
A Pastoral Rural da Arquidiocese de Santarém promove, no período de 5 a 10 de janeiro de 2026, a tradicional Semana de Formação da Área Rural, no Centro de Formação Emaús, reunindo lideranças leigas, catequistas, padres, diáconos e religiosas das paróquias e áreas pastorais da zona rural. Nesta edição, o encontro tem como tema “Celebrações e Ritos de Entrega: uma jornada de formação para catequistas rurais”.
O encontro iniciou nesta segunda-feira, 5, com a Santa Missa, às 11h, presidida pelo padre Rafael Sanches, pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças, do município de Prainha.
A formação tem como objetivos conhecer e compreender as celebrações e ritos de entrega na Igreja Católica, desenvolver habilidades para o planejamento dessas celebrações nas comunidades, além de fortalecer a espiritualidade dos catequistas e sua relação com a vida comunitária.
Durante a Missa de Abertura da Semana de Formação da Área Rural, o padre Anselmo Andrade, coordenador da Pastoral Rural Arquidiocesana, dirigiu palavras de motivação aos participantes, ressaltando a importância do encontro como um tempo de renovação espiritual e aprofundamento da missão catequética.
Segundo o sacerdote, a semana formativa é uma oportunidade de fortalecimento interior e de redirecionamento da caminhada pastoral à luz de Cristo.
“É um momento de reabastecermos as nossas forças. Nesta semana, vamos voltar o nosso olhar para Cristo, juntamente com essa temática que foi escolhida para nós trabalharmos nestes dias. A temática deste ano é muito rica. Iremos ver tudo aquilo que envolve a nossa catequese e aquilo que nós não conseguirmos compreender, nós temos os nossos assessores, eles vão nos ajudar muito”, destacou o padre Anselmo.
O valor comunitário dos ritos
A assessoria do encontro, realizada entre os dias 5 e 8 de janeiro, é conduzida pelo casal Glauco e Cláudia Honório, catequistas da Paróquia São João Bosco, em Jundiaí (SP), coordenadores de catequese com jovens e adultos e coautores da coleção Kerigma, da Editora Paulus. Esta é a primeira vez que os assessores visitam a Arquidiocese de Santarém.
Para Glauco Honório, as celebrações e os ritos de entrega são fundamentais no processo de iniciação cristã, sobretudo nas comunidades rurais. Segundo ele, os ritos ajudam a marcar etapas importantes da caminhada de fé e a fortalecer o sentido de pertença comunitária.
“As celebrações e os ritos fazem parte da iniciação à vida cristã. Eles marcam os pontos principais dessa caminhada. A gente passa por cima, às vezes, fazendo uma celebração de batismo ou crisma muito isolada e esquece de conduzir a caminhada. E esses ritos marcam os pontos, o ponto onde o cristão é admitido na fé, onde ele é entregue, por exemplo, o creio não é uma simples entrega, é a comunidade falando para ele que ele está conosco, que ele está com a comunidade, com o nosso irmão. E quando a gente fala em comunidades rurais, comunidades mais distantes, isso é muito importante, para não ficar o rito ou o sacramento solto”, destacou.
Glauco também ressaltou a importância de uma catequese que dialogue com a realidade cotidiana das pessoas. Para ele, a fé precisa estar presente em todas as dimensões da vida.
“Uma das coisas que estamos incentivando nesse modelo de catequese é começar a falar de assuntos atuais. […] A gente também deve introduzir temas do dia a dia. Porque a gente não é para ser cristão na igreja e, quando sair da igreja, deixar de ser cristão. Devemos tratar desses temas do dia a dia, como é o comportamento de um cristão na escola, no trabalho, na vida em família. E esses temas buscamos trazer também para a catequese. E eu acho que isso é válido para a área rural, para as cidades, para qualquer coisa. […] Então, os nossos atos em todos os momentos da nossa vida são importantes para catequizar”, afirmou.
