Dom Paulo Andreolli, SX – Bispo Auxiliar de Belém
Caros leitores, neste 18º Domingo do Tempo Comum, iniciamos o mês de agosto, dedicado às vocações. A liturgia nos apresenta Jesus diante de uma multidão faminta. Ao perceberem a necessidade do povo, os discípulos sugerem uma solução prática: despedir a multidão para que cada um procure seu próprio alimento. Mas Jesus responde de forma surpreendente: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16). Essa palavra revela a essência da missão da Igreja e ilumina, de modo especial, a vocação presbiteral. Para refletir sobre esse tema, conto com a colaboração do missionário Xaveriano Padre René Casillas Barba, SX.
O sacerdote é chamado a participar da compaixão de Cristo. Assim como Jesus não ficou indiferente diante da fome do povo, também o presbítero é enviado para reconhecer e cuidar das necessidades humanas e espirituais das pessoas confiadas ao seu ministério. Sua missão vai além da organização das atividades da comunidade. Ele é chamado a tornar visível a misericórdia do Bom Pastor, acolhendo, ensinando, alimentando e conduzindo o povo de Deus.
Diante dos cinco pães e dois peixes, os discípulos enxergam apenas a escassez. Jesus, porém, mostra que Deus realiza grandes obras quando colocamos, com generosidade, o pouco que temos em suas mãos. O mesmo acontece com o sacerdote. Muitas vezes ele enfrenta desafios e limitações, mas, quando entrega sua vida ao Senhor, torna-se instrumento para que Deus continue alimentando seu povo com a Palavra, a Eucaristia e a esperança.
Essa passagem também nos recorda a dimensão missionária da Igreja. A missão Ad Gentesnasce da compaixão de Cristo por toda a humanidade. Ainda hoje, milhões de pessoas aguardam o anúncio do Evangelho. O chamado de Jesus – “Dai-lhes vós mesmos de comer” – continua ecoando na Igreja e interpela especialmente aqueles que são chamados ao sacerdócio. O missionário não espera que as pessoas venham até ele; vai ao encontro delas, atravessando fronteiras geográficas, culturais e humanas para levar Cristo a quem ainda não o conhece.
O Decreto Ad Gentesensina que a Igreja é missionária por sua própria natureza e que todos os seus ministros participam dessa missão universal. Por isso, o presbítero é chamado a cultivar um coração aberto, sem fronteiras, despertando nas comunidades o compromisso com a evangelização e a solidariedade para com as Igrejas jovens e os povos que ainda esperam o primeiro anúncio do Evangelho.
São Guido Maria Conforti reforçou essa visão ao afirmar que a missão Ad Gentes não é responsabilidade apenas de alguns missionários, mas faz parte da vocação de toda a Igreja. Convencido de que o anúncio do Evangelho fortalece a própria vida da Igreja, dedicou sua existência à formação de sacerdotes com fé sólida, profunda caridade pastoral e ardor missionário. Seu exemplo continua inspirando homens e mulheres a viverem a universalidade da missão.
A multiplicação dos pães encontra seu sentido mais profundo na Eucaristia, centro da vida do sacerdote. É ele quem, em nome de Cristo, oferece ao povo o Pão da Vida. Alimentado pela Palavra, fortalecido pela oração e unido ao Senhor, aprende que os frutos do ministério não dependem apenas de suas capacidades, mas da graça de Deus, que multiplica os dons colocados a seu serviço.
Nos dias de hoje, marcados por rápidas mudanças, pela secularização e por tantas desigualdades, torna-se ainda mais importante uma formação presbiteral que una sólida preparação teológica, maturidade humana, espírito missionário, abertura ao diálogo entre as culturas e profunda vida espiritual. Assim, os sacerdotes poderão responder, com alegria e generosidade, aos desafios da missão da Igreja.
Como recorda o Papa Leão XIV, “A identidade do sacerdote está enraizada na união com Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote”. Dessa união nasce a força para servir sem reservas, repartir o pão da Palavra e da Eucaristia e conduzir o povo ao encontro de Cristo, o verdadeiro alimento para a vida do mundo.
A missão confiada por Jesus continua atual. A humanidade ainda espera homens dispostos a repartir o pão da Palavra, da Eucaristia e da esperança. A vocação presbiteral realiza plenamente seu sentido quando assume, com alegria e disponibilidade, a missão universal da Igreja. O convite de Cristo – “Dai-lhes vós mesmos de comer” – continua inspirando sacerdotes que dedicam suas vidas ao serviço do Evangelho e ao anúncio de Cristo até os confins da terra.




