62ª Assembleia Geral da CNBB

Teve início na manhã desta quarta-feira (15/04), em Aparecida, a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne mais de 400 bispos de todo o país. Serão 10 dias de encontros, oração, escuta e discernimento.

Reunidos no Centro de Eventos padre Vítor Coelho de Almeida, os bispos da Igreja Católica no Brasil reafirmam sua missão profética de serem pastores a serviço dos fiéis. Na tarde de ontem teve início o Retiro espiritual que se encerra na tarde desta quinta-feira. O retiro está sendo pregado por dom Armando Bucciol, bispo emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), e depois às 18h a missa de abertura no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo cardeal dom Jaime Spengler. O pregador escolhido anteriormente para esta Assembleia foi o patriarca de Jerusalém dos Latinos, cardeal PierbattistaPizzaballa, que devido aos eventos de conflito na Terra Santa não pode estar presente em Aparecida. Pizzaballa enviou uma mensagem em vídeo aos bispos brasileiros na qual falou da situação atual do Oriente Médio e da Igreja local.

Participaram da sessão de abertura dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB; dom João Justino, arcebispo de Goiânia e 1º vice-presidente; dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife e 2º vice-presidente; dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB; dom GiambattistaDiquattro, núncio apostólico no Brasil; dom Orlando Brandes, administrador apostólico de Aparecida; dom Mário Antonio da Silva, arcebispo nomeado da Arquidiocese; o padre Eduardo Catalfo, C.Ss.R., reitor do Santuário Nacional; além do prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues.

Entretanto, sob o olhar de Nossa Senhora Aparecida, os trabalhos seguem nestes dias à luz do Evangelho e das discussões das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, tema central dessa Assembleia.

Recordação de Francisco

No seu discurso de abertura da Assembleia Geral, dom Jaime Spengler agradeceu a acolhida da Arquidiocese e do Santuário Nacional e pediu um minuto de silêncio em memória do Papa Francisco, falecido em 2025. De fato, devido ao falecimento do Papa Francisco houve o cancelamento da Assembleia no ano passado.

O presidente da CNBB recordou documentos do pontificado, como EvangeliiGaudium, Laudato Si’, Fratelli Tutti e Querida Amazônia, destacando que o último texto publicado por ele, Dilexit nos, sintetiza o caminho trilhado.

Dom Jaime também manifestou comunhão com o atual sucessor de Pedro, o Papa Leão XIV, em meio ao contexto geopolítico internacional. Citou palavras recentes do pontífice: “a Igreja não faz política, ela anuncia o Evangelho”.

O arcebispo de Porto Alegre ainda mencionou pesquisa recente que destaca a Igreja Católica como a instituição mais confiável do país. Segundo ele, o dado amplia a responsabilidade pastoral, sobretudo em ano eleitoral. “Precisamos promover o testemunho, ou melhor, testemunhar a verdade, a transparência e a coragem profética”, declarou.

Sobre a Assembleia, destacou seu significado eclesial: “A Assembleia Geral, órgão supremo da conferência, é a expressão e a realização maior do afeto colegial da comunhão e corresponsabilidade nossa para com a Igreja no Brasil”. E completou: “Desejo a todos uma assembleia rica e frutuosa”.

Mensagem do Papa Leão XIV

Em mensagem enviada aos bispos, o Papa Leão XIV manifestou o desejo de que os trabalhos ocorram em clima de unidade:

“É meu desejo que o trabalho intenso que realizareis nos dias da Assembleia Geral, dedicando-vos com empenho a formular e aprovar as diretrizes para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos anos, seja realizado em um ambiente de paz e de harmonia, onde se preserva a unidade da fé no Cristo Ressuscitado e a plena comunhão eclesial.”

Saudação do presidente da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enviou mensagem. Ele prestou solidariedade ao Papa Leão XIV e afirmou que “mais vale um coração repleto de amor ao próximo do que o poder das armas e do dinheiro”.

Na saudação à CNBB, ressaltou o respeito pela instituição e recordou sua atuação em momentos decisivos da história recente do país. Homenageou Dom Luciano Mendes, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Mauro Morelli, Dom Claudio Hummes, Dom Angélico Sândalo, Dom Pedro Casaldáliga e Dom Tomás Balduino, destacando a defesa dos excluídos.

O presidente ainda mencionou os 200 anos das Relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, sublinhando a contribuição histórica da Igreja na assistência aos mais necessitados e na construção de políticas públicas de inclusão social.

Proximidade da Santa Sé e espírito missionário

O núncio apostólico, Dom GiambattistaDiquattro, levou aos bispos a proximidade do Papa. “Com alegria fraterna me dirijo a essa assembleia trazendo a proximidade do Santo Padre, o Papa Leão XIV que acompanha com paternal afeto o caminho da Igreja no Brasil”, afirmou.

Acolhida em Aparecida

Dom Orlando Brandes deu as boas-vindas aos participantes: “Todos somos peregrinos aqui, sob a intercessão e a proteção da Mãe Aparecida, este Centro de Eventos é um cenáculo e essa Assembleia verdadeiramente é um Pentecostes”.

Dom Mário Antonio da Silva expressou alegria pela acolhida em sua nova Arquidiocese. Ao recordar “João, Capítulo 20”, afirmou: “Como um discípulo amado e acolhido, eu vejo e acredito”. E convidou: “Caminhemos juntos e todos façam uma experiência pascal nessa 62ª Assembleia dos Bispos do Brasil”.

