
O diálogo entre religiões cristãs e não cristãs passa pela conversão do coração e sem diminuir a própria fé. É assim que a Igreja Católica entende como devemos viver o diálogo com os irmãos de outras religiões, com amor e respeito, sem relativizar a nossa fé. Nesse caminho, a iniciativa “Pontes de Diálogo” busca incentivar uma cultura de paz por meio dodiálogo ecumênico e inter-religioso.
A campanha “Pontes de Diálogo” visa sensibilizar e conscientizar sobre o tema por meio de conteúdos nas redes sociais e presença nos meios de comunicação. “Nosso objetivo é criar espaços de reflexão e incentivar uma convivência marcada pela escuta, pelo respeito e pela fraternidade”, esclarece o jornalista Tiago Fernandes, que atua como assistente de comunicação na Diocese de Nova Iguaçu (RJ), e membro da equipe da campanha.
Ao promover reflexão sobre o diálogo entre as diversas religiões, a campanha busca contribuir para promover uma cultura de paz, superar preconceitos e desinformação.
“Um dos principais desafios da campanha é superar preconceitos e a desinformação sobre o que significa o diálogo ecumênico e inter-religioso.Muitas pessoas ainda confundem diálogo com relativização da própria fé ou perda da identidade religiosa. Na verdade, a proposta é justamente o contrário: partir de uma identidade bem vivida para encontrar o outro com respeito, escuta e abertura”, esclarece o jornalista.
Para o Padre Claudi Gonçalves, referencial para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Arquidiocese de Manaus, é preciso ampliar a reflexão sobre o diálogo frente à diversidade cultural e religiosa da sociedade atual.
“Se existem pessoas, diversidade, há tendência a existir também conflitos, preconceitos, discriminações e vários tipos de violência por causa das diferenças. O diálogo ecumênico é importante porque é uma necessidade evangélica. É um desejo do próprio Jesus Cristo que nos pediu no capítulo 17 de São João: ‘Pai, que todos sejam um para que o mundo creia’. Então, nós precisamos nos engajar para gerar entre nós, cristãos, essa unidade querida pelo próprio Jesus Cristo. Desse modo, nós vamos superar os preconceitos, as discriminações, os conflitos por causa de igrejas. Aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos separa. Jesus Cristo é ponto de unidade”, assinala o padre em vídeo para a campanha.
Como viver a unidade na Igreja?
O Documento 114 da CNBB, que orienta a ação evangelizadora da Igreja no Brasil até 2032, afirma o posicionamento adotado pela campanha ao falar sobre o ecumenismo e o diálogo inter-religioso.
“O verdadeiro diálogo não relativiza a fé cristã; ao contrário, fortalece-a. Só dialoga quem está seguro de sua identidade e reconhece que o Espírito Santo atua para além das fronteiras visíveis da Igreja”, frisa o documento.
As diretrizes também ressaltam que o ecumenismo é um “caminho espiritual” que começa com a “conversão do coração, arrependimento pelos escândalos da divisão e com o compromisso com a unidade desejada por Cristo”.
De outro modo, viver o diálogo inter-religioso com membros do Islamismo, Judaísmo, de tradições orientais, indígenas, afro-brasileiras e diversas outras, não ameaça a fé cristã, mas a enriquece cultural e espiritualmente. Recordando o Documento sobre a Fraternidade Humana de 2019, as diretrizes reforçam que “é possível afirmar firmemente a própria fé e, ao mesmo tempo, trabalhar juntos pela paz, contra a violência e em favor da vida e do bem comum”.
A campanha é mais uma forma de contribuir para fortalecer e conscientizar especialmente comunidades católicas cristãs, lideranças religiosas, jovens e pessoas que desejam construir relações mais fraternas e respeitosas.
“Em um contexto marcado pela polarização e pela intolerância, construir pontes exige paciência, formação e testemunho, mas acreditamos que esse é um caminho indispensável para promover a paz e fortalecer a convivência fraterna entre os diferentes”, finaliza Tiago Fernandes.
Como se unir à campanha?
A campanha “Pontes de Diálogo” nasceu da formação sobre sinodalidadepara comunicadores católicos chamada “Conexão Emaús”, organizada pela Casa Galileia e conta com o apoio institucional do CONIC.
Fonte: Portal A12 / PorElisangela Cavalheiro
