Juventudes e a CF 2026

Construindo a dignidade do “morar”

Pe. Demison Batista Foiquinos – Referencial para a Pastoral Juvenil (CNBB Norte II) – Assessor do Setor Juventude (Arquidiocese de Belém)

 

A Quaresma de 2026 nos convoca a uma reflexão profunda sobre uma das necessidades mais fundamentais da condição humana: o lugar onde lançamos raízes. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo1,14), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) coloca no centro do debate a casa como porta de entrada para todos os outros direitos. Para as juventudes, este tema não é apenas uma questão social, mas um chamado ao protagonismo na construção de um mundo onde todos tenhamum teto e dignidade.

O Mistério da Encarnação e o olhar jovem

O lema da CF 2026 no srecorda que Deus não ficou ‘distante’ em sua divindade, Ele se encarnou,assumiu um corpo e precisou de um lugar para habitar. Jesus nasceu em uma estrebaria (cf. Lc 2,7), viveu como refugiado no Egito (cf. Mt 2,13-14), em sua vida pública, afirmou não ter “onde reclinar a cabeça” (cf. Lc 9,58). Portanto, para as juventudes, que muitas vezes buscam seu lugar no mundo e planejam seu futuro, essa identificação com o Cristo que ‘arma sua tenda’ entre nós é poderosa. Ela nos ensina que a fé não é abstrata, ela se manifesta na geografia das nossas cidades, nas periferias e nos centros urbanos onde a falta de moradia fere a imagem de Deus no próximo.

A Moradia como direito, não mercadoria

O texto-base da Campanhada Fraternidade 2026 destaca que sem uma casa digna, a saúde é precária, a educação é dificultada e a segurança é inexistente. As juventudes são convidadas a denunciar a ‘cultura do descarte’ que transforma o direito à habitação em simples mercadoria. Assim sendo, engajar-se em movimentos de moradia popular e compreender as políticas públicas habitacionais é uma forma concreta que as juventudes têm de exercer a cidadania cristã.

Ecologia Integral: A Casa Comum e o lar individual

Inspirados pela Laudato Si’, as juventudes são também chamadas a perceberem que o problema da moradia está intrinsecamente ligado à Ecologia Integral. Não basta ter quatro paredes e um teto, é preciso que o ambiente seja saudável, com saneamento básico e em harmonia com a criação. As juventudes têm a sensibilidade necessária para cobrar urbanismo que respeite a natureza e promova a convivência comunitária.

Gestos Concretos para as expressões juvenis

A Campanha da Fraternidade não termina na reflexão, ela exige o ‘Agir’. Portanto,as expressões juvenis podem se organizar em torno de realização de visitas e processos de escuta, assim, conhecendo a realidade de famílias em situação de vulnerabilidade habitacional na área de sua própria Paróquia.

Por meio do protagonismo juvenil, promover e participar de formações políticas, estudando, por exemplo, o plano diretor de suas cidades e como ele garante (ou não) espaço para os pobres e desabrigados.

Participar e incentivar a Coleta da Solidariedade, mobilizando a comunidade para o Domingo de Ramos (29 de março), cujos recursos apoiam projetos sociais de moradia.

Essas e outras ações que podem surgir, de acordo com a criatividade, própria das juventudes, levam a compreensão de que evangelizar é também lutar para que cada irmão e irmã tenha a alegria de um lar. Ao acolhermos o Deus que veio ‘morar entre nós’, somos impelidos a não aceitar que ninguém viva à margem, sem teto e sem esperança. Que as juventudes sejam as pedras vivas dessa construção de fraternidade.

Fotos: Setor Juventude

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