3º Encontro de Lideranças Juvenis do Regional Norte 2

Paragominas acolheu e refletiu sobre a identidade da Pastoral Juvenil

JUVENTUDES DO PARÁ E AMAPÁ ASSUMEM COMPROMISSO COM UMA IGREJA MAIS PRÓXIMA E MISSIONÁRIA
JUVENTUDES DO PARÁ E AMAPÁ ASSUMEM COMPROMISSO COM UMA IGREJA MAIS PRÓXIMA E MISSIONÁRIA

Cerca de 50 participantes, entre sacerdotes, assessores, um diácono, leigos e jovens líderes, participaram do ‘3º Encontro de Lideranças Juvenis’, realizado neste final de semana (4 a 6/9), em Paragominas, na Diocese de Bragança do Pará. O encontro reuniu representantes ligados à caminhada da juventude no Pará e no Amapá, em uma experiência de formação, espiritualidade, partilha e compromisso missionário.

A abertura foi marcada pela celebração eucarística presidida por Dom Raimundo Possidônio, bispo de Bragança do Pará. No segundo dia, a Santa Missa foi presidida pelo padre Lucas Nazareno Romano, assessor da Pastoral Juvenil de Bragança, e neste domingo, o encerramento aconteceu com a Missa de Envio presidida por ‘Dom Antônio de Assis Ribeiro’, bispo de Macapá e referencial para a Pastoral Juvenil do Regional Norte 2.

Mais do que uma programação, o encontro foi uma oportunidade para reconhecer a diversidade das juventudes e refletir sobre os novos desafios sociais, culturais, educacionais, tecnológicos e espirituais que marcam a vida dos jovens. “A reflexão apontou que a Pastoral Juvenil não pode se limitar à realização de eventos ou atividades isoladas. Encontros, celebrações, retiros e formações são importantes, mas precisam fazer parte de processos permanentes de crescimento na fé, na convivência, na missão, na vocação e no compromisso social”, explicou Dom Antônio.

A Igreja é chamada a caminhar com os jovens, conhecendo suas realidades, escutando suas perguntas, acompanhando suas escolhas e oferecendo espaços para que participem efetivamente da vida comunitária. “Cristo vive e, por isso, a juventude não pode ser tratada apenas como destinatária de atividades. Os jovens precisam ser escutados, acompanhados, formados e reconhecidos como sujeitos da evangelização, especialmente na missão de anunciar o Evangelho a outros jovens”, destacou Dom Antônio.

Essa perspectiva está em sintonia com a Exortação Apostólica ‘Christus Vivit’ (Cristo Vive), na qual o Papa Francisco afirma que os jovens são o agora de Deus e têm um papel fundamental na renovação da Igreja.

O segundo dia, intitulado “Mergulho e Trabalho”, foi dedicado ao tema “A Juventude nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, conduzido por Dom Antônio e pelo padre Demison Batista, assessor da juventude. A partir das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 e da ‘Christus Vivit’, os participantes refletiram sobre a responsabilidade da Igreja de investir tempo, energia e recursos na juventude.

As Diretrizes reconhecem a complexidade do mundo juvenil e destacam a necessidade de uma ação pastoral capaz de considerar as diferentes realidades dos jovens. O documento também reforça a importância da educação, da formação bíblica, da interioridade, da defesa da vida, da cultura vocacional, do cuidado com a Casa Comum, da presença no ambiente digital e da promoção da dignidade humana. O estudo mostrou ainda que a Pastoral Juvenil não é responsabilidade de um grupo específico. Ministérios, pastorais, organismos, serviços, movimentos e comunidades são chamados a acolher os jovens e contribuir para sua evangelização.

