Pastoral Familiar leva formação à Óbidos

Toda família carrega dentro de si uma história. Tem alegrias que ninguém viu, dores que poucos conhecem, feridas que o tempo às vezes não fecha sozinho. É para essa realidade, concreta, complexa e profundamente humana, que a Pastoral Familiar estende os braços. Não com respostas prontas. Com presença. Com escuta. Com o cuidado de quem sabe que acompanhar uma família é, antes de tudo, um ato de amor.

Foi com esse espírito que, neste final de semana, 11 e 12 de abril, o ‘Centro de Formação Dom Floriano’, na Diocese de Óbidos, no Pará, tornou-se casa de um encontro especial, o “Pastoral Familiar: Estrutura, Missão e Caminhos de Acolhida para as Famílias”, promovido pela coordenação regional da Pastoral Familiar do Regional Norte 2 da CNBB, ministrado pelo casal coordenador Carvalho e Luciana Limão, com o apoio e a acolhida do bispo diocesano, Dom Bernardo JohannesBahlmann.

Agentes de pastoral de diversas cidades da diocese chegaram ao encontro trazendo na bagagem a experiência das comunidades e a sede de aprender mais. Foram dois dias de formação, partilha e renovação do compromisso com aquilo que a Igreja sempre defendeu, a família como patrimônio sagrado da humanidade.

Luciana Limão, coordenadora regional, foi direta ao nomear a importância do momento “Este encontro é de suma importância. Precisamos nos capacitar, nos formar para melhor atender, escutar e acompanhar as famílias nas suas fragilidades e nas suas situações especiais. A Pastoral Familiar é uma pastoral transversal, porque ela perpassa por todos os movimentos e serviços da nossa Igreja que trabalham com as famílias”.

E transversal ela é, de fato. Dividida em três setores, pré-matrimonial, pós-matrimonial e casos especiais, a Pastoral Familiar acompanha o ser humano desde o ventre materno até a morte natural. Não há fase da vida que fique fora do seu alcance. Não há situação familiar tão complexa que esteja além do seu cuidado. “A nossa Igreja Católica é uma família de famílias”, disse Luciana, com a precisão de quem já meditou muito sobre essas palavras. “É constituída de várias igrejas domésticas, que somos todos nós”.

É essa visão que orienta o trabalho, cada família é uma pequena Igreja. E uma família evangelizada, como ela bem lembrou, torna-se uma família evangelizadora. O ciclo do amor que se multiplica.

Um dos pontos mais ricos do encontro foi a reflexão sobre a sinodalidade, essa palavra que às vezes fica presa nos documentos, mas que a Pastoral Familiar traduz em gesto concreto, caminhar junto, em unidade com todas as pastorais, movimentos e serviços. “A gente costuma dizer que ela é uma pastoral mãe”, explicou Luciana, “porque ela abraça e acolhe. Ela congrega a todos”.

Não é exagero. É teologia encarnada. Porque quando uma família chega à Igreja, seja carregando a dor de um casamento em crise, a confusão de uma situação irregular, o luto de uma perda, ou simplesmente a necessidade de ser ouvida, ela precisa encontrar exatamente isso. uma mãe. Alguém que não julgue antes de escutar. Que não exclua antes de acolher.

A família, afinal, como nos ensina o Evangelho, é o berço de todas as vocações. Das vocações matrimoniais, sacerdotais, à vida consagrada. Cuidar da família é cuidar do futuro da Igreja.

Nenhum encontro formativo vale mais do que o testemunho de quem está nas comunidades, no dia a dia, nas periferias da existência. E em Óbidos, essas vozes não faltaram.

Adenil Siqueira Rodrigues, agente da Pastoral Familiar em Oriximiná (PA), chegou ao encontro com expectativas e voltou com o coração cheio “para nós, agentes da pastoral, este encontro veio a engrandecer ainda mais o nosso trabalho, trouxe mais clareza, mais entendimento, com uma comunicação direta entre quem ministra e quem recebe. Gera mais conhecimento, e para a nossa paróquia isso é muito bom. Vamos trabalhar, organizar o grupo, já temos três ou quatro pessoas engajadas. O encontro só veio a alavancar mais o que já fazemos com o itinerário. Precisamos sempre ter esses momentos para que os próprios agentes se especializem, tenham mais conhecimento para passar às famílias, principalmente àquelas que estão necessitadas, que hoje, infelizmente, são muitas”.

Em tempos em que a família enfrenta tantas pressões, a fragmentação dos vínculos, a cultura do descartável, as feridas que o individualismo deixa, a Pastoral Familiar se levanta como uma voz que insiste, a família importa. A família pode ser curada. A família pode recomeçar.

Como bem sintetizou Luciana Limão ao encerrar sua fala, com gratidão ao casal diocesano Rosa e Valdemar. e a todos os agentes presentes, “Estamos muito felizes nessa unidade. Eles são muito participativos, estão partilhando, tirando suas dúvidas e muito estimulados nos trabalhos de evangelização das famílias na diocese. Isso é o que a Igreja faz quando está no seu melhor, reúne pessoas comuns, cheias de boa vontade e fé, e as envia de volta para o mundo com mais capacidade de amar”, disse.

A Pastoral Familiar no Regional Norte 2: presença que atravessa rios e fronteiras

No vasto território que compõe o Regional Norte 2 da CNBB, que abrange os estados do Pará e do Amapá, a Pastoral Familiar exerce uma missão que vai muito além da estrutura institucional. Aqui, onde os rios são estradas e as comunidades às vezes só se alcançam de barco, o trabalho dos agentes familiares é, frequentemente, o único suporte pastoral que muitas famílias conhecem. A coordenação regional, por meio de encontros formativos como o de Óbidos, investe continuamente na capacitação dessas mulheres e homens que, nas paróquias, nas comunidades ribeirinhas, nos bairros periféricos das cidades e nos interiores mais distantes, representam o rosto acolhedor da Igreja. Em unidade com os bispos e em sintonia com o espírito sinodal que a Igreja universal abraçou, a Pastoral Familiar do Norte 2 caminha firme na sua missão, estar ao lado de cada família, em qualquer tempo, em qualquer condição, para que nenhuma se sinta sozinha diante da vida.

Fonte: Regional Norte 2 /Por VívianMarler / Fotos Mauro Nayan / Diocese de Óbidos / arquivo Luciana Limão / Pastoral Familiar Norte 2

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