Na tarde desta terça-feira (25), a sede do Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA) tornou-se o palco de uma articulação fundamental para a saúde democrática do Estado. Em uma mesa que uniu o rigor técnico da justiça à capilaridade social da Igreja Católica, representantes do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB N2), da Cáritas Norte 2 e o Ministério Público iniciaram o desenho estratégico do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral para o pleito de 2026.
Mais do que um protocolo institucional, o encontro evidenciou o peso moral que a Igreja Católica carrega ao pautar a ética na política. Cristiane Araújo, secretária-executiva do Regional Norte 2, foi enfática ao posicionar o Comitê como um instrumento de cidadania ativa. Para a Igreja, o “voto limpo” não é apenas um conceito jurídico, mas um imperativo moral. Através de orientações diretas aos fiéis, a instituição reafirma sua missão de despertar consciências, combatendo a cultura da compra de votos e o clientelismo que, historicamente, ferem as comunidades mais vulneráveis do Pará.
Essa missão profética da Igreja ganha “dentes” e segurança jurídica com a atuação firme do MPF-PA. O Dr. Bruno Valente, procurador eleitoral, trouxe para a reunião o pragmatismo necessário para que as denúncias não se percam na burocracia. Ao propor o uso de ferramentas digitais modernas e, principalmente, a realização de encontros presenciais nas periferias e comunidades tradicionais, o MPF demonstra que o combate ao crime eleitoral se faz no chão do estado, ouvindo quem está na ponta.
Francisco Batista, representando a Cáritas Norte 2, trouxe à memória a longa trajetória desses comitês no Pará, lembrando que a luta por eleições honestas é uma construção coletiva. Ele destacou como essa estrutura fortalece campanhas essenciais, como a “Nosso voto é potente”, da Cáritas, e a emblemática “Um voto pela Amazônia”.
O próximo passo já tem data e local, será no dia 10 de abril, na sede do Regional Norte 2, em Belém. Ali, o grupo voltará a se reunir para consolidar a formação do comitê com novos parceiros, sob a premissa de que a democracia no Pará exige vigilância constante e uma aliança indissociável entre a ética da fé e a força da lei.
O Projeto ‘Um Voto pela Amazônia’
Coordenado pela Rede Eclesial Panamazônica (REPAM), o projeto “Um Voto pela Amazônia” é uma resposta urgente aos desafios socioambientais enfrentados pelo bioma. A iniciativa parte do princípio de que o ato de votar no território amazônico possui uma dimensão global, escolher um representante local significa decidir o futuro da maior floresta tropical do mundo e das populações que nela habitam.
O projeto busca sensibilizar o eleitor para que ele identifique candidatos comprometidos com a ecologia integral, a proteção das terras indígenas, dos territórios quilombolas e o combate ao desmatamento. Não se trata de uma campanha partidária, mas de uma convocação para que a política seja vista como uma forma de cuidado com a “Casa Comum”. Ao votar “pela Amazônia”, o cidadão utiliza o seu poder democrático para barrar projetos de destruição e priorizar modelos de desenvolvimento que respeitem a vida em todas as suas formas.
Fonte: Regional Norte 2 / Por VívianMarler



