Diretoria do Círio recebe a corda

Pelo quarto ano consecutivo produzida integralmente no Pará

A cerimônia oficial de entrega da corda do Círio 2026 será realizada no dia 23 de setembro, a partir das 9h, em Castanhal, com a presença da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN). Em seguida, a corda será conduzida até Belém, onde permanecerá guardada na Estação Luciano Brambilla até a vistoria, com data para 26 de setembro, às 15h, no Colégio Santa Catarina. A previsão de chegada à capital é por volta das 11h30.

Em abril de 2023, a DFN anunciou que a produção da corda, um dos maiores ícones da festividade, seria feita pela primeira vez totalmente no Pará, para uso nas duas principais procissões: o Círio e a Trasladação. Assim como nos anos anteriores, em 2026 a corda será novamente produzida localmente, em doação feita pela empresa Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) à DFN.

A corda utilizada nas procissões é confeccionada em malva e possui 800 metros de comprimento, dividida em duas partes de 400 metros para cada romaria, com 60 milímetros de diâmetro. Ela já vem adaptada às estações de metal que auxiliam no traslado das berlindas durante as procissões. “Todos os anos, reforçamos os pontos da corda que concentram a maior força durante as procissões — principalmente os nós e as argolas que a prendem às estações. Neste ano, priorizamos justamente esse reforço, com testes de resistência e tração realizados ao longo de toda a fabricação, para garantir que a corda esteja pronta para suportar o esforço de milhões de fiéis com segurança e tranquilidade”, declara Antonio Sousa, coordenador do Círio 2026.

Revisão da corda

No dia 26 de setembro, a partir das 15h, a DFN e a Guarda de Nazaré realizarão uma revisão completa da corda do Círio. A vistoria, que acontecerá no Colégio Santa Catarina de Sena, em Nazaré, tem como objetivo checar detalhes do ícone da festa, como argolas, nós e estações, além de medir novamente os 800 metros da corda para garantir que estejam em perfeitas condições.

Após a revisão, a corda da Trasladação ficará em exposição na Estação Luciano Brambilla e a do Círio na Estação das Docas, até o dia 11 de outubro.

Como é feita a corda do Círio

Até 2022, a corda utilizada no Círio e na Trasladação era feita de sisal, fibra vegetal resistente, produzida em Santa Catarina. A partir de 2023, passou a ser fabricada localmente pela CTC, utilizando fibras de malva cultivadas em mais de 20 municípios paraenses, em projetos de agricultura familiar que envolvem mais de mil famílias.

Esse material torna a corda mais macia ao toque, mantendo sua resistência. Mais de mil toneladas de fibras de malva passam por diversas etapas de fabricação, desde a colheita realizada pelas comunidades fornecedoras até a produção final.

De acordo com a CTC, este ano, o projeto de desenvolvimento da corda contemplou um cronograma de sete meses, sendo três dedicados ao planejamento e quatro à produção industrial. Ao longo desse período, mais de 480 colaboradores estiveram diretamente envolvidos nas diversas etapas.

Histórico

A corda passou a fazer parte do Círio em 1855, quando uma enchente da Baía do Guajará alagou a orla, do Ver-o-Peso às Mercês, durante a procissão, impossibilitando que a berlinda — usada pela primeira vez naquele mesmo ano, em substituição ao antigo palanquim — fosse puxada pelos animais, que se atolavam ainda mais na tentativa de retirá-la da lama. Um comerciante local emprestou então uma corda para que os fiéis conseguissem movimentar o carro.

Nos anos seguintes, a corda passou a ser levada enrolada no chão da carruagem, mas só era usada quando chovia e o caminho ficava enlameado. Somente 30 anos depois, em 1885, ela foi oficializada no Círio pelo arcebispo Dom Macedo Costa, substituindo definitivamente os animais que puxavam a berlinda.

A tradição já passou por momentos de ruptura: em 1926, o arcebispo Dom Irineu Joffily chegou a suprimir a corda da procissão por cinco anos, na tentativa de dar ao Círio um comportamento mais contido. A corda só retornou em 1931, após forte mobilização popular e a intervenção do então interventor do Pará, Magalhães Barata, e segue, desde então, como um dos maiores símbolos de fé da festividade.

Até 2003, a corda tinha formato em “U”, com as duas extremidades atracadas na berlinda, e cerca de 400 metros de comprimento. Em 2004, o formato passou a ser linear, seccionado em cinco estações de duralumínio, substituindo o antigo modelo por motivos de segurança.

Desde então, a corda se tornou um elo simbólico entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis, sendo incorporada oficialmente às festividades do Círio.

O Círio 2026

O Círio de Nazaré é realizado pela Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré e Diretoria da Festa de Nazaré, com patrocínio do Governo do Estado e Prefeitura de Belém, e é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Texto e fotos: Rosana Pinto – ASCOM DFN

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