Capa da Amoris Laetitia, exortação apostólica pós-sinodal do papa Francisco sobre a família, em inglês, italiano e espanhol. Foi publicada e apresentada ao público em 8 de abril de 2016. | Daniel Ibáñez/EWTN News.
Uma reunião de bispos no Vaticano em outubro terá como foco o divórcio e a separação, entre outras questões relacionadas à família, segundo documento preparatório divulgado hoje (6).
O encontro dos presidentes das conferências episcopais do mundo será um fórum para discutir a aplicação atual da Amoris laetitia, controversa exortação apostólica do papa Francisco sobre o matrimônio e a família publicada em 2016.
A Santa Sé anunciou hoje que o encontro de 7 a 14 de outubro terá como foco cinco temas, como o acompanhamento e apoio às famílias “nas dificuldades da vida”.
O encontro terá uma discussão sobre “acompanhar famílias em situações complexas”, como “abandono, separação e divórcio”, para que elas se sintam ouvidas e envolvidas na Igreja, segundo um comunicado de imprensa da Secretaria Geral do Sínodo e do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.
O evento também abordará temas como casais que coabitam, a abertura para acolher crianças, o declínio do casamento entre os jovens e a transmissão da fé às novas gerações.
O papa Leão XIV anunciou, ao fim de seu segundo consistório de cardeais, em 27 de junho, que várias famílias também participarão do encontro com os bispos católicos romanos e orientais.
A presença das famílias “é essencial”, disse ele. “Ao mesmo tempo, espero que todos os que vierem se preparem ouvindo atentamente e trazendo consigo a experiência das famílias em suas próprias Igrejas”. O papa disse que o objetivo do evento será “avaliar o progresso alcançado desde a Amorislaetitia”.
Na encíclica Amorislaetitia, o antecessor de Leão XIV, o papa Francisco, gerou controvérsia ao escrever que mesmo pessoas em “estado objetivo de pecado” poderiam ser elegíveis para receber o “auxílio dos sacramentos”. Depois, ele autorizou uma interpretação dessa linguagem que possibilitou que algumas pessoas em uniões irregulares recebessem a Comunhão depois de um processo de discernimento com um sacerdote.
Papas anteriores disseram que católicos divorciados e recasados civilmente não podiam receber a Comunhão a menos que vivessem como irmãos.
Segundo um comunicado de imprensa divulgado hoje, a reunião de outubro, embora não seja uma assembleia sinodal, será realizada em estilo sinodal “porque compartilha o espírito do processo de implementação do sínodo, marcado pela escuta, oração e discernimento”.
Embora os organizadores do encontro não tenham especificado, por “estilo sinodal” provavelmente se referiam a uma metodologia usada na Santa Sé no Sínodo da Sinodalidade e nos dois consistórios de cardeais do papa deste ano, de dividir os participantes em pequenos grupos para discussões altamente moderadas em mesas redondas.
Divulgado no mesmo dia, o “quadro temático” do encontro tem como objetivo preparar e orientar as discussões no Vaticano em outubro.
“O objetivo é discernir a direção para a qual o Espírito Santo nos conduz hoje, de modo a reconhecer, apoiar e fomentar o que Ele já está realizando no seio das famílias e valorizar a sua contribuição para a missão da Igreja”, diz o documento de referência.
As rápidas mudanças da nossa era, diz o documento, exigem “uma escuta atenta da vida concreta das famílias e da experiência daqueles que as acompanham, reconhecendo em conjunto tanto a beleza do amor que se manifesta no cotidiano como as fragilidades que muitas vezes o afetam, como o emprego e a habitação precários, a doença, os desafios da criação dos filhos, a solidão emocional e o cuidado de familiares com deficiência, idosos ou pessoas que não são autossuficientes”.
“O fracasso, a fragilidade, a lacuna entre o ideal e a realidade, e a complexidade das situações da vida também se tornam lugares nos quais a obra da graça de Deus pode ser reconhecida e onde as pessoas podem ser acompanhadas com respeito, paciência e esperança”, diz o documento preparatório.
Os títulos completos dos cinco temas da reunião, conforme constam no texto, são:
- As famílias hoje: realidade, beleza e desafios — Discernindo os sinais dos tempos através da experiência das famílias e do compromisso pastoral da Igreja na atualidade.
- Os jovens e a descoberta da vocação para o matrimônio — Ouvir os jovens e acompanhá-los na descoberta do valor do matrimônio
- Vida de casado. Os primeiros anos de casamento: um período decisivo — Ouvir e acompanhar os casais nos primeiros anos de casamento e em todas as fases da vida.
- Nas dificuldades da vida: acompanhar e apoiar — Caminhando com famílias em situações complexas
- As famílias cristãs como sujeitos da missão da Igreja — Abraçando o amor conjugal e familiar como um impulso para a missão.
Fonte: ACI Digital / Por Hannah Brockhaus



