristia.
“O ostensório é um objeto que deve ser muito bem guardado e cuidado, porque é nele que Jesus é exposto para adoração dos fiéis”, explica o Padre.
Em celebrações como Corpus Christi, o ostensório ganha ainda mais destaque nas procissões e momentos públicos de oração.
“Vamos manifestar publicamente nossa fé pelas ruas de nossa cidade, acompanhando Jesus, solenemente exposto no ostensório”, ressalta Pe. Pablo.
Ao concluir sua reflexão, o Padre recorda uma das aclamações mais tradicionais da espiritualidade eucarística:
“Graças e louvores se deem a todo momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!”
Fonte: Portal A12 / Por Beatriz Nery



