
Próximo ao encerramento do Jubileu, Roma se transformou em um espaço de exibição de arte, com uma exibição de obras que pertencem a coleções privadas, o que faz com que sejam exibidas ao público apenas em ocasiões específicas.
Mais do que obras-primas da história da arte, as telas carregam uma catequese visual enraizada na fé católica. A mostra permanece aberta até 8 de fevereiro de 2026, na igreja de Sant’Agnese in Agone e propõe uma meditação visual sobre os grandes mistérios do cristianismo: a Encarnação e a Ressurreição de Cristo, feitas pelas mãos dos artistas barrocos: Peter Paul Rubens e Michelangelo Merisi, o Caravaggio.
As obras trazem o assunto central do cristianismo, onde Deus se fez carne e venceu a morte. A exposição propõe um percurso profundo, o que torna a experiência verdadeiramente inédita, devido ao diálogo criado entre elas, pensado especialmente para o Jubileu.

Na obra “Madona com o Menino”, a Encarnação se manifesta na fragilidade do Menino nos braços de Maria, com o Menino Jesus, nu e frágil, sustentado sobre um tecido que antecipa simbolicamente o sudário. Contudo, o olhar da criança já se orienta para o destino que o espera: dar a vida pela humanidade.
Rubens conduz o olhar à contemplação. Sua devoção mariana se expressa na delicadeza do gesto de Maria e na humanidade do Menino, unindo ternura e anunciação, infância e cruz.
Em “A Incredulidade de São Tomé”, a Ressurreição se revela no corpo ferido e glorificado de Cristo, a mão do apóstolo, conduzida pelo próprio Senhor, toca a chaga aberta. É a manifestação da fé nascendo do contato, da carne atravessada pela morte e transformada em vida nova.
Colocadas lado a lado, as duas obras constroem o seguinte diálogo: na obra de Rubens, o corpo é oferecido; em Caravaggio, o corpo é tocado. Em uma, a promessa; na outra, o cumprimento, do nascimento à vitória pascal, revelando que a fé cristã não é abstrata, mas encarnada e histórica.
Reunidas agora, essas obras não apenas convivem no mesmo espaço: elas se explicam e se completam, conduzindo o espectador ao centro da fé.
Fonte: Portal A12 / PorRafael Gurgel/ Com Vatican News



