Monsenhor Ronaldo Menezes – Vice-Presidente da Fundação Nazaré de Comunicação

Os Doze constituem o grupo mais íntimo de Jesus, são os mais próximos dele, aos quais dedica mais tempo para formá-los, com objetivo bem específico. Lemos em Lucas 9,1-4, no relato da missão dos Doze: “Convocando os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, bem como para curar doenças, e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar. E disse-lhes: ‘Não leveis para a viagem nem bastão, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; tampouco tenham duas túnicas. Em qualquer lugar em que entrardes, permanecei ali até vos retirardes”.

Os Doze estão em paralelo com as Doze tribos de Israel. Leia a relação das tribos em Números 26,4-56. As doze tribos de Israel têm origem nos doze filhos de Jacó (Gn 29,31-30,24). Entre os muitos seguidores, Jesus escolheu Doze com esta finalidade, no dizer de São Marcos: “Depois subiu à montanha, e chamou a si os que ele queria, e eles foram até ele. E constituiu Doze, para que ficassem com ele, para enviá-los a pregar, e terem autoridade para expulsar os demônios. Ele constituiu, pois, os Doze, e impôs a Simão o nome de Pedro; a Tiago, o filho de Zebedeu, e a João, o irmão de Tiago, impôs o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão, depois André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, o filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o zelota, e Judas Iscariot, aquele que o entregou” (Mc 3,13-19). O Novo Testamento apresenta a lista dos Doze Apóstolos nos seguintes textos: Mt 10,1-4; Mc 3,13-19; Lc 6,12-16; At 1,13. João 6,67-71 e 20,24 cita os Doze sem, contudo, nomeá-los, como também São Paulo na 1ª carta aos Coríntios, 15,5.

A constituição deste grupo reduzido e com uma enorme força simbólica tem como finalidade a reconstrução do novo Israel, o novo povo de Deus, isto é, a Igreja, o povo novo do final dos tempos. A este pequeno grupo o Senhor concede poderes em vista do bem da nova comunidade dos eleitos, como lemos em Mateus 19,28: “Em verdade eu vos digo, a vós que me seguistes: quando as coisas forem renovadas, e o Filho do Homem se assentar no seu trono de glória, vos assentareis, vós também, em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel”. O Apóstolo São Paulo, na 1ª carta aos Coríntios, diz-nos que os santos julgarão o mundo (1Cor 6,2), quem sabe uma referência a estas funções que os Apóstolos do Senhor têm de julgar e governar com justiça. Os Doze também aparecem no livro do Apocalipse, na Jerusalém celeste. São João nos diz: A Cidade Santa, Jerusalém, “está cercada por muralha grossa e alta, com doze portas. Sobre as portas há doze Anjos e nomes inscritos, os nomes das doze tribos de Israel: três portas para o lado do oriente; três portas para o norte; três portas para o sul, e três portas para o ocidente. A muralha da cidade tem doze alicerces, sobre os quais estão os nomes do doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21,12-14). Os Doze são, portanto, uma instituição permanente. Quando Judas se perdeu, o seu lugar foi ocupado pela eleição de Matias (At 1,26), para que o grupo não ficasse incompleto.

A missão dos Doze é conferida pelo próprio Jesus, aos quais dá poder para pregar com a força de Deus, isto é, com poder para expulsar demônios e curar enfermos (Mc 3,14-15 e 6,7-13). No trabalho do Evangelho, além da pressa e agilidade nos modos, é preciso manifestar confiança em Deus, em sua assistência.

Destes homens, não sabemos muito sobre alguns deles, por onde andaram, como morreram. O fato, porém, mais notável é o legado que nos deixaram pela fidelidade a Jesus e ao chamado, para ficarem com ele, o Senhor, até o fim. Sem entrar em detalhes, que deixo para os espertos, não há dúvida de que os Doze são o alicerce da Nova Jerusalém, a Igreja fundada por Cristo Jesus (Mt 16). Foi sobre eles, os Doze, que o Senhor Ressuscitado soprou e transmitiu o Espírito (Jo 20,22) e os confirmou; pediu que não deixassem Jerusalém até receberem o Espírito (Lc 24,49; At 1,8). Não por acaso, o Sagrado Magistério da Igreja ensina que Pedro e os demais Apóstolos formam, por disposição do próprio Jesus, um só colégio apostólico, do qual Pedro é a principal liderança, o chefe. A Igreja da qual fazemos parte, à qual pertencemos pelo batismo, foi fundada sobre eles.

Com estes homens, os Doze, aprendemos a viver como o Senhor, o Mestre, a buscar sempre a fraternidade e o respeito entre nós e com os outros, a confiar na providência de Deus, que nunca nos dá coisas ruins, mas sempre coisas boas, a rezar como o Senhor, sobretudo o Pai nosso, oração que Jesus nos ensinou. Aprendemos a confiar, escutando a palavra de Jesus: “Tende fé em Deus” (Mc 11,22), trazendo à memória a voz imperativa do Senhor: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda…” (Mt 1720). Com eles, sempre podemos aprender.

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