Homilia Dominical – Mt 21,28-32

Por Pe. Romeu Ferreira

Evangelho de Domingo | 27.09.26

A) Texto: Mt 21,28-32

Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: filho, vai trabalhar hoje na vinha! 29O filho respondeu: Não quero. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: Sim senhor, eu vou. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai? Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

B) Comentário:

A questão central desta intervenção de Jesus é: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” E logo em decorrência disto, vem o valor da conversão, da mudança de atitude. Ele mesmo já nos ensinara a pedir ao pai na oração, que se fizesse a sua vontade “assim na terra como no céu” (Mt 6,10). Que devo mudar em mim, para fazer a vontade do Pai? Ora, a salvação está conectada, ligada nos dois polos principais: “A criação e salvação”. Na criação “Deus fez; criou [Gn1,1/A.T.] (1) “o céu” e “a terra”; (2) Na salvação, temos (ORAÇÃO) [Mt 6,10/N. T.] (2) “assim na terra com no céu”.

Ora, o pai é o responsável primeiro pela educação dos filhos. No texto vemos um pai com dois filhos, como no caso do “filho pródigo” (Lc 15,11-32). Em qualquer situação da vida, eu serei sempre um, entre dois filhos; assim devemos pensar, para melhor atuar.

No caso apresentado, há dois filhos com respostas contrastantes ao convite do pai: Temos um não, transformado logo em sim; e um sim que na prática, tornou-se um não. Claro que o melhor seria respostas positivas, com atos positivos, coerentes a elas. Porém no compito final, o que conta mais são as atitudes, as práticas mais que as palavras. Como agiu? Qual dos dois fez a vontade do pai? Somente o filho que foi trabalhar na vinha, realizou o desejado por seu pai. A aplicação é transparente. O filho ou o discípulo como autentico candidato ao prêmio eterno, é aquele que vivifica a sua fé com operosa adesão a vontade de Deus; não quem só diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai, que está nos Céus. (Mt 7,21).

Esta é uma parábola escandalosa, pois pode despedaçar os nossos esquemas e realidades em saber decifrar os limites entre os bons e os maus, entre pecadores e santos. Pavorosa conclusão: certos justos, pensam que são herdeiros natos do Reino de Deus, poderão ser condenados a dar lugar aos pecadores, estremecendo de espanto a falsa segurança dos “bons” de todos os tempos; pois tal inversão de posição deriva do arrependimento e da fé em Jesus como resultado da necessária mudança de vida. No juízo final, corremos o risco de ver a chegada antecipada daqueles que antes tínhamos condenado; pois é mais fácil fazer exame de consciência nos outros que em si mesmo. Pensemos nisso!

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