Encontro Nacional de Coordenadores de Pastoral

Coordenadores do RN2 aprofundam a conversão dos processos e a urgência missionária

O terceiro dia do ‘Encontro Nacional de Coordenadores de Pastoral 2026’, realizado nesta quarta-feira (22), foi marcado por um mergulho profundo na identidade e na estrutura da Igreja no Brasil. Os representantes do Regional Norte 2 participaram ativamente de uma programação que dividiu o olhar entre a organização interna (os processos) e a expansão externa (a missão), sob a luz das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.

A manhã foi dedicada à “conversão dos processos”, guiada pela reflexão de Dom Joel Portella Amado sobre o documento final do Sínodo. A Irmã Maria Rejiane, Articuladora Regional do Norte 2, sintetizou o debate como um chamado para abandonar a “autorreferencialidade” e o fundamentalismo.

Uma das imagens mais fortes da manhã foi a da Igreja como “janela”, um lugar de onde se vê a realidade e por onde entra a luz do Espírito. Segundo a Irmã Rejiane, o discernimento sinodal não é uma técnica administrativa, mas uma prática espiritual vivida na fé. “A Igreja não é nem uma monarquia, nem uma democracia. Ela é sinodal, brota da Trindade e a ela conduz”, explicou a articuladora, destacando que o discernimento deve passar pela escuta da Palavra, da tradição e, fundamentalmente, pela consciência dos pobres.

O debate sobre autoridade foi um dos pontos altos. A reflexão partilhada reforçou que, embora o bispo tenha a última palavra, ele não possui a ‘única’ palavra. O processo de decisão deve migrar do clero centralizado para um modelo participativo e dinâmico.

Neste contexto, a transparência e a prestação de contas surgiram como imperativos éticos. Para os coordenadores, a Igreja deve ser a guardiã da credibilidade, o que exige auditorias, avaliações periódicas de cargos e a divulgação clara de finanças e decisões. “É preciso passar do estático para o processual: escutar, discernir, decidir, avaliar, testemunhar e evangelizar”, detalhou Monsenhor Agostinho Cruz, Coordenador de Pastoral de Belém.

No período da tarde, o foco deslocou-se para a missionariedade, com a assessoria de Maurício da Silva. O debate central foi que a missão não é um “setor” da Igreja, mas sua própria natureza.

A reflexão trouxe a ideia de que a vida de cada batizado é uma missão. “Missão é uma paixão por Jesus Cristo e, simultaneamente, uma paixão pelo povo”, ressaltou a Irmã Rejiane ao resgatar a fala do assessor. O Regional Norte 2 discutiu a transição da missão programática (planos e eventos) para a missão paradigmática (quando toda a atividade habitual da Igreja se torna missionária).

Padre Giovani, da Diocese de Cametá, trouxe a dimensão prática dessa missionariedade ao refletir sobre a “Igreja Tenda”. Para ele, é urgente entender que a Igreja não deve ser uma realizadora de eventos, mas sim de processos. “Devemos ter esse desejo de realmente irmos ao encontro daqueles que precisam, sendo essa Igreja com alargamento das tendas, onde todos são chamados a viverem sua fé dentro de um caminho concreto”, afirmou o sacerdote.

O encontro também olhou para o horizonte, iniciando a preparação para o Congresso Missionário Nacional (CAM) em Curitiba, em 2029, e o Ano Missionário no Brasil que terá início em 2028. O desafio proposto é reunir as forças missionárias para gerar unidade, evitando o perigo de “cuidar daquilo que não identifica o nosso ser cristão”.

O dia encerrou com uma convicção compartilhada pelos representantes do Regional Norte 2, a sinodalidade não tem futuro sem convicção e formação. O “intercâmbio de dons” entre as igrejas locais e a sociedade civil foi apontado como o caminho para revitalizar o modo de ser católico.

“O caminho sinodal não consiste em fazer coisas novas, mas em fazer novas todas as coisas”, concluiu a Irmã Rejiane, resumindo o sentimento de um Regional que volta o olhar para a Amazônia com o desejo de renovar seus conselhos, linguagens e metodologias, colocando sempre o Povo de Deus no centro da tomada de decisão.

Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler

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