Tijolo e Esponja: modos de ser

Por Pe. Helio Fronczak

A imagine é eloquente! Uma ótima metáfora visual, explicada pela legenda, que nos mostra claramente a diferença entre “ouvir para responder” e “ouvir para entender”, questionando a qualidade da nossa presença nas relações humanas e na nossa vida de fé.

Muitas vezes agimos como o tijolo em nossas conversas diárias na família, no trabalho ou na comunidade. Ouvimos o outro já preparando a resposta; enquanto a pessoa fala, nossa mente arquiteta a defesa, a correção ou o contra-argumento que pensamos dizer. Ouvimos apenas o suficiente para encontrar uma brecha e “respingar” nossa opinião. Essa é uma escuta reativa: dura, impermeável e confrontadora. O tijolo não muda com a água, ele apenas a dispersa, transformando diálogos em monólogos sobrepostos onde ninguém sai transformado.

Ser esponja, por outro lado, exige muita humildade. Ouvir para entender significa silenciar o barulho interno para acolher a realidade do outro, praticando o que São Bento chamava de “ouvir com o ouvido do coração”. Quando ouvimos com empatia, permitimos que a dor, a alegria ou a dúvida do próximo nos atravesse. Não se trata de concordar passivamente, mas de ter a capacidade de absorver o contexto e a intenção de quem fala. A esponja se molda ao que recebe e, só depois de estar preenchida pela compreensão, transborda o que é necessário.

No cotidiano, essa postura transforma nossos relacionamentos. Na família, permite ouvir o desabafo de um filho ou do cônjuge sem julgamento imediato, entendendo o que está por trás do cansaço, da tristeza, ou da irritação. No trabalho, leva a dar espaço ao outro para dizer o que o perturba antes de apontar um erro, tornando a solução muito mais eficaz. Na comunidade, ser esponja é acolher a pessoa que chega com suas amarguras e dificuldades, oferecendo o coração aberto antes de fórmulas prontas, para buscar juntos uma solução ao problema.

O mundo hoje está repleto de “tijolos” que colidem e geram ruído. Como cristãos, somos convidados a ser esponjas: capazes de absorver a realidade do próximo para que, preenchidos pelo amor verdadeiro, possamos transbordar a paz de Cristo. Na próxima conversa, observe-se: você está apenas esperando sua vez de falar ou está deixando que a palavra do outro encontre morada em você?

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