A Arquidiocese de Santarém promoveu, nos dias 10 e 11 de janeiro, no Centro de Formação Emaús, o encontro de formação para multiplicadores da Campanha da Fraternidade 2026. O momento reuniu 90 participantes da Arquidiocese de Santarém, da Diocese de Óbidos, da Diocese do Xingu e da Prelazia de Itaituba, ampliando-se para uma vivência em comunhão no âmbito da Província Eclesiástica de Santarém.
Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), o encontro teve como objetivo aprofundar a reflexão sobre a realidade da moradia digna à luz da fé cristã e preparar multiplicadores para o trabalho pastoral nas comunidades, paróquias e áreas pastorais.
A assessoria foi conduzida pela irmã Rejiane Dias, coordenadora das Campanhas do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que apresentou o conteúdo da Campanha a partir do método VER, ILUMINAR e AGIR. Segundo a assessora, o primeiro passo do método ajuda a compreender a realidade concreta que motiva a Campanha da Fraternidade deste ano. “Primeiro a gente precisa compreender, a partir do Ver, que é o primeiro capítulo do texto base, uma realidade muito gritante de desigualdade, que é a realidade da moradia da Campanha da Fraternidade 2026”, afirmou.
A assessora também destacou a Coleta Nacional da Solidariedade como gesto concreto de fé e compromisso nas comunidades. “É preciso que a gente colabore com os projetos sociais da Igreja a nível nacional e a nível local também”, salientou. Ela lembrou ainda que o gesto concreto passa pela caridade e pela proximidade com os que sofrem: “Enquanto a gente não compreender que essa realidade que atinge muitas vezes o meu bairro, a minha cidade, o meu estado, precisa ser transformada, a gente vai ver apenas números no Brasil.”
Para o diácono Luciano Freitas, coordenador da equipe da Campanha da Fraternidade da Arquidiocese de Santarém, os frutos do encontro começam com os próprios participantes. “Os primeiros frutos são os participantes deste encontro, que vão levar conhecimento para fazer essa partilha nas suas áreas pastorais, nas suas comunidades”, afirmou. Ele destacou ainda a importância de provocar a sociedade e o poder público para a reflexão sobre a moradia digna.
Ao relacionar a Palavra de Deus com a realidade social, o diácono ressaltou a presença de Cristo nos que sofrem. “O Cristo que está precisando de morada, e que cada um pode abraçar este Cristo”, declarou, lembrando dos irmãos e irmãs que vivem em situação de rua ou em casas sem condições mínimas de segurança. Para ele, o grande fruto esperado é que cada cristão se sinta sensibilizado e acolha esse Cristo presente nos mais vulneráveis.
Dirigindo-se ao povo de Deus da Província Eclesiástica de Santarém, o diácono deixou uma mensagem de fé e esperança: “Que Deus abençoe a todos, a iluminação do Espírito Santo possa estar dando discernimento, possa estar dando coragem, possa iluminar suas mentes, para que eles possam estar abertos à fraternidade dos irmãos que necessitam de nossa ajuda, de nosso amor.”
Entre os participantes, Ana Cristina Nunes de Souza, da Catedral de Nossa Senhora da Conceição (Arquidiocese de Santarém), destacou o chamado ao compromisso cristão. “Como cristãos, que nós possamos ter mais comprometimento com o nosso próximo, ter mais empatia diante de um tema desse que trata sobre a moradia digna”, afirmou, lembrando que a moradia é um direito fundamental estabelecido com a Constituição Federal de 1988 e que a Igreja deve assumir um compromisso social cada vez mais efetivo.
Da Diocese de Óbidos, Taíssa Guerreiro, da Paróquia Santa Isabel, em Terra Santa, ressaltou que a formação ampliou a compreensão sobre o tema da Campanha. “Não basta só a gente ter um local para morar, é preciso que a gente tenha toda uma estrutura”, ressaltou. Ela destacou que a formação permitiu perceber “para a gente pensar com mais expansão sobre esse tema, sobre a questão de saneamento básico, tudo aquilo que é necessário para que uma família, para que uma pessoa possa crescer em sociedade tendo os seus direitos garantidos”.
Representando a Diocese do Xingu, Maicleiton Ferreira de Araújo, da Paróquia Santa Luzia, em Anapu, destacou que o encontro despertou um chamado pessoal à vivência integral da fé. “Falar de moradia digna não é ser cristão, é exatamente ser cristão por completo. Você está na oração, mas também está na ação”, salientou. Para ele, a formação fortaleceu a motivação para aprofundar as questões sociais e repassar o conteúdo da Campanha a outras pessoas. E acrescentou: “Então eu levo essa certeza de que, como cristão, falar sobre moradia e na certeza de que Cristo está conosco, que está habitando entre nós, que é o lema, fortifica a minha fé e me faz ser missionário nesta caminhada.”
Já Josileudo Araújo Silva, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Trairão, da Prelazia de Itaituba, destacou o caráter missionário do encontro. “Nós temos que ser essa moradia na vida daquelas pessoas que não têm teto, que não têm um lar onde possam morar”, afirmou, ressaltando que a Campanha da Fraternidade precisa se tornar um gesto concreto nas paróquias, áreas pastorais, dioceses e prelazias.
O encontro de formação evidenciou a vivência em comunhão da Campanha da Fraternidade 2026 no âmbito da Província Eclesiástica de Santarém, fortalecendo os laços entre as Igrejas locais e renovando, à luz do Evangelho, o compromisso da Igreja com a promoção da dignidade humana, da fraternidade e da justiça social.
CF 2026
A Campanha da Fraternidade, realizada anualmente pela CNBB, propõe reflexões que dialogam com a realidade do país, oferecendo subsídios que orientam a vivência do tema, especialmente durante o tempo da Quaresma. Em 2026, a Quaresma tem início no dia 18 de fevereiro, com a Quarta-feira de Cinzas, e segue até 29 de março, Domingo de Ramos.
Como gesto concreto da Campanha, a Igreja no Brasil realiza a Coleta Nacional da Solidariedade, que fortalece ações sociais por meio do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) e dos Fundos Diocesanos de Solidariedade (FDS). A coleta acontece nas celebrações do Domingo de Ramos, sendo 60% dos recursos destinados às dioceses e 40% ao Fundo Nacional.
Fonte: Arquidiocese de Santarém / Texto e fotos: Aritana Aguiar – Ascom Arquidiocese











