Mês da Bíblia: a Palavra que nos ensina a viver como irmãos

Dom Paulo Andreolli, SX – Bispo Auxiliar de Belém

Caros leitores, neste início do mês de setembro, somos convidados a refletir sobre a Palavra de Deus, que arma sua tenda entre nós e se torna casa espiritual e guia para a nossa vida. A Palavra nos mostra que o amor é o caminho para uma convivência fraterna e o cumprimento perfeito da Lei. Colabora nesta oportunidade o seminarista Providentino de Belém, AntonioWemerson Barbosa da Silva.

Neste domingo, o Evangelho de Mateus (18,15-20) apresenta um ensinamento importante para a vida em comunidade: a correção fraterna. Jesus mostra que relações saudáveis, baseadas no diálogo, no respeito e na união, são fundamentais para aqueles que desejam seguir seus ensinamentos. Quando os discípulos permanecem unidos na busca pelo bem, Deus se faz presente no meio deles.

O Evangelho também chama a atenção para o perigo das divisões, que muitas vezes começam com uma ofensa, um desentendimento ou uma dificuldade de relacionamento. Por isso, Jesus orienta que, diante de um conflito, o primeiro passo seja uma conversa particular: “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão” (v. 15). Se o problema não for resolvido, outras pessoas podem ajudar no diálogo. Somente depois, se necessário, a questão deve ser levada à comunidade.

Essa orientação de Jesus apresenta três atitudes importantes: o respeito pela liberdade, a busca pela reconciliação e o amor.

A primeira é o respeito pela liberdade. Jesus reconhece que as pessoas podem errar, mas a correção fraterna não deve ser uma imposição. Ela é um convite para que a pessoa reconheça seu erro e retome o caminho da comunhão. Quando isso acontece, “ganha-se um irmão”. O objetivo, portanto, não é condenar, mas ajudar.

A segunda atitude é a busca pela reconciliação. Jesus apresenta diferentes possibilidades para resolver um conflito, mostrando que sempre existe espaço para o diálogo e para um novo começo. Mesmo quando alguém não está disposto a ouvir, outras tentativas podem ser feitas. A mensagem é clara: não devemos desistir, facilmente, de quem errou ou de quem se afastou.

A terceira atitude é o amor. Ele é a chave para compreender o Evangelho deste domingo. É o amor que deve orientar nossas relações e nossas decisões. Na Segunda Leitura, Paulo lembra que quem ama está próximo de Deus e cumpre a Lei. Assim, respeitar e cuidar do outro não deve ser visto como um peso, mas como uma expressão concreta do amor.

Se os mandamentos têm como centro o amor, é também nele que deve estar o ponto de partida para a convivência nas comunidades e nos relacionamentos. Quem ama procura não fazer o mal, não ofender, compreender, dialogar e perdoar aqueles que o magoaram.

Diante dessas três lições, podemos olhar para nossas próprias relações: Como tratamos as pessoas no trabalho, na escola, nas pastorais, nos movimentos e em nossas comunidades? Também é importante lembrar daqueles que mais precisam de cuidado, como idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade. Tratar todos com respeito e amor é uma forma concreta de viver o Evangelho.

Podemos ainda fazer uma pergunta pessoal: Como reajo quando sou ofendido? Procuro resolver os conflitos por meio do diálogo ou aumento a divisão? O Evangelho nos convida a escolher o caminho da paz, do perdão e da reconciliação.

No Brasil, setembro é celebrado como o Mês da Bíblia, um período especial para fortalecer o contato com a Palavra de Deus. É uma oportunidade para ler, estudar, meditar e colocar em prática os ensinamentos presentes nas Sagradas Escrituras.

Que este mês seja um convite para fazermos da Bíblia uma presença constante em nossas casas e comunidades. Ao reservar um tempo para a leitura e a oração com a Palavra, podemos encontrar luz para enfrentar os desafios do cotidiano e inspiração para agir com mais paciência, misericórdia e solidariedade.

Assim, celebrar o Mês da Bíblia é mais do que dedicar um período do ano às Sagradas Escrituras. É renovar o compromisso de deixar a Palavra transformar nossas atitudes. Quando permitimos que ela ilumine nosso coração, aprendemos a construir pontes em vez de muros, a escolher o diálogo em vez da divisão e a fazer do amor o verdadeiro caminho para viver como irmãos.

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