A REPAM-Brasil realizou a segunda reunião do Grupo de Trabalho (GT) das Campanhas, com o objetivo de fortalecer a articulação em rede e avançar na construção coletiva das campanhas Amazoniza-te (2020) e Eu Voto pela Amazônia (2022), com foco no período pré-eleitoral e eleitoral de 2026.
O encontro reforçou que este é um processo em expansão: depois de uma primeira rodada com instituições já parceiras, a REPAM segue ampliando o chamado para novas organizações somarem na mobilização em defesa da Amazônia e de seus povos, especialmente diante do cenário político e climático que atravessa o país.
Memória das campanhas: trajetória, propósito e retomada estratégica
Durante a reunião, a equipe retomou a história e os sentidos das duas campanhas, destacando que ambas nasceram como ferramentas de mobilização popular e incidência, combinando espiritualidade, participação cidadã e comunicação pública.
A campanha Amazoniza-te foi lançada no contexto da pandemia, quando o avanço das invasões e violações nos territórios se intensificou, e a articulação digital se tornou a principal estratégia de sensibilização. Na memória compartilhada, foi lembrada a força simbólica desse período e a articulação com diversas organizações aliadas.
O grupo ressaltou que o debate eleitoral atual exige um olhar estratégico: além da escolha presidencial, torna-se essencial observar o papel do Congresso Nacional na definição de pautas e políticas que impactam diretamente os territórios.
A reunião apontou que o momento exige campanhas fortes, com linguagem acessível e presença popular, especialmente considerando o peso das redes sociais na formação de opinião pública, com destaque para plataformas como TikTok e formatos de vídeo curtos.
Foi ressaltado que as campanhas devem se consolidar como uma mobilização ampla, capaz de:
- fortalecer a consciência crítica do voto,
- defender os direitos e os territórios,
- enfrentar discursos que negam as urgências climáticas,
- valorizar lideranças amazônicas, comunicadores populares e expressões artísticas e religiosas.
Entre as contribuições do encontro, destacou-se a fala de Francisco Tuna (Cáritas Norte 2), que relembrou a experiência dos Comitês de Combate à Corrupção Eleitoral e sugeriu a retomada dessa metodologia como inspiração para fortalecer capilaridade territorial e mobilização de base — articulando paróquias, comunidades e organizações da sociedade civil.
Foi mencionada também a relevância simbólica de datas e agendas mobilizadoras, como a celebração em memória da irmã Dorothy Stang, conectando a defesa do voto consciente às lutas históricas por justiça e proteção dos defensores e defensoras da Amazônia.
Outro destaque foi a participação de organizações parceiras, como o ISER, apresentando contribuições sobre o campo de religião e política, análises sobre dinâmicas eleitorais e o crescimento do voto religioso na região Norte, além de agendas futuras de articulação ecumênica e inter-religiosa em defesa da democracia.
Como próximos passos, foi sinalizada a proposta de organizar a atuação em grupos temáticos, para fortalecer o processo das campanhas em múltiplas frentes. Entre as sugestões debatidas, estão:
- GT de Comunicação: estratégia, identidade, produção de materiais, vídeos, redes.
- GT Político / Incidência: calendário eleitoral, acompanhamento de conjuntura, articulação.
- GT de Formação: formação cidadã, democracia, ecologia integral.
- Carta de Demandas e Documento Proposta: construção de uma carta pública e agenda comum.
- Termo de Compromisso com candidaturas: proposta de instrumento para adesão pública.
- Comitês territoriais / rede de multiplicadores: mobilização capilarizada por região.
A REPAM reforça o convite para que instituições e lideranças sigam somando neste processo coletivo: Amazonizar e votar pela Amazônia é defender a vida, os territórios e o futuro do país.
Fonte: Regional Norte 2 / PorREPAM Brasil




