Na noite da última quarta-feira, 12 de agosto de 2026, o Centro Diocesano de Pastorais sediou a reunião preparatória para a realização do 32º Grito dos Excluídos, momento que reuniu representantes das diversas pastorais da Diocese, movimentos sociais, sindicatos, comunidades e organizações populares. O encontro teve como principal objetivo organizar a programação, distribuir responsabilidades e fortalecer a participação dos diversos segmentos que integrarão a caminhada no próximo 7 de setembro.
A reunião evidenciou o espírito de unidade e corresponsabilidade entre Igreja e sociedade civil organizada. Durante o encontro, foram debatidas as ações necessárias para garantir uma caminhada bem estruturada, participativa e evangelizadora, reafirmando o compromisso da Diocese com a promoção da vida, da dignidade humana e da justiça social.
Neste ano, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas traz como tema: “Vida em Primeiro Lugar” e como lema: “Na defesa da terra, da paz e da moradia, erguemos a voz, mulheres livres e soberanas.”
O cartaz oficial destaca a figura de uma mulher erguendo o braço em sinal de esperança e resistência, carregando uma criança no colo. A imagem simboliza milhares de mulheres brasileiras que sustentam suas famílias, defendem seus territórios e enfrentam diariamente as desigualdades sociais. Ao fundo, aparecem manifestações populares e palavras de ordem em defesa dos direitos humanos, recordando que a luta pela vida também passa pela garantia da terra, da moradia, da paz e da justiça para todos.
O tema escolhido para este ano reforça que nenhuma política pública, projeto econômico ou interesse particular pode estar acima da vida humana. A vida deve ocupar sempre o primeiro lugar, especialmente quando se trata daqueles que mais sofrem com a pobreza, a fome, a violência, a exclusão social e a falta de acesso aos direitos fundamentais.
O lema amplia esse compromisso ao destacar três direitos essenciais: a terra, como espaço de produção, sobrevivência e preservação ambiental; a paz, entendida como fruto da justiça e da fraternidade; e a moradia, direito básico garantido pela Constituição, mas ainda distante da realidade de milhares de famílias brasileiras. Ao enfatizar a voz das mulheres, o Grito também reconhece seu protagonismo histórico nas comunidades, nos movimentos populares e na defesa da vida.
O que é o Grito dos Excluídos?
O Grito dos Excluídos nasceu em 1995, como fruto da reflexão das Pastorais Sociais da Igreja Católica, das Comunidades Eclesiais de Base e de diversos movimentos populares. Desde então, tornou-se uma das maiores mobilizações sociais do país, acontecendo anualmente no dia 7 de setembro, justamente na data em que o Brasil celebra sua Independência.
A proposta do Grito é provocar uma reflexão sobre o verdadeiro significado da independência nacional. Embora o país seja politicamente independente, milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso aos direitos mais básicos, como alimentação, educação, saúde, moradia, trabalho digno e segurança.
Inspirado pela Doutrina Social da Igreja, o movimento procura unir oração, cidadania e compromisso social. Não se trata apenas de denunciar as injustiças existentes, mas também de anunciar a esperança e incentivar a construção de uma sociedade onde prevaleçam a fraternidade, a solidariedade e o cuidado com os mais vulneráveis.
Ao longo de sua história, o Grito tornou-se um espaço de diálogo entre Igreja, sindicatos, movimentos sociais, associações comunitárias, juventudes, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e inúmeros outros segmentos da sociedade que lutam pela promoção da dignidade humana.
Como recorda o Evangelho de São João: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10,10)
Essa passagem inspira o compromisso da Igreja de anunciar o Reino de Deus também através da promoção da justiça, da paz e da defesa dos direitos dos mais pobres.
Programação do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas
Após ampla discussão entre os participantes da reunião preparatória, ficou definida a programação oficial da caminhada diocesana.
A concentração acontecerá às 7h30, na Igreja Nossa Senhora de Nazaré, onde será celebrada a Santa Missa, marco inicial da programação.
Em seguida, os participantes sairão em caminhada pelas ruas da cidade, levando mensagens de esperança, oração e compromisso social, encerrando o percurso na Área Missionária Nova Colina – Igreja Santa Tereza, no bairro Sol Nascente.
Programação
Data: 7 de setembro de 2026 (segunda-feira)
Horário da concentração: 7h30
Concentração e Santa Missa: Igreja Nossa Senhora de Nazaré
Encerramento: Área Missionária Nova Colina – Igreja Santa Tereza (Sol Nascente)
Organização das equipes
Para que toda a programação aconteça de forma organizada, foram distribuídas responsabilidades entre pastorais, movimentos e sindicatos.
Mística e divisão dos eixos
Outro ponto importante discutido durante a reunião foi a organização da caminhada em eixos temáticos.
Ficou definido que cada pastoral, comunidade, movimento social e sindicato ficará responsável pela preparação da mística de seu respectivo eixo. Essa organização permitirá que diferentes realidades sejam apresentadas por meio de símbolos, cantos, encenações, faixas, cartazes e momentos de oração, enriquecendo a caminhada e favorecendo a reflexão sobre os desafios enfrentados pela população.
A mística é uma das características mais marcantes do Grito dos Excluídos, pois une espiritualidade e compromisso social, ajudando os participantes a compreenderem que a defesa da vida passa também pelo cuidado com a criação, pela promoção da paz, pela luta por moradia digna e pela garantia dos direitos fundamentais.
Um chamado à esperança
A preparação do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas demonstra o compromisso missionário da Diocese com a defesa da vida e da dignidade humana. Inspirada pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja, a comunidade diocesana reafirma que evangelizar significa também estar ao lado dos pobres, dos que sofrem e daqueles que têm seus direitos constantemente ameaçados.
Mais do que uma caminhada, o Grito é uma manifestação de fé, esperança e compromisso cristão. É um convite para que todos assumam a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, onde a vida seja sempre colocada em primeiro lugar.
Que a caminhada do próximo 7 de setembro seja um forte testemunho de unidade entre Igreja, pastorais, movimentos sociais e toda a sociedade, fazendo ecoar o clamor daqueles que acreditam que um Brasil mais humano é possível.
“Vida em Primeiro Lugar: na defesa da terra, da paz e da moradia, erguemos a voz, mulheres livres e soberanas”.
Fonte: Regional Norte 2 /Por Edgard de Paula / Seminarista da Diocese de Macapá




