Conselho de Pastoral do RN2

encerra encontro

O Conselho de Pastoral Regional Norte 2 encerrou, nesta quinta-feira, 27 de agosto, um percurso de escuta, partilha e discernimento realizado na sede do Regional Norte 2 da CNBB, em Belém. Durante os dias de encontro, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas e leigos do Pará e do Amapá refletiram sobre a recepção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e os caminhos pastorais para os próximos anos.

O último dia teve início com a celebração eucarística presidida por Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo da Diocese de Macapá (AP) e secretário do regional. A Eucaristia recordou aos participantes que todo planejamento pastoral precisa nascer da oração e conduzir novamente ao encontro com Cristo, centro da vida e da missão da Igreja. Após a celebração e os encaminhamentos iniciais, os grupos apresentaram os resultados das partilhas realizadas no dia anterior, a partir do método da ‘conversação no Espírito’. As reflexões foram organizadas em torno da conversão das relações, dos processos e dos vínculos, e buscaram identificar ações comuns para as 14 Igrejas particulares do Pará e do Amapá.

A equipe de relatoria reuniu as contribuições apresentadas e elaborou uma síntese para identificar os pontos comuns entre os grupos. O trabalho ainda recebeu novas sugestões e ajustes, com o cuidado de evitar repetições e tornar o texto mais claro e objetivo. Entre os temas considerados prioritários estão o fortalecimento dos conselhos, a defesa da vida, o cuidado com a saúde mental, a acolhida e a escuta. Também foi ressaltada a necessidade de que as propostas estejam ligadas às realidades concretas das comunidades e não sejam aplicadas de maneira uniforme, sem considerar as diferenças entre os territórios.

As partilhas mostraram que o Regional possui fragilidades, mas também dispõe de experiências e caminhos que podem ser compartilhados. A proposta é que as Igrejas locais possam aprender umas com as outras e construir respostas pastorais em comunhão. A palavra de Dom Ivanildo Oliveira, bispo de Cametá (PA), durante o momento de partilha, ajudou a destacar justamente aquilo que o Regional deseja fortalecer, conselhos mais participativos, comunidades capazes de acolher, atenção à saúde mental e uma escuta verdadeira das pessoas e dos territórios.

Ao longo do encontro, a sinodalidade foi apresentada como um dos principais eixos da caminhada pastoral. Mais do que organizar atividades, a Igreja é chamada a construir relações, acompanhar processos e fortalecer a participação de todos os batizados. Na avaliação dos participantes, uma das sínteses mais significativas do encontro foi a compreensão de que a Igreja não deve ser reconhecida apenas pelo número de eventos que realiza, mas pela qualidade dos encontros que promove e pela continuidade dos processos que acompanha.

A Igreja é chamada a ser lugar de encontro com Cristo, de acolhida das fragilidades humanas e de envio missionário. Para isso, precisa superar ações isoladas e construir uma pastoral integrada, participativa e aberta à escuta. Essa perspectiva também questiona a maneira como os planos pastorais são elaborados. Eles não devem permanecer como documentos teóricos ou burocráticos, mas servir como instrumentos vivos, capazes de orientar decisões, avaliar caminhos e responder às necessidades do povo.

Durante o encontro, foi recordado que algumas Igrejas locais do Regional Norte 2 já aprovaram seus planos de pastoral, enquanto outras se preparam para elaborar ou aprovar os próximos. As novas Diretrizes oferecem um horizonte comum para a caminhada até 2032, mas não anulam a necessidade de que cada diocese, prelazia e arquidiocese reconheça sua própria realidade.

Os planos diocesanos precisam considerar as características dos territórios, as distâncias amazônicas, as comunidades ribeirinhas, as periferias urbanas, os povos tradicionais, as juventudes, as famílias e as situações de vulnerabilidade presentes em cada região. A unidade do Regional não significa uniformidade. Significa caminhar juntos, partilhar experiências e construir compromissos comuns, respeitando os dons, os desafios e as particularidades de cada Igreja local.

