Perdoar sem limites

Por Pe. Helio Fronczak

“Senhor, quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” A pergunta de Pedro é também a nossa. Sete vezes já parecia uma medida generosa, um limite razoável para a paciência humana. Mas Jesus desloca a conversa e corrige a rota: não se trata de matemática, e sim de amar. “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Não é um número, é um modo de vida: perdoar sempre, sem contabilidade, sem marcar ponto.

E aqui está o convite que Jesus nos faz hoje: começar a viver essa experiência. Não amanhã, não quando a ofensa for grande demais ou pequena demais. Começar agora, nas pequenas coisas de cada dia. Perdoar hoje a pessoa que nos irritou ontem, o colega que falhou, o familiar que decepcionou. O perdão é como músculo: cresce com o exercício, e cada vez fica mais natural.

É preciso entender, porém, o que esse perdão significa na prática. Perdoar não é aceitar injustiça nem se fazer de vítima: é não responder ao mal com o mal, buscando a justiça pelos caminhos devidos e deixando a vingança de lado. Perdoar também não é esquecer. É escolher não deixar que o rancor mande em nós; a memória da ofensa pode até ficar, mas perde o veneno e deixa de nos corroer por dentro. E perdoar liberta, antes de tudo, quem perdoa: quem guarda mágoa carrega um peso contínuo, revivendo a ferida todos os dias; ao perdoar, abre-se a janela do coração para não guardar o ódio que corrói.

Jesus não nos pede o impossível. Pede apenas que comecemos a viver com coração generoso o perdão: uma vez, outra vez, mais outra, até setenta vezes sete. Cada perdão dado, por menor que pareça, é um pedaço do céu que começa a acontecer aqui na terra, transformando casas, comunidades e corações. Porque o perdão é a mais alta expressão do verdadeiro amor ao próximo, e essa experiência começa hoje, em nós.

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