Nesta quarta-feira (25), a Arquidiocese de Santarém promove uma ação solidária junto aos povos indígenas, que estão mobilizados na cidade de Santarém em defesa do Rio Tapajós. A iniciativa visa reunir fiéis, pastorais, movimentos e comunidades eclesiais em um gesto de oração, presença fraterna e apoio humanitário.
A concentração inicia às 18h, na Igreja Santo Antônio, bairro Laguinho, de onde os participantes seguem em caminhada até a área da ocupação indígena no porto da cidade, no trecho entre as Avenidas Cuiabá e Tapajós. No local, será realizado um momento orante e a entrega de doações arrecadadas, como alimentos, roupas, cobertores, materiais de higiene pessoal e itens de limpeza.
Contexto da mobilização indígena
A manifestação reúne lideranças e representantes de diversos povos indígenas do Tapajós, que desde janeiro realizam atos públicos e ocupações em Santarém. O movimento pede a revogação do Decreto Federal nº 12.600/2025, que incluiu trechos de rios amazônicos — entre eles o Tapajós — no Programa Nacional de Desestatização (PND), abrindo caminho para concessões hidroviárias e projetos de dragagem destinados à ampliação da navegação comercial.
Segundo organizações indígenas e socioambientais, a medida pode transformar o rio em um corredor logístico para o escoamento de grãos, permitindo a circulação permanente de grandes embarcações. As comunidades afirmam que o projeto ameaça modos de vida tradicionais, territórios e ecossistemas da região, além de apontarem a ausência de consulta livre, prévia e informada aos povos afetados, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Após semanas de mobilização, o governo federal anunciou a suspensão do processo de dragagem, mas o decreto permanece em vigor, motivo pelo qual os manifestantes mantêm os protestos e seguem reivindicando sua revogação definitiva.
Igreja em saída
Inspirada pela missão pastoral de defesa da vida, dos povos e da Casa Comum, a Arquidiocese convida toda a comunidade a participar da mobilização, reforçando a dimensão solidária e orante da presença da Igreja junto aos povos indígenas.
A ação busca expressar proximidade, escuta e apoio às comunidades que vivem às margens do Rio Tapajós, reconhecendo a importância do diálogo, do cuidado com a criação e do respeito aos direitos dos povos originários.
Fonte: Arquidiocese de Santarém



