
O Cetro de Formação Carmelitana Stella Maris abriu a pré-inscrição para a primeira pós-graduação em espiritualidade e doutrina de santa Teresinha no Brasil. O curso on-line é reconhecido pelo Ministério da Educação e começará em outubro. O objetivo é “favorecer” e “aprofundar” o conhecimento sobre santa Teresinha, disse à ACI Digital o diretor do centro formativo, Moisés Rocha Farias, carmelita secular.
Santa Teresinha e o Brasil
“A relação entre santa Teresinha e o Brasil é uma coisa realmente abençoada”, disse Moisés Farias, ressaltando a grande devoção que a santa carmelita goza no país. Esta devoção começou antes mesmo de ela se tornar santa.
A história da jovem carmelita de Lisieux, França, chegou ao país por meio do jesuíta francês padre Henri Rubillon, que era sete anos mais velho que Teresa. Ele ingressou no noviciado da Companhia de Jesus no mesmo ano em que ela entrou para o Carmelo e ambos fizeram suas profissões em 1890.
O jesuíta veio para o Brasil e foi professor no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ). Ele difundiu pelo país, em missões e retiros, a espiritualidade de Teresinha e a devoção a ela. Divulgou a leitura da autobiografia da carmelita, ‘História de uma Alma’, publicada em 1898, um ano após a morte dela. Nas cartas enviadas entre o padre Rubillon e as carmelitas de Lisieux, ele é chamado de “arauto no Brasil”, “incansável apóstolo da irmã Teresa no Brasil”.
O crescimento da devoção a Teresa de Lisieux no Brasil levou também a gestos concretos. Assim como outros países, o padre Rubillon arrecadou fundos para enviar para o Carmelo de Lisieux uma bandeira do Brasil, em 1919. A bandeira foi enviada em um estojo de madeira gravado com o brasão de Teresa.
No ano seguinte, as carmelitas de Lisieux pediram ao padre se os brasileiros poderiam doar a urna para receber os ossos de Teresinha. Assim foi feito e, pela generosidade dos brasileiros, foi possível enviar para Lisieux um baú de jacarandá, conhecido como “urna do Brasil”, para guardar as relíquias de Teresinha.
A “urna do Brasil” foi usada durante as primeiras peregrinações das relíquias de santa Teresinha pela França, de 1945 a 1947 e, de 1995 e 1996. Também esteve no Vaticano, em 1997, na proclamação de santa Teresinha como doutora da Igreja. Atualmente, a urna fica em Lisieux e uma cópia viaja o mundo com as relíquias da santa, padroeira das missões.
A devoção à santa cresceu, levando a construção de vários templos dedicados a ela. Em Taubaté (SP), está o “primeiro” santuário “erguido no mundo em homenagem à santa Teresinha”, segundo o site da diocese de Taubaté. No Rio de Janeiro (RJ), a Basílica Matriz Santa Teresinha do Menino Jesus ostenta o título de “primeiro templo dedicado à Santinha de Lisieux após a sua canonização”, conforme o site da Comissão do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
A pequena via que atrai os devotos
Para Moisés Farias, santa Teresinha tem uma “força de atração” e é “a espiritualidade da pequena via que atrai as pessoas”.
Segundo ele, “a espiritualidade da pequena via está voltada para a dimensão de encontrar Deus nas pequenas coisas”. “É um olhar que faz com que você perceba as coisas de maneira diferenciada”, é “você encontrar sentido nas pequenas coisas, no dia a dia, nos afazeres, na atividade do lar, nas atividades profissionais”, porque “esses momentos são cheios de Deus”.
Moisés disse que a espiritualidade da pequena via traz “a possibilidade da santidade mais próxima de nós”. Para ele, é santa Teresinha “quem inaugura essa mudança de mentalidade”, ao “trazer à tona que você não precisa fazer coisas extraordinárias, mas é transformar o ordinário na vida de santidade”, mostrando que “isso é possível, é palpável l para nós”.
Aprofundar o conhecimento em santa Teresinha
Apesar da importância da espiritualidade da pequena via, Moisés Farias disse que, “infelizmente, às vezes nós ficamos numa ideia equivocada, uma ideia um tanto infantil da pessoa de santa Teresinha”. É esta ideia que o curso de pós-graduação pretende mudar, ao “favorecer o melhor conhecimento sobre santa Teresinha”.
“Se nós lembrarmos que ela é uma fiel discípula de são João da Cruz, vamos entender que a espiritualidade dela é uma coisa muito profunda, muito séria”.
Segundo a justificativa do curso, “num mundo marcado pelo ativismo e pela busca de grandes feitos, o estudo” da “infância espiritual” de santa Teresinha “oferece uma resposta teológica profunda sobre a primazia da graça e o amor misericordioso, sendo essencial para formadores, religiosos e leigos”.
A pós-graduação tem como objetivo geral “capacitar o aluno a compreender a síntese teológica teresiana e sua aplicação na vida cristã e pastoral” e os objetivos específicos de: “analisar os manuscritos autobiográficos”, “contextualizar a vida carmelitana do século XIX” e “explorar a dimensão missionária e doutrina de Teresinha”.
A estrutura curricular conta com 12 disciplinas que vão desde o contexto histórico e familiar de santa Teresinha, passando pelo Carmelo de Lisieux, até se aprofundar na espiritualidade dela.
Para Moisés Farias, essa estrutura é importante porque só se “conhece um autor, seja ele quem for, primeiro através do seu contexto histórico-familiar”. “Às vezes, a gente quer fazer reflexões ou quer fazer avaliações com a nossa mentalidade atual, com a nossa capacidade de hoje”, disse. Mas “é necessário que se faça esse exercício de reflexão acadêmico dentro do contexto que santa Teresinha viveu”.
“E é muito interessante, porque isso ela também traz na espiritualidade dela”, disse. Moisés lembrou que Teresinha “vivenciou, por exemplo, a invenção do elevador, e ela traz isso para a espiritualidade dela”. Também “a máquina fotográfica, que era uma coisa raríssima dentro do convento, e ela traz isso também para a dimensão comunitária”.
O diretor do centro de formação carmelitana citou ainda “o papel da família dela, a função da educação dos pais, que erma pais santos, mas que, ao mesmo tempo, também tiveram suas problemáticas, suas dificuldades”. “Compreender esse contexto faz com que a gente compreenda melhor também a pessoa de santa Teresinha”, acrescentou.
A pós-graduação em santa Teresinha contará com 360 horas de carga horário e o certificado será emitido pela Faculdade de São Marcos. Terá duração de 15 meses, com aulas on-line, ao vivo, às terças-feiras, das 19h às 21h30. O início será no dia 6 de outubro. “Dia 1º [de outubro], todo mundo vai estar celebrando a santa das rosas, a padroeira das missões. Então, nós escolhemos a primeira terça-feira [de outubro] para darmos início a essa jornada de conhecimento de santa Teresinha”, disse Moisés.
Para a obtenção do certificado, será necessária a redação de um trabalho de conclusão de curso (TCC) na modalidade de artigo seguindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Moisés disse à ACI Digital que, além de ser uma das cláusulas da parceria com a Faculdade de São Marcos, a elaboração do TCC também “é uma forma do aluno contribuir para o conhecimento de santa Teresinha”.
Fonte: ACI Digital / Por Natalia Zimbrão



