A última peregrinação dos voluntários pela Porta Santa

Jubileu, a última peregrinação dos voluntários pela Porta Santa
Jubileu, a última peregrinação dos voluntários pela Porta Santa

A passagem das pessoas que, ao longo de 2025, acompanharam mais de 33 milhões de fiéis encerrou simbolicamente o Ano Santo. Uma representação dos mais de 5 mil que disponibilizaram seu tempo para garantir um serviço realizado “em um clima de segurança e fraternidade”. O arcebispo Fisichella: “foi uma bela aventura. A esperança não decepciona só porque um caminho chega ao fim”.

A Basílica de São Pedro se multiplica em mil reflexos nas poças de água que pontuam a Via dellaConciliazione, testemunha silenciosa do Jubileu de 2025 e de seus últimos dias chuvosos. Os mesmos reflexos habitam os olhos dos voluntários — reconhecíveis pelas já conhecidas camisolas verde-esperança — nos quais se depositaram as histórias, os fardos e as expectativas dos peregrinos que, neste Ano Santo, atravessaram a Porta Santa da Basílica do Vaticano. 

Um rio humano de mais de 33 milhões de pessoas, possibilitado pelo empenho discreto e constante de 5 mil voluntários de origens igualmente variadas, chamados no início da noite deste 5 de janeiro, para compartilhar a última peregrinação, juntamente com alguns membros do Dicastério para a Evangelização, entre os quais o arcebispo pro-prefeito, dom Rino Fisichella.

Proteger a si mesmo e aos outros

A peregrinação, como toda peregrinação que se preze, parte canonicamente da Piazza Pia. Alguns pingos de chuva acompanham o caminho — guiado pelo próprio arcebispo, que é o primeiro a erguer a cruz de madeira do Jubileu — fazendo com que, de vez em quando, alguns guarda-chuvas se abram para proteger não só a si mesmos, mas também aos seus vizinhos. É o espírito de solidariedade que une os voluntários, que não dissipa uma sensação de melancolia — típica de toda experiência que chega ao fim —, mas a une à satisfação por um serviço realizado “em um clima de segurança e fraternidade”, como afirmou dom Fisichella na coletiva de imprensa de balanço do Ano Santo realizada na manhã desta segunda-feira, dia 05.

Silêncio contemplativo

Ao longo do percurso, reza-se, canta-se o hino do Ano Santo, mas também se relembram experiências, anedotas e acontecimentos dignos de nota. Uma vez chegados à Porta Santa, porém, as palavras dão lugar a um silêncio contemplativo, voltado para a imponente Porta que nesta terça-feira o Papa Leão XIV fechará, aguardando a reabertura prevista para 2033, por ocasião do Jubileu da Redenção. Os voluntários a observaram inúmeras vezes, regulando o fluxo de peregrinos, sempre como coadjuvantes. Desta vez, porém, tornam-se protagonistas de pleno direito: acariciam os painéis, fazem o sinal da cruz, sussurram uma oração.

“Foi uma bela aventura”

A procissão continua ao longo da nave da Basílica, para depois terminar no seu centro. Ali, dom Fisichella faz recitar as orações necessárias para a indulgência, de acordo com as intenções do Papa, e o Credo. “Foi uma bela aventura”, explica aos voluntários reunidos, “mas a esperança não decepciona só porque um caminho chega ao fim”, acrescenta, encorajando cada um a se tornar uma “pedra viva” da Igreja. Assim termina a peregrinação dos voluntários: finalmente é o momento de depositarem seus esforços, fardos e expectativas, com a certeza de que, mesmo que tenha sido uma decisão de última hora, nada ficará sem resposta.

Fonte: Vatican News / EdoardoGiribaldi

Compartilhe essa Notícia

Leia também