A missão do catequista: ensinar com a vida

Dom Paulo Andreolli, SX – Bispo Auxiliar de Belém

Caríssimos leitores, ao concluirmos este mês vocacional, somos convidados a rezar de modo especial pela missão dos catequistas. Continuamos também a pedir ao Senhor da messe que envie novos operários para trabalhar pelo Reino de Deus. Neste domingo, contribui com nossa reflexão Eduardo Augusto Rosa de Matos, seminarista da Arquidiocese de Belém.

“Se alguém quer me seguir...” (Mt 16,24)
“Se alguém quer me seguir…” (Mt 16,24)

 

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum nos convida a estreitar os laços que nos unem a Deus, por meio do amor ao seu nome, semeado em nosso coração. É um caminho exigente, que pede entrega e disposição para seguir a vontade do Senhor. As leituras deste domingo mostram que essa experiência pode ser comparada ao fogo que aquece, transforma e purifica, ou ainda a um sacrifício oferecido a Deus.

O Evangelho dá continuidade ao diálogo entre Jesus e Simão Pedro. De um lado, está a lógica da entrega; de outro, a tentação de querer tudo para si. Essa passagem também nos ajuda a compreender a missão de quem catequiza e de quem é catequizado. Jesus não impõe seu ensinamento. Ele apresenta o caminho e convida seus discípulos a fazer uma escolha: “Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito…” (Mt 16,21). Depois, afirma: “Se alguém quer me seguir…” (Mt 16,24).

Jesus ensina aquilo que vive. Não existe contradição entre suas palavras e suas atitudes. Ele acolhe, plenamente, o projeto do Pai e, por isso, pode apresentá-lo aos seus discípulos. Seu ensinamento nasce do testemunho de sua própria vida.

Pedro, porém, tem dificuldade para aceitar esse caminho. Ele esperava um Messias forte, vitorioso e dominador. Por isso, não consegue compreender que o Messias enviado pelo Pai deveria passar pelo sofrimento, pela morte e pela cruz. Pedro então repreende Jesus: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca aconteça!” (Mt 16,22).

A resposta de Jesus é firme: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas, sim, as coisas dos homens” (Mt 16,23). Apesar da dureza dessas palavras, Jesus não abandona seu discípulo. Pelo contrário, corrige-o porque o ama e deseja ajudá-lo a compreender o verdadeiro caminho do discipulado.

É como um pai ou uma mãe que se aproxima do filho para corrigi-lo com amor, olhando em seus olhos e falando com sinceridade. A correção, quando nasce do amor e busca o bem do outro, também é uma forma de cuidado.

Em seguida, Jesus amplia seu ensinamento e o dirige a todos os seus seguidores: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Seguir Cristo significa abrir mão de colocar a própria vontade no centro e buscar a vontade do Pai, como rezamos no Pai Nosso: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

Esse caminho também exige reconhecer nossos limites e assumir com responsabilidade a missão que Deus nos confia. Não é uma proposta fácil, mas é um caminho de transformação e entrega.

O profeta Jeremias experimentou essa realidade. Mesmo enfrentando perseguições por causa da Palavra de Deus, reconhece a força do chamado que recebeu: “Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir” (Jr 20,7). A Palavra tornou-se nele como um fogo ardente, impossível de ignorar.

Na Segunda Leitura, São Paulo também fala sobre essa entrega: “Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o culto espiritual” (Rm 12,1). Para seguir a Palavra do Senhor, são necessárias renúncias e entregas concretas. Somos chamados a abandonar a lógica de guardar tudo para nós e a assumir a lógica de uma vida doada por amor.

Jesus também nos provoca por meio de perguntas: “Que adianta ao ser humano ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que alguém poderá dar em troca de sua vida?” (Mt 16,26).

Neste domingo em que celebramos o Dia do Catequista, reconhecemos e valorizamos tantas pessoas que dedicam seu tempo, sua energia e sua vida ao anúncio do Evangelho. O catequista é chamado não apenas a transmitir conhecimentos sobre a fé, mas também a testemunhar, com a própria vida, aquilo que ensina.

Que todos os catequistas continuem sua missão com alegria.
Que todos os catequistas continuem sua missão com alegria.

 

Que todos os catequistas continuem sua missão com alegria, perseverança e fidelidade, ajudando crianças, jovens e adultos a estreitar seus laços com Deus e a permitir que Cristo seja formado em seus corações.

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