
Antes de conduzir o povo de Deus na vivência da Semana Santa, os sacerdotes são chamados a um tempo de recolhimento, oração e renovação interior. É nesse contexto que a Arquidiocese de Santarém realiza, de 23 a 26 de março, o retiro anual dos padres, no Centro de Formação Emaús.
A programação teve início no dia 23 de março, com a Santa Missa, marcando a abertura do encontro. Tradicional na Igreja Local de Santarém, o retiro deste ano reúne cerca de 40 padres, entre diocesanos e religiosos, embora alguns não tenham podido participar devido a problemas de saúde. Ao longo dos dias, o encontro é marcado pela escuta da Palavra de Deus, celebração e aprofundamento da espiritualidade presbiteral. O retiro segue em Emaús até o meio-dia desta quinta-feira, 26 de março, e culmina com a Missa dos Santos Óleos, às 19h, na Catedral Metropolitana de Santarém, reunindo o clero e os fiéis e marcando o encerramento deste tempo de espiritualidade, comunhão e renovação da missão sacerdotal.
Para o Arcebispo de Santarém, Dom Irineu Roman, o momento representa uma pausa necessária dentro da intensa rotina pastoral.
“É um tempo de parada, de voltar para a vida interior, para o coração, para a gente meditar, refletir. Um tempo de encontro com Deus, de fé, de oração e de vida espiritual”, afirma.
Ele ressalta que essa experiência é fundamental para a caminhada dos padres e para a própria vida da Igreja.
“O nosso clero precisa disso. O próprio bispo também precisa desse período anual. É um tempo de revisão de vida, de avaliação pessoal, de busca de conversão e de fortalecimento do relacionamento com Deus e com os irmãos e irmãs, na experiência de fé, de oração”, destaca.
Segundo Dom Irineu, a realização do retiro durante a Quaresma favorece ainda mais a vivência espiritual dos sacerdotes.
“É um momento muito oportuno, porque nos prepara interiormente para vivermos bem esse tempo forte da Igreja”, completa.
Espiritualidade que sustenta a missão
Responsável por conduzir o retiro, o bispo emérito da Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM), Dom Edson Damian, propõe uma reflexão centrada na espiritualidade como fundamento da ação evangelizadora.
“O retiro enfoca de modo especial a espiritualidade, que é um valor fundamental na vida de todo cristão e principalmente na vida do padre, porque o êxito da evangelização depende, em grande parte, da espiritualidade e da mística de quem evangeliza”, explica.
De acordo com ele, a espiritualidade do presbítero se sustenta em dois pilares essenciais.
“Nós tomamos como tema central deste retiro a espiritualidade do presbítero, que tem o seu fundamento no amor apaixonado por Jesus e no serviço generoso aos irmãos e às irmãs que Jesus confia ao amor pastoral”, afirma.
Como inspiração, o retiro assume a figura do apóstolo Paulo como referência missionária.
“Nós tomamos como companheiro de caminhada o apóstolo Paulo. Depois dele, a gente se pergunta: houve alguém que se converteu a Jesus com tanta radicalidade e com tanto amor como o apóstolo Paulo? Será que houve um missionário na história da Igreja que percorreu distâncias, que enfrentou perigos e perseguições e até a morte com tanta coragem e dedicação?”, reflete.
Dom Edson também chama atenção para os desafios do tempo presente, que exigem uma fé mais profunda e enraizada.
“O mundo hoje está numa situação de guerra que jamais imaginávamos que iríamos chegar em nosso tempo. […] Isso nos interpela a fortalecer ainda mais a nossa fé e o nosso amor a Jesus”, pontua.
Ele acrescenta: “É nessa hora que precisamos fundamentar ainda mais a nossa certeza de que o Evangelho traz respostas para os homens e mulheres de todos os tempos, também para a nossa realidade da Amazônia”.
O assessor destaca ainda a importância do silêncio e do recolhimento como caminho de fortalecimento espiritual, devido à própria rotina do sacerdote, que muitas vezes é exigente.
“Muitas vezes não há tempo nem ambiente para aprofundar a sua espiritualidade, o seu amor a Jesus e, também, para fundamentar o seu ministério. Por isso, o retiro é esse momento de voltar à Palavra de Deus e à oração”, explica.
Como fruto concreto da experiência vivida, o bispo já propôs um gesto pastoral aos sacerdotes.
“Eu pedi que, ao voltarem, eles escrevam uma carta de amor pastoral às comunidades, partilhando aquilo que viveram aqui. Assim como Paulo escrevia às comunidades, hoje também os padres podem manifestar esse amor ao povo”, sugere.
O Arcebispo de Santarém também destaca a contribuição da experiência amazônica de Dom Edson para o retiro.
“Ele é conhecedor da realidade amazônica. Trabalhou 25 anos na região. Ele partilha também as experiências de evangelização e as experiências espirituais”, afirma Dom Irineu Roman.
Unidade fortalecida na vivência fraterna
O retiro também se consolida como um importante espaço de comunhão entre os sacerdotes, especialmente diante das distâncias e desafios da missão na região amazônica.
De acordo com o coordenador da Pastoral Presbiteral, Pe. Odirley Maia, o encontro reforça os vínculos fraternos e a identidade comum dos presbíteros.
“Este retiro tem um significado muito importante de comunhão, de unidade, e , também, de silenciar para ouvir a voz de Deus, rezar como irmãos, já que nós fazemos parte da mesma família, a família dos presbíteros da Arquidiocese de Santarém”, afirma.
Ele destaca que a realidade geográfica da região torna esse momento ainda mais significativo.
“Muitas das vezes temos a unidade um pouco dificultada devido às distâncias das paróquias. Nós que trabalhamos na região amazônica sabemos das grandes distâncias que há entre as comunidades, entre as paróquias e as áreas. Por isso, esse momento é essencial para fortalecer a nossa caminhada comum”, ressalta.
Além da convivência, o retiro é também um espaço de renovação interior e missionária.
“Este retiro é um momento de unidade, de fortalecer a nossa espiritualidade. É um momento especial em que nós nos reunimos para partilhar, para rezar, para nos fortalecer na nossa caminhada e na nossa missão”, acrescenta.
O padre também convida os fiéis a se unirem espiritualmente a esse tempo vivido pelo clero.
“Assim como nós rezamos pelo povo de Deus, este também é um momento em que o povo pode rezar pelos seus padres, para que possam crescer sempre cada vez mais no amor, na misericórdia e que nós possamos também continuar fortalecidos pelo Espírito Santo, que nós possamos continuar refletindo o amor, a misericórdia e a caridade que vem de Deus”, conclui.
Fonte: Arquidiocese de Santarém / Texto: Aritana Aguiar – Ascom Arquidiocese







