Em Aparecida (SP), onde o Brasil se encontra aos pés da Padroeira, a ’62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)’ vive dias de intenso discernimento. Neste sábado (18), o foco são as bases que sustentarão a missão da Igreja nos próximos anos, as ‘Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE)’. Para os bispos do Regional Norte 2, que compreende as realidades eclesiais do Pará e do Amapá, o trabalho vai além da análise técnica; trata-se de “pensar a Amazônia” dentro do corpo místico da Igreja nacional.
Diferente de um plano de metas rígido ou um regulamento fechado, as novas diretrizes nascem como “luzes”. São orientações inspiradoras que respeitam a diversidade cultural e geográfica de um país continental. O texto é fruto de um longo e maduro processo de escuta do Povo de Deus, garantindo que a voz das comunidades de base, das periferias e das regiões mais remotas chegue à mesa de discussão do episcopado.
Dom Irineu Roman, presidente do Regional Norte 2 e arcebispo de Santarém, destacou os avanços nas novas Diretrizes, “um trabalho de comunhão para a Igreja do Brasil”, e avaliou positivamente o início das atividades, destacando o papel protagonista das igrejas da Amazônia no processo de construção do documento.
Segundo o arcebispo, a manhã deste sábado foi dedicada à análise dos três primeiros capítulos do texto, que formam a base teológica e pastoral da proposta. “Trabalhamos os temas ‘Comunidade do Encontro’, ‘A Escuta dos Sinais’ e o ‘Discernimento e Conversão Pastoral’, que engloba os pilares da comunhão, participação e missão”, explicou.
Ressaltou que o Regional Norte 2 realizou uma partilha profunda em sua reunião reservada, cujas contribuições foram levadas ao Plenário Geral. O objetivo é que o texto final reflita a escuta feita em todo o país. “Fizemos um belo trabalho de compartilhamento. A expectativa é que, entre segunda e terça-feira, as diretrizes já possam ser submetidas à aprovação final”, pontuou.
Para o período da tarde, a agenda prevê o estudo dos três capítulos restantes, considerados por Dom Irineu como o cerne prático do documento. O desafio agora recai sobre a Comissão das Diretrizes, que terá a missão de sintetizar as centenas de sugestões apresentadas. “Temos quase 400 bispos participando ativamente, oferecendo emendas e propostas. É um esforço monumental da Comissão para acolher essa pluralidade de vozes. Mas temos confiança de que, sob a luz do Espírito Santo e em espírito de unidade, entregaremos um instrumento de grande importância para o futuro da evangelização no Brasil”, concluiu o presidente do Regional Norte 2.
O método de trabalho adotado nesta Assembleia revela o cuidado com cada contribuição. Embora a tecnologia facilite muitos processos, as sugestões dos regionais para o texto das diretrizes estão sendo recolhidas em fichas físicas. Esse gesto, aparentemente simples, permite que os bispos visualizem com clareza os pontos de ajuste necessários em cada parágrafo, garantindo que nenhuma nuance da escuta feita anteriormente seja perdida ou contrariada por interferências externas.
Para Dom Vital Corbellini o desafio é acolher o processo a partir da realidade amazônica. É um convite para que cada Igreja particular, como a Diocese de Marabá, sinta-se protagonista na construção de uma Igreja em saída, que seja, ao mesmo tempo, universal em sua fé e local em sua expressão.
Um dos pontos altos das discussões é a integração total entre as diretrizes e os apontamentos do Sínodo sobre a Sinodalidade. Na prática, a Igreja no Brasil decidiu que não haverá caminhos paralelos, a forma como o país recebe e aplica as conclusões sinodais é, justamente, através destas novas diretrizes. É a “comunhão, participação e missão” ganhando corpo jurídico e pastoral.
A proposta em análise prevê que o documento final tenha uma vigência de seis anos. No entanto, em um mundo de mudanças rápidas, a Igreja demonstra prudência e zelo, após os primeiros três anos, haverá uma reavaliação para verificar se as luzes acesas em Aparecida continuam iluminando os caminhos da evangelização de forma eficaz.
Até o dia 24 de abril, os bispos permanecem em oração e trabalho. O que se desenha em Aparecida não é apenas um documento, mas um compromisso renovado de que a Igreja no Brasil, e nela, a nossa querida Amazônia. Continue sendo um sinal de esperança e acolhimento para todos.
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler









