A vocação dos leigos e leigas na missão da Igreja

Dom Paulo Andreolli, SX Bispo auxiliar de Belém

 Caríssimos leitores, neste 21º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre a identidade de Jesus e sobre a missão confiada à Igreja. Para esta reflexão conto com a colaboração de Ir. Maria Rejiane da Mata Dias, Filha da Caridade.

O Evangelho de Mateus (16,13-20) apresenta um momento importante da caminhada dos discípulos: Jesus pergunta quem as pessoas dizem que Ele é e, depois, dirige aos discípulos uma pergunta ainda mais profunda: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro responde com firmeza: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

A partir dessa profissão de fé, Jesus confia a Pedro uma missão especial na comunidade. Mais do que destacar apenas a figura de Pedro, o Evangelho nos ajuda a compreender que toda a Igreja é construída sobre a fé em Cristo. Essa missão não pertence somente aos padres, religiosos ou bispos. Todos os batizados são chamados a participar da vida e da missão da Igreja. É aqui que se destaca a vocação dos leigos e leigas.

Os leigos e leigas são homens e mulheres que vivem sua fé no meio do mundo: nas famílias, no trabalho, nas escolas, nas comunidades, nos ambientes sociais e políticos. Eles não estão fora da missão da Igreja; ao contrário, são presença viva de Cristo nos lugares onde muitas vezes a Igreja só consegue chegar através do testemunho deles. A vocação do leigo é transformar o mundo à luz do Evangelho.

Quando Jesus pergunta “Quem sou eu para vocês?”, Ele também faz essa pergunta a cada cristão hoje. Nossa resposta não deve ser apenas palavras bonitas, mas atitudes concretas. Reconhecer Jesus como Filho de Deus significa viver de acordo com seus ensinamentos, praticando o amor, a justiça, a solidariedade e o perdão. É nesse compromisso diário que os leigos e leigas realizam sua missão.

Em nossa realidade atual, marcada por tantas divisões, violências, desigualdades e falta de esperança, a presença dos cristãos leigos torna-se ainda mais necessária. O pai e a mãe que educam os filhos na fé, o jovem que testemunha valores cristãos, o profissional que trabalha com honestidade, o agente de pastoral que dedica seu tempo à comunidade, todos exercem uma verdadeira vocação missionária.

Podemos até pensar que somente quem está no altar possui uma missão importante na Igreja. Porém, o Concílio Vaticano II recorda que todos os batizados são chamados à santidade e ao serviço. Cada pessoa, com seus dons e talentos, pode contribuir para o crescimento do Reino de Deus. A Igreja precisa dos leigos comprometidos, participativos e conscientes de sua responsabilidade cristã.

A 1ª Leitura, do profeta Isaías (22,19-23), fala da entrega de uma responsabilidade importante a Eliacim. A imagem da chave colocada sobre seus ombros simboliza confiança e missão. Também hoje Deus confia responsabilidades aos cristãos leigos. Ele chama homens e mulheres para abrir portas de esperança, acolhimento e solidariedade em meio às dificuldades da sociedade.

Já a 2ª Leitura (Rm11,33-36), São Paulo lembra que tudo vem de Deus e tudo deve conduzir a Ele. Isso nos ajuda a compreender que nossa vocação não é fruto apenas da vontade humana, mas resposta ao chamado amoroso de Deus. Cada serviço realizado na Igreja ou na sociedade ganha valor quando nasce da fé e do amor.

A vocação dos leigos e leigas não se limita às atividades dentro da comunidade paroquial. Ela se manifesta principalmente no testemunho cotidiano. O cristão leigo é chamado a ser sal da terra e luz do mundo nos ambientes em que vive.

Além disso, os leigos têm papel fundamental na evangelização. Muitas pessoas se aproximam de Deus não por meio de grandes discursos, mas através do testemunho simples de alguém que vive a fé com alegria, humildade e coerência. Um gesto de caridade, uma palavra de esperança ou uma atitude de perdão podem tocar profundamente o coração das pessoas.

Que este 21º Domingo do Tempo Comum fortaleça em cada leigo e leiga a alegria da vocação cristã. Que cada batizado compreenda que sua presença no mundo é missão, testemunho e serviço. Assim, sustentados pela fé de Pedro e iluminados pela Palavra de Deus, possamos construir comunidades mais acolhedoras, missionárias e comprometidas com o Evangelho de Jesus Cristo.

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