A Diocese de Macapá realizou, de 21 a 23 de agosto de 2026, mais uma edição do Encontro Catequético Diocesano (ENCADI). Cerca de 700 catequistas, lideranças de comunidades e agentes de pastoral participaram do evento de formação, espiritualidade e partilha no Centro Diocesano de Pastoral Dom José Maritano. O encontro teve como eixo a renovação da catequese a partir da Iniciação à Vida Cristã e da missão evangelizadora da Igreja.
O ENCADI 2026 teve como tema “Iniciação à Vida Cristã: Educação da Fé e da Vida em uma Catequese cada dia mais Missionária, Sinodal e Humana”. A proposta buscou refletir sobre uma catequese que ultrapasse a simples transmissão de conteúdos e contribua para o encontro pessoal com Jesus Cristo, a inserção na comunidade e o compromisso dos cristãos com a missão evangelizadora.
O lema escolhido para esta edição foi “Os sábios e educados brilharão como estrelas do céu” (cf. Dn 12,3), destacando a dimensão da formação como instrumento para o crescimento da fé e para o serviço à comunidade.
Um dos momentos centrais da programação aconteceu durante a celebração de encerramento, na manhã de domingo (23), quando 49 catequistas foram instituídos no Ministério de Catequese. O gesto marcou uma etapa importante na caminhada formativa desses agentes e reforçou a compreensão da catequese como um serviço eclesial assumido de forma consciente, responsável e missionária.
A instituição do Ministério de Catequista representa o reconhecimento público de uma missão que já é exercida cotidianamente por homens e mulheres nas comunidades, destacou Dom Antônio de Assis Ribeiro. Mais do que uma função, o ministério expressa um compromisso com o anúncio do Evangelho, a formação na fé e o acompanhamento daqueles que percorrem o caminho da Iniciação à Vida Cristã.
Na Diocese de Macapá, esse processo vem sendo acompanhado por etapas de formação e discernimento, buscando preparar os agentes para uma atuação cada vez mais integrada à vida das comunidades e à missão evangelizadora da Igreja.
Depois de momentos de formação, oração e convivência, os novos ministros retornam às suas comunidades com a responsabilidade de colocar em prática aquilo que foi refletido durante o encontro e continuar contribuindo para uma catequese capaz de formar discípulos e discípulas comprometidos com Jesus Cristo e com a vida da Igreja.
Eline Moura da Silva, leiga consagrada do Instituto Secular Pequenas Apóstolas da Caridade, atua na Paróquia São Pio de Pietrelcina e Bem-Aventurado Luiz Monza, em Santana. Para ela, receber o ministério de catequista é, antes, uma grande responsabilidade. “É uma grande responsabilidade, saber que não sou eu que falo em meu nome, mas eu falo em nome da Igreja, em nome de uma instituição. Então, para mim, é um grande privilégio, mas também é uma grande responsabilidade”, disse Eline.
Sobre a preparação para viver este momento de instituição, ela destacou o quanto o processo acrescentou na sua vocação de leiga consagrada. “Me preparar durante esse período de formação para o Ministério do Catequista foi de grande valia, porque, como consagrada, é algo que acrescentou muito na minha vida. A experiência, o aprendizado, cada encontro, cada tema, um diferente do outro, que se conectava a todos os assuntos. Então, para mim, foi uma experiência inigualável participar desta preparação ao Ministério do Catequista”.
Catequese missionária
Durante os três dias, os participantes tiveram momentos de formação, celebração, espiritualidade e convivência. Entre os assessores convidados estiveram o bispo de Macapá, Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB, e o Pe. João dos Santos Barbosa Neto, SDB, escritor e doutor em Teologia Pastoral.
A presença dos dois formadores contribuiu para aproximar a reflexão teológica da realidade pastoral vivida pelas comunidades. A proposta apresentada pela Diocese parte da compreensão de que a Iniciação à Vida Cristã deve ser um processo permanente de formação na fé, capaz de conduzir as pessoas não apenas à recepção dos sacramentos, mas a uma experiência mais profunda de vida comunitária e de discipulado.
“Nós refletimos sobre essa relação íntima entre a pessoa do catequista, a comunidade e o catequizando, de modo que não há catequista fora da comunidade, não há comunidade sem catequese e não há catequista que não seja envolvido e estimulado a se inserir na vida da comunidade. Então, essa relação entre esses três sujeitos é muito importante que seja compreendida”, destacou o bispo diocesano Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB.
