Entre os dias 3 e 5 de julho, a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acolheu a 50ª Assembleia Nacional da Pastoral Familiar. O encontro, que reuniu representantes dos 19 regionais do país, foi marcado por uma profunda reflexão sobre os 45 anos da Exortação Apostólica ‘Familiaris Consortio’, de São João Paulo II, e os 10 anos de ‘Amoris Laetitia’, do Papa Francisco. O Regional Norte 2 (Pará e Amapá) marcou presença com Dom João Muniz, bispo da Diocese de Xingu Altamira e referencial para a Pastoral Familiar, padre Idamor Mota Jr assessor da Pastoral Familiar no Regional Norte 2 e o casal de coordenadores da Pastoral Familia, Carvalho e Luciana Limão, representantes focadaos em traduzir as diretrizes nacionais para a complexa e diversa realidade amazônica.
A abertura do evento contou com a assessoria do padre Rafael Solano, que traçou um paralelo histórico e teológico entre os dois documentos pilares da pastoral familiar contemporânea. Segundo os participantes, Solano destacou que a ‘FamiliarisConsortio’ (1981) foi o “prelúdio de uma profecia”, mantendo-se atual ao ser conectada à visão de acompanhamento proposta por Francisco.
Para Luciana Limão, coordenadora da Pastoral Familiar do Regional Norte 2, a reflexão foi um divisor de águas. “Foi muito rico. Ele fez um paralelo desses dois documentos, a relação das duas exortações com a sua conjugalidade, família e responsabilidade social”, pontuou a coordenadora, destacando que a riqueza do passado se concretiza no presente através do amor e da responsabilidade.
O segundo dia foi conduzido por Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, que abordou a “Sinodalidade no Magistério”. Dom Catelan reforçou que o Sínodo não é apenas um evento, mas um caminho que reflete o próprio Cristo, “Caminho, Verdade e Vida”.
Luciana Limão ressalta que o aprendizado sobre o “exercer a parrésia” (deixar o Espírito Santo falar em nós) deve ser aplicado respeitando as particularidades locais. “Temos que trazer todo esse escutar e esse exercer a sinodalidade, respeitando as culturas e tradições das nossas comunidades, dioceses e do nosso regional. Cada família tem sua peculiaridade, sua rotina e dinâmica”, afirmou Luciana.
O padre idamor Mota Jr, assessor da Pastoral Familiar no Norte 2, sistematizou as contribuições de Dom Catelan em pontos concretos para a realidade do Pará e Amapá. Para ele, o grande desafio é a transição de uma pastoral “centrada no casal” para uma pastoral “voltada para toda a família”, incluindo jovens, idosos e filhos.
Padre Idamor destacou seis eixos fundamentais para a evangelização regional. ‘Evangelização Integral’ para fortalecer a família como um todo; ‘Compromisso Social’, para atuar em questões como violência, pobreza e desemprego, que afligem as famílias amazônicas; ‘Metodologia de Acompanhamento’ que se baseia nos verbos acolher, acompanhar, discernir e integrar; ‘Formação para a Conjugalidade, que vai além da cerimônia do sacramento, focando na maturidade do matrimônio; ‘Misericórdia e Diálogo’, que se transforma em um espaço de escuta para as famílias que estão dentro e fora da Igreja; e ‘Adaptação Cultural’, para renovar os métodos para alcançar centros urbanos, periferias, comunidades ribeirinhas e povos tradicionais.
“Para a nossa realidade, significa desenvolver ações que considerem a diversidade cultural da Amazônia e as longas distâncias, incluindo o uso das mídias digitais”, explicou o padre Idamor.
A assembleia foi encerrada com um sentimento de reabastecimento. A presença do bispo referencial do Norte 2, Dom João Muniz, e o diálogo entre os 19 regionais reforçaram a importância da Pastoral Familiar como a “célula mais importante da sociedade”.
Como sintetizou Luciana Limão “foi uma alegria grande… momentos riquíssimos de partilha e de reabastecer para a missão que nos é apresentada”. O desafio agora é transformar as reflexões de Brasília em ações que alcancem as famílias onde elas realmente vivem, nos confins e nas cidades da Pan-Amazônia.
Fonte: Regional Norte 2 / Por Vívian Marler












