
O papa viajou de carro de Barcelona até Montserrat, com uma altitude máxima de 1.236 m, que se eleva abruptamente a oeste do rio Llobregat e onde fica a abadia beneditina de Nossa Senhora de Montserrat.
Antes, Leão XIV fez uma breve parada na prisão de Brians.
Ali, ele ouviu duas detentas, Montserrat e Josefina. “Aqui na prisão não estou sozinha, Jesus me dá forças, me dá vida”, disse Josefina. “Eu o sinto dentro de mim, senão não sei como teria suportado isso”.
O papa comentou: “Os erros da vida não determinam a identidade de uma pessoa”.
“Deus ama-te tal como és, mas sonha-te ainda melhor!O Senhor permite-nos a todos recomeçar sempre, pois ser humano e ser cristão não consiste em não cometer erros, mas sim em crescer na capacidade de se converter, arrepender, emendar e, acima de tudo, de se reconciliar e perdoar”.
O encontro durou cerca de 20 minutos.
A subida a Montserrat
Depois de visitar a prisão, Leão XIV foi à abadia de Montserrat, que fica entre formações rochosas gigantes que lembram animais ou objetos.
Em 1025, o abade Oliva, que era superior do mosteiro de Ripoll, fundou um mosteiro menor na montanha de Montserrat, no local onde já existia uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora.
Segundo a tradição, a primeira imagem de Nossa Senhora foi encontrada no ano de 880 d.C. por crianças que cuidavam de um rebanho dentro de uma gruta, depois de terem visto uma luz na montanha.
Quando o bispo soube da descoberta, tentou transferir a pequena estátua para Manresa, mas a imagem ficou muito pesada. O bispo interpretou isso como um sinal do desejo de Nossa Senhora de permanecer naquele lugar e ordenou a construção de um santuário no local.
Ao pé de Montserrat, depois de rezar o rosário, o papa disse: “imploremos que Ela nos ajude, tal como exorta são Paulo, a revestir-nos exclusivamente com as armas de Deus: Mantende-vos, portanto, firmes, tendo cingido os vossos rins com a verdade, vestido a couraça da justiça e calçado os pés com a prontidão para anunciar o Evangelho da paz; acima de tudo, tomai o escudo da fé […] Recebei ainda o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus (Ef 6, 14-17)”.
“Contemplemos também como a Virgem, na sua mão direita, segura o globo terrestre, sinal do seu cuidado materno, pois o mundo inteiro cabe no seu coração”, disse Leão XIV. “Ela convida a reconhecermo-nos como irmãos e irmãs, de modo que ninguém seja excluído e a comunhão seja mais forte do que qualquer divisão”, disse o papa.
A imagem de Nossa Senhora atualmente venerada é uma escultura românica em madeira do século XII. Ela mede cerca de 95 cm de altura e representa Nossa Senhora com o Menino Jesus.
Com exceção do rosto e das mãos, a imagem é coberta de ouro, e a Virgem tem tez escura, o que lhe valeu o apelido popular de La Moreneta (a Moreninha). O papa Francisco ofereceu a Rosa de Ouro a essa imagem em 2023.
Leão XIV falou da conversão de santo Inácio de Loyola diante dessa imagem: “Depois de uma noite de oração perante a Virgem, entregou as suas armas de cavaleiro, momento que marcou o início de uma nova vida ao serviço de Jesus Cristo”.
“Estou contente por poder vir aos pés da Moreneta para confiar-lhe, cheio de confiança na sua intercessão maternal, o meu ministério petrino e a missão da Igreja num mundo que clama por justiça e paz”, disse Leão XIV.
“Com essa mesma atitude filial, convido-vos a acolher hoje o convite de Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5)”, disse o papa. “Essas palavras, proferidas em Caná da Galileia, contêm um verdadeiro programa de vida cristã, pois Maria conduz-nos a Cristo e ensina-nos a ouvir a sua voz, a obedecer à sua palavra e a permitir que Ele nos transforme”.
Leão XIV falou também sobre a mensagem que Deus trouxe ao mundo quando se fez homem: “Jesus mostra-nos o caminho da misericórdia e da reconciliação, da verdade e da mansidão. Desmascara, ao mesmo tempo, a violência que pode esconder-se nas nossas palavras e atitudes: a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressividade que divide”.
Essa violência oculta, disse ele, “pode disfarçar-se muitas vezes de aparentes armaduras com as quais tentamos proteger as nossas feridas, os nossos medos ou o sofrimento causado pelas injustiças”.
Leão XIV concluiu seu discurso pedindo que “Maria, Mãe da Igreja, nos conduza sempre para Jesus”.
“Convido-vos a honrá-la com estas palavras que bem conheceis:Dos catalães, sereis sempre a Princesa, dos espanhóis e do mundo todo, o amor; dizei-nos: “Sois o meu tesouro, eu sou vossa Mãe, não temais”, disse o papa.
Fonte: ACI Digital / Por Victoria Cardiel