O bispo também ressaltou que a Iniciação à Vida Cristã é ainda “iniciação na vida da Igreja” e que os catequistas têm esta responsabilidade de introduzir os catequizandos no caminho eclesial.
“Não podemos conceber uma catequese puramente preocupada com a doutrina sem estimular o catequizando a conhecer verdadeiramente a Jesus Cristo e inserir-se no dinamismo da vida da Igreja. Portanto, falar de Iniciação à Vida Cristã é necessariamente promover a iniciação ao dinamismo da vida eclesial. Catequizando bem formado se compromete na vida da sua comunidade, através das múltiplas formas de engajamento”, disse ele.
O assessor convidado para o evento, Pe. João Neto, aprofundou a temática da Iniciação à Vida Cristã, buscando despertar nos participantes esperança e entusiasmo na missão de catequizar.
“A mensagem aos catequistas é de esperança e de entusiasmo, a partir da convicção do nosso chamamento vocacional, de que somos corresponsáveis na missão evangelizadora da Igreja, e também trabalhando sempre o IVC, nesse grande estilo de vida e de caminhada que a Igreja assumiu para a catequese, mas também para a sua ação evangelizadora”, frisou.
Doutor em Teologia Pastoral pela Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma, Pe. João Neto defendeu a tese “A relevância teológico-catequética do Ministério de Catequista” em 2022. Sua presença trouxe ao ENCADI, além do dinamismo na programação, uma formação com enfoque teológico e catequético à luz da realidade pastoral, destacando a participação dos catequistas na missão evangelizadora da Igreja.
A edição deste ano deu continuidade a um processo que vem sendo desenvolvido pela Igreja local para qualificar a atuação dos catequistas e fortalecer a catequese nas paróquias e áreas missionárias.
Os jovens catequistas João Vitor e Lucas, da Paróquia Jesus Bom Samaritano, em Macapá, participaram do ENCADI pela primeira vez e destacaram a experiência produtiva no processo de formação.
“É o meu primeiro ano participando do encontro. Eu achei muito bom, principalmente a palestra do Padre João Neto, que abordou muito o tema como ser catequista, a dificuldade que a gente encontra na nossa missão, no dia a dia”, disse João. Aos 19 anos, ele é catequista de Perseverança e testemunhou que “é muito bom estar servindo como catequista”, chamado que ele aceitou após o convite do pároco depois da Crisma.
Lucas Chaves disse sentir-se feliz pela missão recebida e a responsabilidade. “Eu, como catequista, sinto-me muito feliz em saber que eu sou uma das referências de vida cristã para outros jovens. E poder caminhar junto com eles. Para mim, foi uma boa experiência participar do ENCADI”.
A catequista Ana Cláudia Queirós é coordenadora da Pastoral Catequética na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, na área ribeirinha no interior do município paraense de Gurupá. Tendo viajado cerca de 2h em barco expresso para participar do ENCADI, disse que o esforço valeu a pena pela necessidade de formação. “Nós, como catequistas, precisamos de uma formação sempre, para a gente ficar atualizado, ficar renovando os nossos catequizandos, é muito gratificante participar”, disse ela.
Para a catequista, após os três dias de encontro, o retorno à comunidade deve, sobretudo, ser o compartilhamento com os demais catequistas. “O que a gente está aprendendo de tão importante aqui vamos repassar para aquelas outras que não vieram, porque são várias outras que ficaram nas comunidades, e a gente vai repassar, estamos anotando muita coisa que a gente ouviu para compartilhar”, pontuou Ana, entusiasmada.
O ENCADI 2026 deixa, assim, como principal marca a compreensão de que formar catequistas é também fortalecer a própria missão evangelizadora da Diocese. Em uma realidade pastoral marcada pela diversidade de comunidades e desafios, investir na formação daqueles que acompanham crianças, adolescentes, jovens e adultos no caminho da fé significa preparar a Igreja para continuar anunciando o Evangelho de maneira cada vez mais próxima, participativa e missionária.
Em sua homilia na missa de encerramento, Dom Antônio de Assis Ribeiro disse que “devemos voltar nosso olhar para o alto e agradecer a Deus por este momento significativo” na Igreja de Macapá e fez questão de dizer que provavelmente “sejam a maior força de nossa Diocese” e os convidou para ampliar cada vez mais o alcance e o envolvimento desta força”.
Fonte: Diocese de Macapá / Por Jefferson Souza | Redação Pascom