A programação também contemplou informes sobre as atividades previstas para o final de 2026 e para o ano de 2027, incluindo assembleias, encontros, campanhas, formações e ações das pastorais. Entre os próximos passos está a preparação para a ‘Assembleia extraordinária de avaliação’, prevista para o primeiro semestre de 2027, conforme o caminho proposto pela Secretaria Geral do Sínodo.

Nesse contexto, o Conselho Regional foi convidado a refletir sobre o que pode ser assumido como compromisso comum pelas 14 Igrejas particulares do Pará e do Amapá. As perguntas foram organizadas a partir de três dimensões, ‘O que precisa ser convertido nas relações’; ‘Quais processos pastorais precisam ser renovados’, e ‘Que vínculos precisam ser fortalecidos para ampliar a comunhão e a participação’. Os grupos de trabalho foram organizados a partir dos eixos da conversão, comunhão, participação e missão. Todos os participantes, incluindo bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas e leigos, foram envolvidos no processo.

A metodologia da conversação no Espírito foi utilizada como caminho de escuta e discernimento. O método possibilitou que os participantes partilhassem suas percepções e propostas em um ambiente de oração, atenção e respeito. Mais do que buscar imediatamente uma decisão, a conversação no Espírito ajudou os grupos a reconhecerem o que estava sendo percebido em comum e quais apelos surgiam da realidade.

Essa forma de participação reforça a compreensão de que a sinodalidade não se reduz a uma consulta ou a uma reunião. Ela exige disposição interior, abertura ao diálogo e compromisso para transformar aquilo que foi discernido em ações concretas. As sínteses dos grupos foram encaminhadas à coordenação e à equipe de relatoria, que realizarão o estudo das propostas para apresentar pistas comuns ao Regional.

A conclusão litúrgica e a convivência entre os participantes expressaram uma dimensão essencial do caminho pastoral, a missão precisa ser sustentada pela comunhão. Não se trata apenas de planejar melhor, mas de fortalecer os vínculos entre as pessoas e as Igrejas que caminham juntas. O Conselho de Pastoral Regional Norte 2 termina deixando uma responsabilidade para todos os participantes: levar às suas dioceses e comunidades não apenas um conjunto de propostas, mas um novo modo de caminhar.

Uma Igreja mais atenta às pessoas, mais aberta à participação dos leigos, mais cuidadosa com seus agentes, mais próxima dos pobres e mais comprometida com a realidade amazônica. A recepção das novas Diretrizes será, portanto, um processo contínuo. Ela acontecerá nas assembleias, nos conselhos, nas formações, nas celebrações e no cotidiano das comunidades.

Ao longo dos dias, a imagem da Igreja como Tenda do Encontro ajudou a iluminar as reflexões. Uma tenda aberta é capaz de acolher, proteger e oferecer espaço para que todos encontrem lugar. No Regional Norte 2, essa tenda precisa ser armada com os fios da escuta, da participação, da transparência, do cuidado e da corresponsabilidade. Precisa alcançar as margens, atravessar distâncias e reconhecer os sinais de Deus presentes nos territórios.

O encontro também recordou que a Igreja não pode se fechar em estruturas ou atividades que já não respondem às necessidades do povo. É necessário renovar processos, fortalecer os conselhos, abrir espaço para mulheres e jovens e promover uma pastoral verdadeiramente missionária.

Ao encerrar o Conselho, permanece o desejo de que as pistas construídas em conjunto ajudem a iluminar a caminhada das 14 Igrejas particulares do Pará e do Amapá. Mais do que uma Igreja de eventos, o Regional Norte 2 é chamado a ser uma Igreja de encontros, processos e presença. Uma Igreja que escuta antes de decidir, que caminha antes de exigir e que anuncia o Evangelho a partir da vida concreta do povo. Uma Igreja que, sustentada pela Palavra e pela Eucaristia, segue em missão para que todos encontrem lugar, sentido e esperança na Tenda do Encontro.

Fonte: Regional Norte 2 / Por VívianMarler

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