Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, Leão XIV se dirige aos sacerdotes de todo o mundo pedindo-lhes que renovem todos os dias o próprio “eis-me aqui” perante o Coração trespassado de Cristo. De modo especial, o Pontífice tratou do tema da santidade
“Queridos irmãos sacerdotes…”: mesmo na Espanha, em viagem, o Papa Leão não deixou de demonstrar seu carinho e, sobretudo, sua gratidão aos padres do mundo inteiro por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, “do qual brota uma fonte inesgotável de paz e unidade para todo o gênero humano”. A eles, o Pontífice dirigiu as palavras que Deus disse ao povo de Israel: «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo» (Lv 19, 2; cf. 1 Pt 1, 16).
“Este chamamento divino percorre os séculos, ressoando também hoje com força para todos os fiéis e, de forma particularmente exigente, para nós, sacerdotes. A santidade não é uma opção entre tantas outras, nem um ideal abstrato: ela interpela a própria identidade de toda pessoa que deseja participar na vida do Ressuscitado.”
A santidade é participação no mistério de Cristo
Quando Deus chama a ser santo, prossegue o Papa, Ele indica o caminho: deixar-se moldar segundo o seu Coração. Um chamamento que Leão XIV define “particularmente radical” e, ao mesmo tempo, paradoxal: “Somos chamados a participar na própria santidade de Deus, mas trazemos este tesouro em vasos de barro, somos limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados por fraquezas e cansaços e, não raro, por feridas. Como pode um coração humano, tão vulnerável, responder a um chamamento tão elevado? O sacerdote vive esta tensão, mas sabe onde encontrar a paz: no peito aberto do Senhor Jesus”.
Um caminho de união
A união com o Coração de Cristo, escreve ainda o Pontífice, não é uma experiência reservada a poucos eleitos, mas um caminho sacramental, eucarístico, que se concretiza no dia a dia através da celebração diária da Eucaristia, da oração, da meditação da Palavra de Deus e do serviço humilde aos irmãos. Não existem compartimentos separados na nossa humanidade, afirma o Papa. Tudo se torna um lugar privilegiado para a revelação de Deus e do seu amor infinito, inclusive o cansaço e os fracassos.
“O mundo tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas, mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo. Uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus é sinal credível de unidade, paz e misericórdia. Assim, num tempo marcado por divisões e medos, podemos ser construtores de paz, testemunhas da ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos, e o nosso zelo não é agitação, mas o transbordar dum amor que «é êxtase, é saída, é dom, é encontro» (Francisco, Carta enc. Dilexit nos, 28).”
O Coração de Cristo é o coração dos santos
Deste modo, a resposta à vocação para ser santos não está tanto no esforço de ascetismo e perfeição, embora necessário, mas na adesão confiante ao amor revelado no Coração trespassado de Jesus. “O Sagrado Coração de Jesus é o ícone por excelência do amor de Deus: um amor todo-poderoso precisamente porque capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança.”
Esse Coração abençoado é, portanto, o “lugar” onde a santidade se mostra como proximidade e ternura. A santidade do sacerdote pode, assim, manifestar-se na proximidade humilde e corajosa, no ser de todos e para todos, mantendo aberta a porta do redil para que muitos possam entrar e encontrar pastagem e descanso.
Por isso, acrescenta o Papa, pede-se uma relação com Deus que não afaste os sacerdotes dos homens, mas os torne próximos de todos. “Uma santidade não se vive a sós”, escreve. A exortação é para que os sacerdotes zelem pela fraternidade presbiteral, ajudando-se uns aos outros. “O sacerdote que se isola, apaga-se lentamente; o sacerdote que caminha com os irmãos cresce.”
Eis então o convite final do Santo Padre:
“Caríssimos sacerdotes, renovai todos os dias o vosso “eis-me aqui” perante o Coração trespassado de Cristo. Entregai-vos totalmente a Ele, para que possais amar o seu povo com o mesmo amor com que Ele o ama. E lembrai-vos com alegria, como gostava de repetir o Santo Cura d’Ars, que «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus». Este amor é penhor e garantia de que nada de nós se perderá, se tudo for entregue e oferecido. Confio todos e cada um à Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes. Ela, que guardou no seu coração o mistério do Filho, nos ensine a conservar e a deixar pulsar em nós o Coração de Cristo, Salvador do mundo.”
Fonte: Vatican News /Bianca Fraccalvieri


