Servindo à Verdade: Tempo novo

 
 
Olá, meu irmão e minha irmã. No último “Servindo à Verdade” disse que concluiria a série “Anjos e Demônios”, mas permitam-me fazer mais um adiamento. É que o ano ainda é novo e não convém tecer a presente reflexão quando ele já for velho. Sim, gostaria de aproveitar que estamos iniciando 2017, para compartilhar com você uma meditação que fiz quando da passagem do ano.
 
Como você bem deve lembrar, faz pouco tempo, escutávamos e víamos os fogos estourando, pessoas se confraternizando, multiplicavam-se os votos de muito dinheiro, saúde e sobretudo paz. Somados aos votos, muitos propõem “meios eficazes” para que as coisas desejadas se realizem. E aí vale praticamente tudo: comer uvas e guardar as sementes na carteira, pular sei lá quantas ondas, entrar o ano novo com pé direito e para isso há quem fique pulando num pé só. Outras pessoas apelam para as cores: se vestir roupa vermelha terá paixão, se a roupa for amarela terá riqueza; caso queira paz, o branco é a opção preferida. 
 
No final das contas, toda essa crendice supersticiosa traz subjacente o desejo legítimo de felicidade. Aristóteles (384-322 a C.) já afirmava que todo homem busca ser feliz. Ou seja, o desejo de felicidade é natural no ser humano. 
Na verdade, se pararmos para pensar, felicidade e paz constituem a síntese de tudo o que desejamos, são as duas faces da mesma moeda. Ninguém é feliz sem paz e ninguém vive em paz se for infeliz. Então, os votos, desejo, promessas de saúde, dinheiro e tudo o mais são afunilados no binômio paz e felicidade e nesse sentido – termos práticos – são sinônimos. Posto isso, que o amigo leitor fique ciente de que, quando eu falar de paz, estarei ao mesmo tempo falando de felicidade e vice e versa.
 
Muita gente durante a história e mais ainda no mundo contemporâneo, embriagada no materialismo, julga que a felicidade estaria na riqueza, na posse de bens materiais. O poder,  o status social e a glória pessoal também são considerados fontes donde brota a felicidade. Há os que preferem se afogar no hedonismo, numa busca incessante de gozar os prazeres da mesa e do sexo.
 
No entanto, sabemos que tudo isso por si só ou em si mesmo não traz paz. São mentiras velhas que perduram num tempo novo. Porém, ao perdurarem, fazem o tempo novo caducar rapidamente.  Permita-me ser mais claro?
Estamos no início de um novo ano que começou com votos e desejos de paz (e felicidade). Mas para muita gente a conquista da felicidade (e da paz) significa dinheiro (riqueza), prazer e poder. Sinto dizer, mas para essa gente a frustração é certa. Frustração que nasce da teimosia em não aprendermos uma grande lição que foi anunciada por grandes pensadores e ensinada por grandes santos: não é possível depositarmos nossa felicidade em coisas que passam, que se corrompem. 
 
Para não ir muito longe em exemplos, cito rapidamente uma pessoa que aprendeu, viveu e transmitiu essa sábia lição, Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares. Chiara, que buscava em sua vida aquilo que não passa, decidiu estudar filosofia, mas seus estudos foram interrompidos pelo advento da trágica Segunda grande Guerra Mundial. Chiara viu o mundo desmoronar e notou como são frágeis as coisas deste mundo, inclusive coisas boas como uma profissão conquistada com dignidade, uma família bem constituída. A guerra trouxe a infelicidade! 
Mas não precisamos viver um momento de guerra para perceber que não podemos depositar nossa felicidade em coisas que podem passar. Se alguém coloca sua felicidade em um filho, por exemplo, e por algum acidente ele vier a falecer? Se outro coloca a felicidade num bom emprego e, por questões de crise, esse emprego for perdido? 
 
Pois é, Chiara viu tudo isso acontecer em escala tristemente grandiosa por causa da guerra. E se perguntou: o que não passa? O que resiste às guerras e às vicissitudes do tempo? Que não é jamais corrompido? A resposta: Deus!
A paz e a felicidade não resultam de uma escolha comprometida por Deus. Jesus é Nossa paz, Ele é a felicidade. Só seremos felizes e teremos paz na medida em que aderirmos a Cristo, nos convertermos a Ele. Sem conversão não há verdadeira felicidade, sem conversão não existe verdadeira paz. Não caminharemos rumo à paz e à felicidade enquanto não assumirmos como projeto essencial de vida a santidade. 
 
Sigamos em frente buscando pensar com a Igreja no serviço da Verdade. Fique com Nossa Senhora e São José.

 
 
 
 
 

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