CNBB lança novas Diretrizes

E convida Igreja a alargar a Tenda do Encontro

Documento aprovado pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral passa a orientar a evangelização no país entre 2026 e 2032 e é fruto de mais de três anos de escuta, discernimento e participação eclesial
Documento aprovado pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral passa a orientar a evangelização no país entre 2026 e 2032 e é fruto de mais de três anos de escuta, discernimento e participação eclesial

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente nesta quarta-feira, 17 de junho, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032. A apresentação foi realizada na sede da entidade, em Brasília, durante reunião do Conselho Permanente, reunindo membros da presidência da CNBB, bispos, assessores e representantes das Edições CNBB.

O lançamento marcou a entrega oficial do documento que norteará a ação evangelizadora da Igreja no país pelos próximos seis anos. Pela primeira vez, as diretrizes terão validade de seis anos, e não de quatro, como ocorria anteriormente. A mudança busca favorecer uma recepção mais profunda do texto nas dioceses, paróquias, comunidades, movimentos e organismos eclesiais.

Durante a cerimônia, o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, destacou que o documento representa a síntese de um longo caminho percorrido pela Igreja no Brasil. “Estamos reunidos apresentando e entregando as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil na sua forma impressa, expressão de um trabalho intenso que envolveu durante praticamente três anos as forças vivas da Igreja no Brasil”, afirmou.

Segundo o arcebispo de Porto Alegre, as diretrizes expressam não apenas o esforço pastoral da Igreja no Brasil, mas também a comunhão construída entre os bispos e as diversas realidades eclesiais ao longo do processo de elaboração. “Assumidas, aplicadas e avaliadas regularmente, elas serão certamente iluminadoras e inspiradoras. Eu diria que representam uma conquista da colegialidade do episcopado brasileiro e também uma conquista do amor fraterno e da comunhão que nos une”, ressaltou.

A elaboração das novas diretrizes teve início ainda em 2022 e coincidiu com uma das experiências mais significativas da vida eclesial recente: o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade convocado pelo Papa Francisco.

O presidente da comissão responsável pela redação do texto, o arcebispo de Santa Maria e presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom Leomar Brustolin, explicou que a construção do documento foi marcada pela participação de todo o povo de Deus.

“Escuta, diálogo, discernimento e conversação no Espírito envolveram bispos, organismos do povo de Deus, assessores da CNBB, igrejas particulares e muitas expressões da vida eclesial”, afirmou.

De acordo com dom Leomar, a comissão responsável optou por aguardar a conclusão do Sínodo para incorporar ao texto as reflexões presentes no documento final aprovado em Roma.

“Estas diretrizes levaram um tempo maior justamente por causa do Sínodo sobre a Sinodalidade. Queríamos conhecer o relatório final para poder implementá-lo também nas diretrizes”, explicou.

O resultado foi um processo considerado pelo próprio episcopado como uma das maiores experiências sinodais já realizadas pela Igreja no Brasil. Ao longo de quase quatro anos, foram produzidas mais de vinte versões do texto. Duas delas foram enviadas a todos os bispos do país para avaliação. Somente durante a Assembleia Geral da CNBB foram apresentadas mais de 1.500 emendas, além de outras centenas de contribuições incorporadas.

“Todos os bispos são coautores deste texto. Houve uma intensa participação do laicato, das mulheres, da vida consagrada, dos diáconos e dos presbíteros. É um documento que escutou muitas realidades”, destacou dom Leomar. Ao apresentar o conteúdo das diretrizes, dom Leomar sintetizou o documento em duas palavras: conversão e missão. “Eu diria que as palavras-chave destas diretrizes são conversão e missão. Ou melhor, conversão para a missão”, afirmou.

Segundo ele, o texto nasce da percepção de que a Igreja precisa responder aos desafios contemporâneos sem perder sua identidade evangelizadora. “Não dá mais para fazer apenas aquilo que sempre fizemos. É preciso manter o que está dando certo, mas também rever estruturas que já não ajudam mais a evangelizar”, observou.

As diretrizes apresentam cinco grandes caminhos para a missão da Igreja no Brasil: a centralidade da Palavra de Deus; a iniciação à vida cristã; a formação de comunidades de discípulos missionários; a liturgia e a piedade popular; e o serviço à vida plena, que inclui a opção preferencial pelos pobres, o cuidado com a Casa Comum e a defesa da dignidade humana.

Uma das novidades mais significativas do documento é a escolha da Tenda do Encontro como imagem inspiradora da caminhada evangelizadora da Igreja no Brasil. Ao apresentar a fundamentação bíblica das diretrizes, o segundo vice-presidente da CNBB e arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson, explicou que a imagem foi inspirada Isaías, 54, que convida o povo a “alargar o espaço da tenda”. Segundo ele, a simbologia traduz uma Igreja acolhedora, missionária e aberta ao diálogo. “A Igreja é tenda do encontro, aberta a todos. É também um hospital de campanha, chamada a cuidar especialmente dos pobres, dos estrangeiros, dos que carregam feridas interiores”, afirmou.

A imagem também dialoga diretamente com o percurso sinodal da Igreja universal, que adotou o mesmo símbolo durante os trabalhos do Sínodo sobre a Sinodalidade. Ao longo da apresentação, os participantes ressaltaram que as novas diretrizes procuram responder às transformações sociais, culturais e religiosas que marcam a realidade brasileira. O documento reafirma que evangelizar continua sendo a missão essencial da Igreja, tendo Jesus Cristo como centro da vida cristã. Ao mesmo tempo, propõe uma Igreja mais participativa, capaz de escutar, discernir e caminhar junto.

Para dom Jaime Spengler, a evangelização deve estar profundamente conectada aos desafios concretos da sociedade brasileira. “O compromisso com o Evangelho está relacionado com o compromisso com a vida, com a justiça e com uma sociedade mais integrada e integradora, marcada pelos valores do Evangelho”, destacou.

Com o lançamento oficial realizado nesta quarta-feira, inicia-se agora a etapa de recepção das diretrizes em todo o país. A CNBB informou que disponibilizará materiais de formação e um espaço específico em seu portal para auxiliar dioceses, paróquias e comunidades na implementação do documento. Entre os dias 20 e 24 de julho, coordenadores de pastoral de todo o Brasil participarão de um encontro nacional dedicado ao estudo e à aplicação das novas diretrizes.

Ao encerrar a cerimônia, dom Jaime reforçou que o documento deve ser assumido por toda a Igreja. “A Igreja do Brasil tem diretrizes. São indicações, orientações e pistas para que possamos cooperar na obra da evangelização. Todos são chamados a participar: clero, vida consagrada, leigos, movimentos e pastorais”, afirmou.

Mais do que um texto normativo, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora pretendem ser um convite para que a Igreja no Brasil aprofunde a experiência da sinodalidade, fortaleça sua presença missionária e continue anunciando o Evangelho em meio aos desafios do mundo contemporâneo.

Fonte: Vatican News /Camila Morais – Cidade do Vaticano

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