O reitor do Santuário Nacional, padre Eduardo Catalfo, C.Ss.R. reforçou o espírito de hospitalidade: “Sintam-se na Casa da Mãe, sintam-se romeiros e peregrinos de Nossa Senhora”.

A primeira coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (AG CNBB) foi realizada na manhã desta terça-feira, 15 de abril, no Centro de Eventos Padre Víctor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida, São Paulo. Participaram da atividade o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; o presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano, dom Lizardo Herrera; e o bispo emérito da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, e diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma, dom Armando Bucciol.

Ao abrir a coletiva, dom Jaime Spengler agradeceu aos profissionais presentes e destacou o papel essencial da comunicação na missão da Igreja, ressaltando que “Deus é comunicação” e que, diante da disseminação de desinformação, o compromisso com a verdade torna-se ainda mais urgente. Dom Jaime também sublinhou o significado do reencontro presencial dos bispos, após a suspensão da AG anterior em razão do falecimento do Papa Francisco. Segundo o prelado, o momento é marcado por entusiasmo e pela necessidade de tratar um acúmulo de temas importantes.

Entre os principais pontos da pauta está a discussão e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), que, tradicionalmente atualizadas a cada quatro anos, podem ter seu período ampliado.

Ao serem aprovadas, as DGAE passarão pelo processo de recepção e implementação nas comunidades, o que exige tempo, além de estar diretamente ligado a dinâmica do Sínodo sobre a Sinodalidade, que pede mudanças graduais e profundas na vida eclesial.

Memória do Papa Francisco e desafios da Igreja

Ainda durante a fala, dom Jaime recordou o legado do Papa Francisco, destacando o caráter de alegria presente em seus documentos e ensinamentos. Ele ressaltou que a vivência cristã deve ser marcada pelo júbilo e pela esperança, em contraste com posturas negativas ou desanimadas.

O presidente da CNBB ainda comentou a atual situação internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio, manifestando preocupação com a escalada da violência e defendendo a necessidade de reconciliação e superação de ciclos de ódio.

No âmbito nacional, dom Jaime destacou a importância do momento sociopolítico brasileiro, reforçando que a política deve ser compreendida como serviço ao bem comum. O prelado alertou para as desigualdades sociais no país e apontou a necessidade de uma conversão social que promova justiça e equidade.

Outro ponto enfatizado foi a forte participação das comunidades na construção das novas Diretrizes. De acordo com dom Jaime, houve ampla escuta, envolvendo tanto lideranças quanto fiéis que, mesmo sem vínculo direto com estruturas eclesiais, contribuíram com reflexões e propostas. Essa dinâmica, segundo o arcebispo, está em sintonia com o caminho sinodal vivido pela Igreja, especialmente na América Latina, cuja tradição de escuta e participação já se expressava desde documentos como, por exemplo, o de Aparecida.

Unidade, desafios sociais e missão do CELAM

O presidente do CELAM, dom Lizardo Herrera, destacou a importância da unidade entre os episcopados da América Latina e do Caribe, especialmente diante de desafios comuns como migração, desigualdade social, corrupção, violência e polarização.

Na oportunidade, dom Lizardo ressaltou que o organismo continental acompanha de perto o processo sinodal e busca fortalecer a comunhão entre as conferências episcopais. Segundo o prelado, a missão da Igreja passa pela escuta, pelo discernimento e pela ação conjunta, sempre orientada pelo Evangelho.

Dom Lizardo também enfatizou a necessidade de formação das novas gerações, sobretudo no campo da Doutrina Social da Igreja, para promover uma cultura política voltada ao bem comum. Ele alertou para os riscos de interesses individuais na política e defendeu a formação de lideranças comprometidas com a justiça social e o cuidado com os mais pobres.

Espiritualidade, missão e coragem evangélica

Dom Armando Bucciol, por sua vez, apresentou a proposta espiritual que norteará o retiro dos bispos – que acontece na tarde de hoje (15) e durante todo o dia de amanhã (16). Com foco no seguimento de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, o bispo destacou temas como zelo pastoral, evangelização, parresia (coragem evangélica) e serviço, enfatizando que, na lógica cristã, autoridade significa serviço, inspirada no gesto de Jesus que lava os pés dos discípulos. Também ressaltou a importância de uma vivência autêntica da liturgia, profundamente enraizada no Evangelho.

Ao dirigir-se aos profissionais da imprensa, dom Armando destacou o papel fundamental da comunicação na formação da consciência crítica da sociedade, alertando para os riscos da manipulação da informação e incentivando os jornalistas a ajudarem o público a compreender melhor a realidade social.

A Assembleia Geral segue até o dia 24 de abril, reunindo todo o episcopado brasileiro em um espaço de discernimento, comunhão e definição de rumos para a ação evangelizadora no Brasil.

Tecnologia a serviço da fé: Bispos farão uso de keypads

Uma novidade que marca esta 62ª Assembleia é o uso de keypads (dispositivos eletrônicos de votação) pela primeira vez. A tecnologia chega para dar agilidade, segurança e sustentabilidade ao processo deliberativo. Com um simples toque, os bispos poderão votar “sim”, “não” ou “abstenção”, reduzindo drasticamente o uso de papel e o tempo de apuração. É a Igreja utilizando as ferramentas do nosso tempo para otimizar a missão.

Fonte: Vatican News / Por Silvonei José – Aparecida / Com informações da CNBB

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