21 anos do martírio de irmã DorthyStang

Ato realizado na sede do Regional Norte 2

A sede do Regional Norte 2 da CNBB recebeu, no dia 12/3, o Comitê Dorothy que organizou um ato celebrativo em memória do ’21º ano do martírio da Irmã Dorothy’, com o intuito de lembrar dos 21 mártires tombados em Anapú (PA) por defender a floresta e o projeto de desenvolvimento sustentável, principal bandeira de luta da irmã Dorothy.

Durante o evento foram destacadas também as conquistas, como o ‘Projeto de Assentamento Irmã Dorothy Stang’ na Gleba Bacajá em Anapu. A celebração contou com a presença das pastorais sociais da CNBB Norte 2, congregações religiosas da Conferência Nacional Religiosa do Brasil – CRB, igrejas cristãs Anglicanos, Católicos e Luteranos e várias lideranças de movimentos sociais do campo e da cidade e organizações que atuam em defesa da vida.

O encerramento deu-se com a oração do Pai Nosso, seguido de um momento cultural onde os presentes participaram de uma roda de Encerramos com o pai nosso dos mártires e depois co uma linda roda de carimbó.

Irmã Dorothy Stang: A Voz da Amazônia

Irmã Dorothy Mae Stang (1931-2005), nascida nos EUA e naturalizada brasileira, foi uma médica pediatra e missionária das Irmãs de NotreDame de Namur. Chegou ao Brasil em 1966, dedicando a partir dos anos 1970 sua vida à defesa dos camponeses rurais e da floresta amazônica, atuando fortemente com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) da CNBB. Sua luta era contra grileiros, madeireiros e latifundiários, buscando uma reforma agrária justa e promovendo alternativas sustentáveis, como a fundação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança em Anapu, que oferecia renda segura sem destruir o meio ambiente.

Dorothy Stang foi brutalmente assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em uma estrada de terra perto de Anapu (PA), após receber inúmeras ameaças de morte por sua militância. Sua morte, que chocou o Brasil e o mundo, foi encomendada por fazendeiros ligados a conflitos agrários. Sua vida foi um testemunho de doação total e de coragem em defesa dos mais vulneráveis, tornando-a um símbolo da luta pela terra e pela preservação ambiental na Amazônia.

Uma frase que encapsula seu destemor diante da violência é”Não quero fugir, nem quero abandonar a batalha desses fazendeiros que vivem sem proteção na floresta”. Outra citação impactante, que ela teria mostrado aos seus algozes, é “Eis a minha arma!”, referindo-se à sua Bíblia, simbolizando que sua luta era guiada pela fé e pela palavra de Deus.

O Legado do Comitê Dorothy

O Comitê Dorothy é uma articulação de movimentos sociais e pastorais que se mantém firme na defesa do legado de Irmã Dorothy, especialmente na Amazônia. Este comitê, que inclui a participação de movimentos como o MST e pastorais sociais da CNBB, organiza anualmente atos em memória dos 21 mártires tombados em Anapu, como o evento celebrado no Regional Norte 2. O Comitê Dorothy não apenas homenageia os que caíram, mas também monitora e impulsiona as bandeiras de luta da Irmã, como a defesa da floresta e a consolidação de projetos de desenvolvimento sustentável, como o PDS que leva seu nome.

Fonte: Regional Norte 2 / Por VívianMarler

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