Formação como espaço de unidade e partilha
Cláudia Honório enfatizou que a Semana de Formação é um espaço privilegiado de comunhão, partilha e fortalecimento da missão dos catequistas, especialmente aqueles que atuam em áreas rurais mais distantes.
“Essencialmente porque mostra às catequistas que elas não estão sozinhas. Independente de elas atuarem na zona rural, independente de elas atuarem cada qual na sua comunidade, é um momento em que nós nos unimos, onde partilhamos saberes, partilhamos emoções, afetos, tiramos dúvidas. E nós, por sermos de uma região ainda mais distante, do Sudeste, do estado de São Paulo, viemos exatamente para mostrar que a Igreja Santa Católica é una. Então, a gente vai retomando o que as primeiras comunidades nos ensinam com tanto amor, que é exatamente a questão da partilha, de estarmos vivendo exatamente uma mesma fé, de uma mesma forma”, explicou.
Ela também deixou uma mensagem especial aos participantes, incentivando a vivência plena da formação.
“Aproveitem, bebam de todas as fontes, conversem, troquem saberes e sentimentos. A Igreja somos nós. Que estejam de corpo e coração abertos para a ação do Espírito Santo, para que sejamos instrumentos nas mãos de Deus, para levarmos o seu amor, a sua Palavra, com isso conquistarmos um povo e o desejo Dele é que sejamos um só povo”, exortou.
Missão da Pastoral Rural
A Semana de Formação Rural é organizada pela Pastoral Rural da Arquidiocese de Santarém, que atua no fortalecimento da evangelização nas comunidades do campo por meio de um processo formativo contínuo. De acordo com Elenive Maria, membro da equipe de coordenação da pastoral, a missão é garantir que a formação chegue à base das comunidades.
Segundo ela, os participantes da semana atuam como multiplicadores, levando os conteúdos às suas paróquias e áreas pastorais, onde realizam novas formações locais.
“Cada ano trabalhamos uma temática diferente, de acordo com as necessidades percebidas nas comunidades. As sugestões surgem a partir das avaliações feitas pelos próprios participantes ao final da Semana de Formação. Depois, a coordenação analisa as sugestões e define o tema a ser trabalhado. Mas é feito assim, recebendo sugestões das lideranças”, explicou.
Neste ano, a temática escolhida reforça a importância da iniciação à vida cristã, com foco nas celebrações e ritos que integram o processo catecumenal, fortalecendo a ação conjunta das lideranças nas comunidades rurais.
Experiência que renova e fortalece a missão
Para os participantes, a Semana de Formação é também um espaço de renovação pessoal e pastoral. A catequista Rosilma Silva Oliveira, da Paróquia Cristo Rei, em Monte Alegre, destaca a importância da formação para o seu crescimento na missão catequética.
Ela ressalta que a formação contribui para uma catequese mais viva, atual e capaz de encantar jovens e crianças, evitando práticas repetitivas e desconectadas da realidade.
“Porque, se não virmos [Semana de Formação] para aprender, fica mais difícil para a gente passar para os jovens, porque vamos ficar limitados. E aqui é renovar, é aprender algo para fazer com que a catequese aconteça, para podermos fazer com que crianças e jovens se encantem pela catequese. Ou pela igreja, de uma forma geral”, afirmou.
Programação complementar
A programação da Semana de Formação da Área Rural segue até o dia 10 de janeiro, encerrando com o café da manhã. No dia 9 de janeiro, os participantes recebem assessoria específica sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2026, conduzida pelo Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ampliando o horizonte formativo e pastoral do encontro.
Ainda durante a formação, no turno da noite, haverá abordagem de outras temáticas: “Espiritualidade do catequista” e “Comunicação na liturgia”.
Fonte: Arquidiocese de Santarém / Por Aritana Aguiar – Ascom Arquidiocese/ Fotos: Aritana Aguiar – Ascom Arquidiocese