“A Pastoral Juvenil precisa ter um projeto próprio, integrado ao plano pastoral da Igreja local e aberto à participação de todos. A responsabilidade não pode ficar restrita a um grupo específico. Segundo as Diretrizes Gerais, ministérios, pastorais, organismos, serviços, movimentos e grupos são corresponsáveis pela acolhida dos jovens e pela promoção da Pastoral Juvenil”, explicou Dom Antônio.
Durante o momento chamado “Iluminar”, os participantes se reuniram em grupos de estudo para refletir sobre os novos aspectos da realidade juvenil, as pistas para a construção dos planos de Pastoral Juvenil e os compromissos fundamentais das lideranças. A proposta foi olhar para a realidade antes de definir ações. Os grupos discutiram a necessidade de conhecer melhor os jovens das cidades, paróquias, comunidades e dioceses, reconhecendo suas diferenças, sonhos, feridas, linguagens e formas de participação. Também foram abordadas questões relacionadas à organização dos conselhos juvenis paroquiais, setoriais e diocesanos, à formação continuada das lideranças, ao acompanhamento personalizado, à pastoral vocacional, à educação, ao voluntariado, à missão porta a porta e à presença evangelizadora no mundo digital.

No segundo momento, chamado “Agir”, a reflexão se voltou para os caminhos concretos que cada Igreja local pode assumir. A pergunta sobre o significado de “não dar o corpo de Jesus por morto” ajudou os participantes a compreender que a fé cristã nasce do encontro com Cristo vivo e precisa se transformar em presença, serviço e missão.

As discussões foram apresentadas em plenária por meio de sínteses visuais e registros em tópicos, que reuniram as principais preocupações, propostas e compromissos dos grupos. O material revelou uma juventude desejosa de participar, mas também consciente de que precisa ser acolhida, acompanhada e formada por uma Igreja disposta a investir em sua caminhada. Entre as prioridades apresentadas estiveram o fortalecimento dos conselhos juvenis, a articulação entre eventos e processos permanentes, a promoção de experiências missionárias e de caridade, a valorização da dimensão lúdica, o cuidado com os jovens afastados da Igreja e a construção de uma pastoral aberta a todas as categorias de juventude.

A programação também foi marcada por um momento de Adoração Eucarística, com o tema “O encontro com o Cristo Vivo”. A experiência foi inspirada na escuta do jovem Samuel, que aprendeu a reconhecer a voz de Deus no silêncio e na disponibilidade, “Fala, Senhor, que teu servo escuta”. A adoração foi apresentada como um momento especialmente importante para os jovens, que vivem em uma sociedade marcada pelo excesso de informações, telas, estímulos e dispersões. Diante da Eucaristia, eles foram convidados a silenciar, rezar e apresentar a Deus suas perguntas, esperanças e inquietações.

A experiência também recordou que o ensinamento da ‘Christus Vivit’, permanece próximo e continua chamando os jovens para uma vida plena. A adoração, portanto, não representa uma fuga da realidade, mas uma maneira de retornar a ela com um olhar renovado e um coração disposto ao serviço.
Os símbolos apresentados na missa de envio, como a vela, a cruz de madeira e a carta com os compromissos assumidos, ajudaram a expressar a passagem da oração para a missão. A vela recorda a luz que deve alcançar outros jovens; a cruz aponta para o serviço e a entrega; e a carta representa a responsabilidade de transformar a reflexão em decisões concretas.

O painel “Compromissos Concretos” levou as lideranças a responderem a duas perguntas, qual compromisso assumir com os jovens afastados da Igreja e que ação prática realizar a partir do que foi aprendido no encontro. A proposta foi transformar ideias em caminhos possíveis, considerando as características e os desafios de cada diocese. Entre as ações discutidas estiveram as visitas às famílias, as experiências missionárias, o voluntariado, as ações de caridade, a pastoral da educação, a presença no ambiente digital, a formação de lideranças e a criação de espaços de convivência e acolhida.

A Missa de Envio, celebrada por Dom Antônio, concluiu o encontro com a entrega de um símbolo representativo dos compromissos assumidos. O gesto recordou que a experiência de Paragominas não termina com o encerramento da programação, mas continua nas dioceses, paróquias, comunidades e grupos de jovens. Ao reunir lideranças do Pará e do Amapá, o encontro reafirmou que acompanhar a juventude exige presença, escuta, investimento e coragem para renovar estruturas. Os participantes foram enviados para ajudar a construir uma Igreja mais sinodal, missionária e próxima da realidade amazônica, uma Igreja capaz de caminhar com todas as juventudes e anunciar, com a própria vida, que ‘Cristo vive’.

Texto: Vívian Marler
Fotos: Arquivo Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo da Diocese de Macapá

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