O Dia do Estudante foi celebrado de maneira especial nas dioceses e prelazias do Pará e do Amapá. A programação, organizada pela Pastoral da Educação do Regional Norte 2 da CNBB, reuniu estudantes do ensino médio à universidade em encontros, celebrações eucarísticas, palestras e momentos de convivência.
O tema escolhido para este ano foi “Desenhando novos mapas da esperança”. A proposta levou os estudantes a refletirem sobre os caminhos que desejam construir para suas próprias vidas e para a sociedade. Afinal, falar de esperança não significa ignorar as dificuldades, mas reconhecer que é possível encontrar novas direções mesmo quando o caminho parece incerto.
Nas escolas, universidades e comunidades, os jovens foram convidados a falar sobre seus sonhos, suas preocupações e os desafios que enfrentam. Também puderam refletir sobre o papel da educação na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e comprometida com a dignidade de cada pessoa.
A escolha do tema dialoga com a Carta Apostólica “Desenhando novos mapas de esperança”, do Papa Leão XIV, publicada por ocasião dos 60 anos da Declaração GravissimumEducationis, do Concílio Vaticano II. O documento recorda que educar é muito mais do que transmitir conhecimentos. A educação também forma pessoas, desperta responsabilidades e ajuda a construir caminhos de justiça e paz.
Na realidade amazônica, esse compromisso ganha um significado ainda maior. Os estudantes vivem em contextos muito diferentes. Há aqueles que enfrentam dificuldades econômicas, problemas familiares, sofrimento emocional, falta de acesso a oportunidades e longas distâncias para chegar à escola ou à universidade. Ao mesmo tempo, são jovens cheios de criatividade, capacidade de organização e desejo de participar. Muitos já atuam em suas comunidades, grupos, pastorais e movimentos. Outros ainda procuram um espaço onde possam ser ouvidos e reconhecidos.
É nesse cenário que a Pastoral da Educação procura estar presente. A intenção não é falar pelos estudantes, mas caminhar com eles, escutar suas inquietações e ajudá-los a perceber que suas histórias e seus sonhos têm importância.
Em Marabá, a caminhada da Pastoral da Educação vem sendo fortalecida com a participação de coordenadores paroquiais e a articulação da Pastoral Universitária. Em abril, um encontro reuniu representantes para refletir sobre o tema “Desenhar novos mapas da esperança” e pensar propostas para uma educação mais humana, transformadora e próxima da realidade das comunidades. A atividade contou com a presença de Dom Vital Corbellini, bispo referencial para a Educação no Regional Norte 2, e da professora Lady Anne Souza, coordenadora regional da Pastoral da Educação. Na ocasião, também foi apresentada a comissão diocesana para a Pastoral Universitária da Diocese de Marabá. A participação do bispo nas atividades junto aos estudantes reafirma a importância de uma Igreja próxima da juventude, disposta a ouvir suas perguntas e a reconhecer sua contribuição na construção do presente.
Para Dom Vital Corbellini celebrar o Dia do Estudante é reconhecer que cada jovem carrega uma história, um sonho e uma contribuição importante para a sociedade. “Os estudantes não são apenas o futuro. Eles já participam do presente e nos ajudam a enxergar a realidade com outros olhos. O tema ‘Desenhando novos mapas da esperança’ nos lembra que a esperança cristã não é uma espera parada. Ela nos coloca a caminho e nos ajuda a procurar novas possibilidades para a vida. Como Igreja, somos chamados a estar próximos dos estudantes, especialmente daqueles que enfrentam dificuldades econômicas, familiares, emocionais ou sociais. Jesus veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Por isso, a educação precisa estar a serviço da vida, da dignidade, da justiça, da fraternidade e do cuidado com a Casa Comum. Quando ajudamos um estudante a permanecer na escola, a não desistir dos seus sonhos e a acreditar em suas capacidades, estamos colaborando para construir o Reino de Deus. Desejo que os estudantes do Pará e do Amapá encontrem pessoas dispostas a caminhar com eles: suas famílias, seus educadores, suas comunidades e também a Igreja. Que sejam fortalecidos na fé e na esperança e possam participar da construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Que seus novos mapas sejam caminhos de paz, solidariedade e vida plena para todos”, disse o bispo referencial para educação no Pará e Amapá.
Na Diocese de Bragança, a celebração pelo Dia do Estudante foi presidida pelo seu bispo Dom Raimundo Possidônio e concelebrada pelo padre Hudson Rodrigo, vigário da Catedral e diretor da Fundação Educadora de Comunicação. Durante a homilia, Dom Raimundo relacionou o testemunho de Santa Clara de Assis e São Francisco de Assis com a passagem do profeta Ezequiel. A partir dessas referências, destacou que a fé precisa aparecer em atitudes concretas: no cuidado, no acolhimento, no amor e no compromisso com o próximo.
Ao falar de São Francisco e Santa Clara, o bispo lembrou pessoas que assumiram o Evangelho de forma radical e escolheram colocar-se a serviço, especialmente dos mais pobres. O testemunho de Santa Clara, segundo ele, ajuda a desenvolver um olhar mais atento para as pessoas, para os relacionamentos e para a responsabilidade com o bem comum. A imagem de “comer o livro”, presente na leitura do profeta Ezequiel, também esteve no centro da reflexão. Para Dom Raimundo, acolher a Palavra de Deus profundamente é condição para anunciá-la com verdade. O testemunho cristão não pode ficar apenas nas palavras: precisa nascer de uma experiência sincera com o Evangelho e tornar-se cuidado com a vida.
O bispo dirigiu ainda uma atenção especial aos estudantes que enfrentam situações difíceis. Muitos carregam preocupações que nem sempre aparecem nos cadernos ou nas salas de aula. Por isso, precisam encontrar pessoas capazes de acolhê-los, escutá-los e ajudá-los a não abandonar seus sonhos. A educação pode ser, para esses jovens, uma oportunidade de reconstruir caminhos e encontrar novas possibilidades. Mas, para isso, é necessário que a escola, a família, a Igreja e a sociedade estejam dispostas a caminhar ao lado deles.
As atividades realizadas no Pará e no Amapá mostram que a educação é uma responsabilidade partilhada. Ela envolve estudantes, professores, famílias, comunidades e instituições. Cada um, a seu modo, pode ajudar a criar ambientes onde os jovens se sintam respeitados, valorizados e capazes de participar. Desenhar novos mapas da esperança é permitir que os próprios estudantes também segurem o lápis. É ouvi-los antes de decidir por eles, reconhecer seus talentos e abrir espaço para que contribuam com suas ideias.
À luz do Evangelho, educar é cuidar de pessoas concretas, com suas histórias, feridas e possibilidades. É acreditar que nenhum jovem deve ser reduzido às dificuldades que enfrenta e que todo estudante precisa ter a oportunidade de aprender, sonhar e construir uma vida digna. Neste Dia do Estudante, a Pastoral da Educação do Regional Norte 2 renova seu compromisso de caminhar junto às novas gerações. Os mapas ainda estão sendo desenhados. E, nesse trabalho, a esperança ganha forma cada vez que alguém escuta, acolhe, ensina, acompanha e ajuda um jovem a seguir em frente.
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler




