Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 8 anos, têm 3 filhos, são atuantes na Pastoral Familiar. Neste 31° encontro, a família, primeira guardiã da vida.
Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje, vamos conversar sobre a família como primeira guardiã da vida. Talvez muitos se perguntem: “Na prática, como entender e viver a família como santuário da vida?”
O termo “família, santuário da vida”, é apresentado por São João Paulo II na sua Encíclica Evangelium Vitae, publicada em 1995. E nós podemos ver a família como um santuário da vida por diversos motivos e de diferentes formas. Primeiro, porque é na família que a vida humana é transmitida, gerada, amada, protegida e educada. Em um santuário, como um local sagrado, nós prestamos culto a Deus, nos ajoelhamos perante a grandeza de Deus e nos comprometemos a sermos fiéis a Ele e a sua Palavra. Na Igreja, falamos e nos vestimos com respeito, jamais usando linguagem imprópria, tomando cuidado para externalizar pelo nosso comportamento, todo o respeito que o esse local sagrado exige. De forma similar, para que a família seja santuário da vida, somos chamados a nos comportar de modo a reverenciar o valor da vida humana e a sacralidade da família o tempo todo dentro de casa.
Através da união matrimonial, Deus nos permite ser co-criador com Ele na transmissão da vida humana. Isso é algo muito grandioso. O casal colabora com Deus na cocriação transmitindo a vida a seus filhos. Este dom mostra a presença de Deus na vida do casal e é um presente de Deus que deve ser contemplado e admirado, porque traz algo de magnânimo. Mas também enseja a responsabilidade de proteger, amar, acolher e educar essa vida para Deus. Por isso, ser família guardiã da vida significa buscar a fidelidade dessa aliança matrimonial do casal para com Deus, ao receber os filhos que Deus deseja enviar, no exercício de uma paternidade e maternidade responsável e generosa, que não se fecha a ação de Deus sem o devido discernimento. Na família, o casal e todos na casa devem ter muito claro que filhos são bênçãos de Deus, reflexo do amor de Deus e do amor do casal.
Em segundo lugar, a família é guardiã da vida porque deve proteger e educar a vida depois que ela é gerada. Desde o ventre materno, o casal e também os filhos que já tiverem nascido, devem admirar e contemplar a beleza e o valor daquela pessoa que está no ventre. Relembrar sempre que aquela criança tem uma dignidade infinita desde a concepção e deve ser amada pelo o que ela é, um presente de Deus aos seus pais, irmãos e ao mundo, e alguém que já tem uma missão e um chamado à santidade.
A cultura da vida é promovida dentro da família quando o valor da vida é afirmado com clareza. Mas a cultura da vida é negada quando as pessoas se referem à vida como um fardo, como um problema. Em nossa cultura atual, com frequência encontramos exemplos de frases e atitudes que trazem consigo uma mensagem contrária a missão da família como santuário e local de proteção da vida. Um casal que compartilha com seus filhos uma postura anti-natalista, que evita um novo filho sem qualquer discernimento de motivo justo, mostrando motivações fúteis e egoístas, transmite na família uma mensagem contrária ao projeto de Deus para a família. Se isso é feito, acontece uma anti-catequese na família. De forma similar, quando se busca de forma indevida a reprodução artificial, por exemplo, transmite-se uma mensagem de que a vida pode ser produzida fora do ato conjugal, por meio da técnica, mesmo ao custo de embriões, que são vidas humanas, e são descartados no processo.
Na FamiliarisConsortio, o Papa João Paulo II explica que “O amor conjugal fecundo exprime-se num serviço à vida em variadas formas, sendo a geração e a educação as mais imediatas” (FC, 41).
Neste sentido, a educação das crianças revela-se como parte do serviço à vida que o casal e a família realizam. E como deve ser essa educação? A educação a que nos referimos, enquanto Igreja, não é aquela que coloca o objetivo profissional acima do espiritual. É uma educação integral, que se preocupa sim com o desenvolvimento de capacidades humanas e técnicas, mas deixa claro que a primeira e maior vocação de cada criança, cada jovem e cada membro da família, é a vocação à santidade.
Que Deus nos ajude diariamente a sermos uma família que acolhe, protege e educa para a santidade, aquela que busca obedecer “em tudo a vontade” de Deus, que diariamente deseja caminhar em busca da “plenitude da vida cristã e da perfeição da caridade”. (Catecismo da Igreja Católica, 2013).
Um grande abraço a todos e até a próxima!
Fonte: Vatican News

