A democracia, no coração da Amazônia, ganhou um novo e robusto capítulo na tarde desta quinta-feira (18/6). Em um evento marcado pela convergência entre a força da lei e o peso moral da fé, o Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 2) e o Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) lançaram oficialmente a edição 2026 do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral. O ato ocorreu na sede do Ministério Público Federal, em Belém, reunindo autoridades, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil organizada.
O Comitê não nasce do acaso. Ele resgata o espírito da Lei 9840/99, a primeira lei de iniciativa popular do Brasil, e reafirma uma trajetória histórica de luta por justiça. Mais do que uma estrutura de fiscalização, a iniciativa se posiciona como um “escudo” para o eleitor paraense, especialmente em uma região onde o clientelismo e o abuso de poder econômico tentam, recorrentemente, ferir a dignidade do voto e a liberdade de escolha.
A participação da Igreja nesse processo é vista como uma extensão natural do Evangelho nas estruturas sociais, transformando a fé em ação concreta pela cidadania. Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, Bispo da Prelazia do Marajó e acompanhante da Dimensão Sócio Transformadora, tem sido a voz ativa e profética nessa articulação. Questionado sobre o significado deste gesto e a missão pastoral da Igreja na política, ele destacou que uma das grandes novidades apresentadas durante o lançamento foi a oficialização do ‘WhatsApp como canal de denúncias’. Em um estado de dimensões continentais como o Pará, onde a geografia muitas vezes impõe o silêncio, a tecnologia surge como a ponte necessária entre o ribeirinho, o quilombola, o morador das periferias e a Justiça Eleitoral.
O Procurador Regional Eleitoral, Bruno Valente, detalhou o funcionamento da ferramenta, que permitirá o envio de fotos, vídeos e relatos em tempo real. Para Dom Ionilton, essa facilidade tecnológica é uma ferramenta de empoderamento para quem vive nas áreas mais distantes.
“O Comitê tem os olhos voltados para as feridas abertas da região”. Durante o evento, foi ressaltado que a corrupção eleitoral não é um crime abstrato, mas algo que retira recursos da saúde, da educação e da proteção ambiental. O bispo marajoara conhece bem essa realidade e vê no Comitê uma presença viva onde o Estado muitas vezes é ausente.
A força do Comitê reside na sua capilaridade. A parceria liderada pela CNBB Norte 2 e pelo MPF conta com o apoio fundamental de instituições que possuem raízes profundas no território paraense como Cáritas Brasileira Regional Norte 2, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) e a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
O Comitê começou a operar antes mesmo do lançamento oficial. No último dia 13 de junho, uma oficina de capacitação reuniu dezenas de voluntários para aprenderem a identificar irregularidades e preencher denúncias com precisão técnica. Dom Ionilton define quem são esses “sentinelas” convocados para a missão.
As denúncias serão recebidas a partir do WhatsApp (91) 3347.9809. Fiscalize, denuncie irregularidades e compra de votos para as eleições de 2026 para deputados, senadores, governadores e presidência da República.
Inspirado na recente “Carta aos Brasileiros” da CNBB, o Comitê encerra seu lançamento com um chamado à esperança. A mensagem deixada pelas autoridades e lideranças presentes é de que a política, quando exercida com ética, é “uma das formas mais altas de caridade”. Dom Ionilton finaliza com critérios para o eleitor e um recado aos que pensam em desistir do processo “O Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral 2026 já está nas ruas e nas redes. A partir de agora, o cidadão paraense tem um canal direto e seguro para garantir que o seu voto, e o futuro da sua região, sejam respeitados”, finalizou o bispo.
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler












