
Enquanto Leão XIV continua a sua viagem apostólica por outros três países da África, a Argélia revive interiormente o profundo significado dos momentos passados com o Papa. É o caso dos jovens estudantes em Béjaïa, que acompanhados por Jackson Santos, líder da Comunidade Católica Shalom, se deslocaram a Annaba para a Missa do Papa. Uma experiência maravilhosa que Jackson partilha com a Vatican News.
A nossa participação na missa celebrada pelo Papa em Annaba foi uma experiência profundamente marcante, quase indescritível. Saímos às 2 horas da manhã, no frio e debaixo de chuva, para uma longa viagem de cerca de sete horas. O ônibus com quase 50 jovens cheios de entusiasmo. Fomos escoltados pela polícia durante todo o trajeto como medida de segurança. Apesar do cansaço e das dificuldades, nossos corações já estavam cheios de alegria e expectativa.
Valeu a pena, reacendeu em nós a chama da esperança
Ao chegarmos em Annaba, o frio era intenso, por volta de 8 ou 9 graus. Chegamos bem cedo, fizemos o check-in e esperamos bastante até poder entrar. Mas tudo isso valeu a pena. Ver o Papa aqui, na Argélia, nesta pequena Igreja que representa menos de 1% da população, foi uma graça imensa que reacendeu em nós a chama da esperança.
Vivemos a alegria de poder servir concretamente nesta celebração através de nossos jovens. “Blazing”, um jovem moçambicano da província de Sofala que participa do nosso grupo de oração em Béjaia, partilhou a emoção desse momento:
“Para mim foi uma missa muito especial. Poder servir como acólito, numa participação direta com o Papa no altar, foi magnífico. É um momento que raramente se vive na vida.”
Além dele, uma jovem de Béjaïa serviu no coral e o padre Jean, responsável pela comunidade shalom em Argel, serviu como mestre de cerimônia do Papa. Emily, jovem missionária da Comunidade Católica Shalom, de 26 anos, também foi convidada para fazer as preces junto com outras pessoas e expressou o significado dessa visita:
“Foi um grande presente de Deus poder viver este momento. A presença do Papa nestes dias foi um sinal de muita esperança para os cristãos argelinos, trazendo unidade, caridade e respeito para com o outro que pensa diferente. Estamos com o coração aberto para acolher todos os frutos que ele trouxe para nós.”
Reacendeu em nós o fogo da missão
A presença do Santo Padre nos encheu de uma esperança de abertura, de diálogo e de testemunho. Como ele mesmo nos recordou, a nossa missão passa pela caridade: transmitir o amor através de gestos simples e concretos do dia a dia. A vinda do Vigário de Cristo reacendeu em nós o fogo da missão e a chama que ardeu no coração de Santo Agostinho.
Na nossa realidade em Béjaïa e Argel, essa esperança ganha profundidade. Somos poucos missionários e enfrentamos desafios logísticos; em Béjaïa, por exemplo, o sacerdote precisa percorrer três horas de estrada montanhosa para celebrar a Eucaristia, o que faz com que cada missa seja vivida como um verdadeiro tesouro.
Num país maioritariamente muçulmano, onde somos minoria, essa visita do papa foi um forte encorajamento. Ela nos convida a testemunhar com simplicidade, no silêncio e no escondimento, mas sempre com amor e enraizados na Eucaristia. Com o Papa, renovamos o nosso “sim” a Deus para continuar sendo testemunhas da paz do Cristo Ressuscitado que nos renova e revigora mesmo quando passamos por momentos difíceis, somos alcançados pela ressurreição de Cristo que dá vida a sua igreja.
Fonte: Vatican News /PorDulce Araújo, com Jackson Santos – Argélia

