Em um ato que ressoa profundamente com a dor silenciosa de muitas famílias, a Diocese de Marabá, através de seu bispo Dom Vital Corbellini, convoca a sociedade para um compromisso inadiável. Na noite do próximo dia 27, sexta-feira, a comunidade se reunirá na Chácara Diocesana para o lançamento do ‘Pacto Educativo, Pastoral e Social Contra o Feminicídio’. Mais do que um evento, esta iniciativa marca a reafirmação de que a defesa da vida e da dignidade feminina não pode mais ser delegada, mas sim abraçada como uma responsabilidade comum.
“A realidade da violência contra as mulheres e o aumento alarmante dos casos de feminicídio em nossa sociedade interpela a consciência de todos, mas, para a Igreja, essa interpelação ganha a força dos valores do Evangelho. O Pacto nasce como um espaço articulado, um ponto de encontro onde as forças educativas, pastorais e sociais da região se unem. O objetivo é claro, fortalecer as iniciativas que efetivamente previnem a violência, promovendo uma autêntica cultura de paz, respeito e justiça, substituindo o ciclo destrutivo pelo cultivo da fraternidade”, disse Dom Vital.
Lady Anne Souza comentou que o que torna este ato ainda mais significativo é o seu caráter histórico. “Na mesma ocasião, a Diocese celebrará os seis anos da Lei Municipal ‘Somos Todos Maria da Penha’. Este marco legal não surgiu do nada; ele é fruto direto do empenho profético da própria Igreja local, idealizado no âmbito do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Marabá. É a prova viva de que a fé se traduz em ação concreta, em legislação e em proteção efetiva para as mulheres mais vulneráveis”, disse a coordenadora de Pastoral.
O encontro, que acontecerá das 19h às 21h, é um convite à escuta fraterna e ao compromisso coletivo. Dom Vital convoca não apenas os membros das pastorais e movimentos, mas também autoridades civis e representantes da sociedade organizada. O papel profético da Igreja se manifesta ao convocar todos a se sentarem à mesa da reflexão, reconhecendo que a construção de relações humanas justas, solidárias e fraternas é uma corresponsabilidade de toda a sociedade. A presença de cada um é vital para que este Pacto deixe de ser apenas um documento e se torne uma força transformadora na vida da comunidade de Marabá.
Feminicídio no Norte do Brasil: um retrato entre avanços e alertas
Falar de feminicídio no Brasil hoje é falar de uma realidade que, mesmo com leis mais rígidas e maior visibilidade, ainda insiste em crescer. Em 2025, o país registrou cerca de 1.500 mulheres assassinadas por razões de gênero, o que equivale a quase 4 mortes por dia.
Na região Norte, esse cenário ganha contornos específicos — marcados por desigualdades sociais, dificuldades de acesso a serviços públicos e, muitas vezes, subnotificação.
Pará: realidade extensa e complexa
Embora os dados detalhados mais recentes, encontrados no google, sejam menos consolidados em uma única fonte pública, o Pará costuma apresentar números absolutos mais altos de feminicídio, por ser um estado maior e mais populoso; forte relação com violência doméstica e familiar, que é a principal origem desses crimes no Brasil, e desafios estruturais nas áreas rurais, comunidades isoladas e dificuldade de acesso à rede de proteção.
No contexto nacional, estados do Norte — incluindo o Pará — estão entre aqueles que registraram crescimentos percentuais relevantes nos casos entre 2024 e 2025.
Amapá: entre redução e crescimento preocupante
O Amapá apresenta um cenário paradoxal. Por um lado, houve avanços importantes em 2024, o estado registrou apenas 2 feminicídios, o menor número do Brasil naquele ano, assim como também houve redução significativa de homicídios em geral, com queda de quase 29%
Mas o alerta veio logo depois em 2025, os casos voltaram a crescer, chegando a 9 feminicídios. Em alguns levantamentos locais, o aumento foi considerado expressivo, chegando a ser várias vezes maior que no ano anterior. Além disso, outro dado chama atenção, as denúncias de violência contra a mulher cresceram — só em 2024, houve aumento de 17,3% nas denúncias registradas pelo Ligue 180. Ou seja, menos casos em um momento não significam necessariamente segurança, muitas vezes indicam subnotificação ou oscilações.
O que os dados revelam (e o que não mostram)
Mais do que números, o feminicídio revela padrões. A maioria dos casos acontece dentro de casa, onde o agressor costuma ser companheiro ou ex-companheiro, e há um histórico prévio de violência que muitas vezes foi denunciado — ou não.
E existe um fator silencioso, a subnotificação. Muitas mulheres ainda não denunciam por medo, dependência emocional ou financeira, ou falta de apoio.
Um olhar humano sobre os números
Quando se fala em “2 casos”, “9 casos” ou “crescimento percentual”, é fácil perder a dimensão real. Mas cada número representa uma história interrompida, uma família devastada e um ciclo de violência que poderia ter sido evitado. O que os dados mostram é que o problema não está resolvido — ele apenas muda de forma.
Não fique calada(o) DENUNCIE!!
Fonte: Regional Norte 2 /PorVívianMarler


